Homenageado estudioso da marimba

Escritor Jorge Macedo foi à título póstumo distinguido pelo ministério da Cultura Fotografia: DR

Escritor Jorge Macedo foi à título póstumo distinguido pelo ministério da Cultura Fotografia: DR
Jorge Macedo foi homenageado, pelo Ministério da Cultura, na cerimónia de entrega de prémios da edição 2011, do Prémio Nacional de Cultura e Artes, pela sua contribuição ao estudo e valorização da marimba.
Enquanto poeta, ensaísta, investigador e etnomusicólogo, Jorge Macedo deixou um legado que marca, decerto, a história da cultura angolana e tem servido de guia para as gerações mais jovens de estudiosos da cultura e da literatura angolana.
Eminente homem de cultura, defensor firme das suas convicções, Jorge Macedo pretendia uma sociedade de paz e harmonia, respeitando a diversidade das culturas em presença, propondo uma relação de diálogo cultural, permanente e continuado, entre África e o mundo.
“É imperioso ser africano, antes de tudo, para melhor compreender o outro”, argumenta Jorge Macedo no seu ensaio “A dimensão africana da cultura angolana”. A diversidade dos estudos de Jorge Macedo – da problemática sociológica dos assimilados, à poligamia, à dimensão proverbial da filosofia bantu, à emigração da oralidade na literatura, à africanidade na poética de Agostinho Neto, à música e à valorização do poder tradicional – preenchem um vazio de reflexão endógena, cujas origens estão assentes nos princípios enunciados pelos arautos do nacionalismo angolano.
Sempre disposto a conviver, e a ensinar aos mais jovens, Jorge Macedo, um dos mais respeitados estudiosos angolanos da marimba, valorizava a dimensão africana da cultura angolana, defendendo que era possível elevar ao nível de conhecimento planetário, a magnitude dos valores espirituais da africanidade, se valorizadas e respeitadas, primeiro, pelos próprios africanos.
“Na sua mais profunda dimensão – argumentava –, a palavra universal deve entender-se sempre como uma categoria conceptual e não como um modelo cultural que todos os povos devem abraçar”.
Jorge Macedo, no fundo, dizia que os horizontes modernos da experiência comunicacional, embora possam ser úteis à difusão das culturas locais, podem, de igual modo, asfixiar as linguagens culturais dos países mais pobres.

Jorge Macedo nasceu, em 1941, em Malange, onde fez os estudos primários e secundários. Educado segundo princípios religiosos, frequentou o seminário menor e o maior de Luanda, onde estudou filosofia e formou-se depois em etnomusicologia pela Universidade de Kinshasa.
A sua primeira actividade profissional foi a de regente escolar, tendo ingressado depois na carreira administrativa. Ocupou, após a independência, vários cargos de responsabilidade, entre os quais os de director nacional de Arte e de director nacional da Escola de Música, tendo sido, até à data da morte, assessor da ministra da Cultura.
Vencedor, em 2005, do Prémio Nacional de Cultura e Artes e detentor de uma vasta obra literária e ensaística, iniciou a sua vida literária em 1966, com a publicação de livro “Itetembu”, obra poética que veio a impulsionar toda a sua posterior produção literária.


Fonte: JA

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