José Mário Grilo no “FIC Luanda”

José Mário Grilo
José Mário Grilo

O cineasta português João Mário Grilo exortou segunda-feira, em Luanda, os actores angolanos a constituírem um agente, para permitir a gestão da sua carreira, organizar a sua agenda de trabalho e garantir os pagamentos.
O realizador que falava ao Jornal de Angola, no final da aula inaugural do curso de direcção de actores, que decorre no Cine Atlântico, promovido pela organização do Festival Internacional de Cinema de Luanda, disse que a figura do agente visa, por outro lado, dar outra visão aos realizadores, sobre a carreira do actor.
“É verdade que os actores são contratados de acordo as características e trabalhos já efectuados, mas os realizadores admiram a perfeição e a imagem do ‘manager’ transmite organização, responsabilidade e experiência”, afirmou.
João Mário Grilo disse que o realizador deve confiar no actor, pois este funciona como um instrumento de orquestra que faz o que o maestro deseja, ignorando os seus preconceitos e receios.
O realizador afirmou que o actor de cinema deve ser neutral, que no seu entender é uma das principais características do artista. Referiu também que o primeiro grande compromisso do actor é a palavra, pois o mais importante é a interpretação do texto. “O actor deve saber pronunciar as palavras do texto e a preparação é essencial, para permitir ao artista brilhar”, justificou.
Questionado sobre a diferença entre o realizador e o produtor de um filme, o cineasta disse que o primeiro é um criador e responsável pelo argumento, imagem e representação. “É a única pessoa que sabe como vai ser o filme”, explicou. Quanto ao produtor, disse ser o responsável pela garantia e disponibilidade de todos os meios técnicos e pelo financiamento do filme. “O produtor é responsável pelo pagamento de todos os intervenientes de um filme, guarda-roupa e alguns contratos”, explicou.
O realizador anunciou que, além de formador, a sua missão é sensibilizar os formandos a aprimorarem as técnicas de cinema e a trabalharem como actores autênticos.

O curso termina amanhã e participam actores de cinema e de teatro, realizadores, fotógrafos, encenadores e produtores.
João Mário Grilo realizou os filmes Maria (1979), A Estrangeira (1983), vencedor do Prémio Georges Sadoul no Festival de Veneza, O Processo do Rei (1990), O Fim do Mundo – A Terra (1993), Os Olhos da Ásia (1996), Longe da Vista (1998), 451 Forte (2001), A Falha (2001), Prova de Contacto (2003), O Tapete Voador (2008), Duas Mulheres (2009) e o documentário A vossa casa (2010).
O realizador publicou artigos de crítica, história e teoria do cinema e da imagem, e foi autor de crónicas em revistas portuguesas.

Roque Silva

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

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