Governo Provincial de Luanda, transfere-se para Cidade do Kilamba

Governo da Província de Luanda vai ser transferida futuramente para a Cidade do Kilamba
Governo da Província de Luanda vai ser transferida futuramente para a Cidade do Kilamba

A sede do Governo da Província de Luanda vai ser transferida futuramente para a Cidade do Kilamba, no recém-criado município de Belas, uma mudança ditada em parte pelo novo figurino administrativo que está a ser implementado na cidade capital, revelaram fontes daquela instituição a O PAÍS. A transferência da sede do governo de Luanda resulta em parte da necessidade de acomodação da Comissão Administrativa Municipal de Luanda (CAML), cujo presidente é o exedil do município do Sambizanga, voltando assim o edifício a acolher a sede da câmara municipal de Luanda.

A concretização da transferência não será para breve tendo em conta que deverá aguardar que a nova sede do GPL esteja edificada. Em face disso, de momento a Comissão Administrativa Municipal de Luanda vai ser instalada provisoriamente n no edifício da extinta administração municipal da Ingombota.

O novo figurino administrativo de Luanda contempla a existência de sete municípios, contrariamente aos nove até anteriormente existentes, designadamente, o município de Luanda, Cazenga, Cacuaco, Viana, Belas, Quissama e Icolo Bengo.

Quanto ao município de Luanda, consta que será formado por treze distritos e vai absorver territórios dos extintos municípios do Rangel, Sambizanga, Ingombota, Kilamba Kiaxi e Maianga.

“Vassouradas”

No entanto, o inicio da semana, o governador de Luanda, Bento Bento, para dar corpo ao novo figurino administrativo da província, nomeou o presidente da Comissão Administrativa Municipal de Luanda, os administradores municipais e outros responsáveis do seu gabinete.

Na sequência, Bento Bento exonerou José Tavares Ferreira, Manuel Cafussa e José Francisco Correia dos cargos de administradores municipais do Sambizanga, Cacuaco, Kilamba Kiaxi, respectivamente. De igual modo foram exonerados da Ingombota, Samba e Maianga, respectivamente, Pedro Samuel John Júnior, Adão António Malungo e Manuel José Marta.

O acto administrativo de Bento Bento, enquanto governador de Luanda, resultou no afastamento dos administradores nomeados pelo seu antecessor, José Maria dos Santos, designadamente, da Samba, Rangel, Cacuaco, e Ingombota.

Na verdade, os ex-administradores dos extintos municípios da Samba, Ingombota, Cacuaco, Rangel, respectivamente, Adão Malungo, Pedro Samuel John Júnior, Manuel Cafusa e Maria Clementina da Silva, nem sequer tiveram tempo suficiente para se familiarizarem com o metier das administrações, tendo em conta que todos foram nomeados a 22 de Junho do ano corrente. Cessaram igualmente as funções os administradores municipais adjuntos da Samba, Rangel e da comunal da Funda.

A até então secretária-geral do governo, Maria Umba Hilário, que ocupava este cargo desde Fevereiro do ano corrente, também não sobreviveu à primeira vassourada de Bento Bento, que no seu lugar renomeou, Judite Armando Pereira.

Num só ápice, o governador da Província de Luanda determinou também a cessação de funções de todo o pessoal de apoio, colocado no seu gabinete.

Os sobreviventes

Contrariamente aos receios de muitos funcionários do GPL, o governador de Luanda não incluiu nas suas nomeações nenhum out-sider, apostando na prata da casa.

Fontes que acompanharam o processo, alegam que nos últimos dias, assistiu-se um a um grande corrupio nos corredores do secretariado provincial de Luanda do MPLA, local onde tudo terá sido cozinhado, bem como nos corredores da sede do partido governante, na expectativa de serem reconduzidos nos cargos anteriores.

Sai como o grande vencedor nesta remodelação a figura do ex-administrador do Sambizanga, José Tavares Ferreira, que assume a presidência da Comissão administrativa de Luanda, que terá sob sua alçada treze distritos.

Sobreviveram igualmente os administradores do Cazenga, Viana, respectivamente, Victor Nataniel Narciso, José Manuel Moreno, que permanecem intactos nos seus lugares, um facto aparentemente devido à sua condição de membros do comité central do partido.

Enquadra-se também na lista dos sobreviventes, o administrador do Icolo-Bengo, António Calado, arquitecto de profissão que migra de Caxito para Luanda, nas mesmas funções que ocupava anteriormente.

Este arquitecto de profissão já foi quadro do GPL, onde foi o director da extinta Direcção dos Serviços de Gestão Urbana, percursora do actual Instituto de Gestão Urbana de Luanda –IPGUL.

Para Cacuaco a opção recaiu para sobre Rosa João Janota Dias dos Santos, que não é desconhecedora deste metier, pois até então desempenhava idêntica função na comuna da Funda.

Ana Maria Rodrigues da Silva e Silva passa de administradora adjunta do extinto município do Rangel para doravante ocupar-se do município da Kissama que foi desanexado da província do Bengo.

Enquanto isso, a secretária municipal do MPLA da Ingombota, Joana António Quintas, ocupar-se-á da administração do novo município de Belas, que herda o território da Samba e se estende até à cidade do Kilamba.

Regresso a casa Judite

Armando Pereira regressa ao executivo de Luanda, onde ingressou na vigência do governador Simão Paulo, ocupando-se do gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística, posteriormente indicada para secretária-geral, função que exerceu até Fevereiro do ano corrente.

Trajectória semelhante percorreu a directora do gabinete do governador, Ana Cristina Pódia Kay Salvador, que até à sua nomeação foi administradora adjunta da Samba.

No entanto, antes de ser nomeada em Junho deste ano exercia o cargo de directora do gabinete do governador de Luanda, uma função que se prolongou desde o mandato da governadora Francisca do Espírito Santo. Não menos importante foi a nomeação de Alberto Marques Domingos para a função de assessor político, que marca também o regresso àquela instituição, pois já foi o director de gabinete do governador que mais tempo esteve em funções desde o tempo de Aníbal Rocha.

Governar colectivamente

O presidente da Comissão Administrativa Municipal de Luanda, José Tavares Ferreira, anunciou, à margem da cerimónia de tomada de posse, o seu compromisso com a promoção de uma governação participativa e transparente para o município de Luanda.

Na referida ocasião disse que de concreto já existe um programa para o município de Luanda, resultante da integração dos programas dos municípios extintos por força da revisão administrativa da província.

“Os problemas do município de Luanda estão devidamente identificados.

Todos nós conhecemos, resta agora, mais do que falar, arregaçar as mangas”, disse o presidente da Comissão Administrativa Municipal de Luanda.

José Tavares Ferreira anunciou que a primeira empreitada desta longa jornada que agora inicia, será encontrar um local para a sua acomodação, bem como a nomeação da sua equipa de trabalho, uma questão a ser equacionada brevemente.

No entanto, augura o apoio dos munícipes de Luanda, lembrando que sem a colaboração e cooperação destes a tarefa de governar Luanda será difícil.

“ Pensamos fazer uma governação transparente, participativa, aonde todos os cidadãos de forma disciplinada e organizada vão e devem contribuir para transformar Luanda num lugar bom para nascer e viver”, afirmou o presidente da Comissão Administrativa Municipal de Luanda.

De igual modo, aponta como linhas de força da sua governação a resolução dos problemas de energia, água, saneamento básico, reparação das vias tanto principais como terciárias e o combate à pobreza.

Enquanto se aguarda pela instalação definitiva CAML, aquele responsável assegura o normal funcionamento das administrações municipais e comunais para quem desejar obter qualquer serviço da administração.

Valdimiro Dias
Fonte: O País
Foto: O País

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