Governo de Mario Monti obtém confiança do Senado italiano

O novo premiê da Itália, Mario Monti, discursa no Senado, em Roma, nesta quinta-feira.
O novo premiê da Itália, Mario Monti, discursa no Senado, em Roma, nesta quinta-feira.

O novo governo italiano, dirigido por Mario Monti, obteve a confiança do Senado com a maioria esmagadora de 281 votos a favor entre os 307 políticos presentes. O voto foi dado depois do premiê prometer, durante um aplaudido discurso, restaurar a credibilidade da Itália e contribuir para salvar a zona do euro e a União Europeia, que atravessam uma grave crise, com um programa que alia austeridade e retomada do crescimento. Nesta sexta-feira, será a vez dos deputados darem seu voto de confiança ao novo gabinete.
O voto de confiança, obtido na noite de quinta-feira, validou a seriedade e determinação do novo premiê italiano.

Estimando que a União Europeia não pode “sobreviver a uma falência da união monetária”, Mario Monti, ex-comissário europeu, declarou que não quer ver seu país como o “elo fraco” da zona do euro e, segundo ele, a Itália deve retomar seu papel na construção do bloco.

Terceira maior economia europeia, atrás da Alemanha e França, a Itália tem uma dívida de 1,9 trilhão de euros e corre o risco de uma asfixia financeira devido ao aumento expressivo das taxas de empréstimo para o Estado, que estão em torno de 7%.

“Nós devemos convencer (os mercados) que tomamos o caminho da redução, gradual mas permanente, da relação entre dívida e PIB; dívida que está no nível de 20 anos atrás”, declarou.

Após dois planos de austeridade, em julho e setembro, o novo chefe de governo, que acumula o cargo de Ministro de Economia, adiantou que estuda novas medidas de austeridade para atingir o objetivo de um equilíbrio orçamentário em 2013.

Uma das propostas é a volta da aplicação do imposto sobre a residência principal, considerada por ele uma “aberração italiana”. A taxa havia sido suprimida pelo ex-premiê Silvio Berlusconi, em uma decisão que o ajudou a vencer as eleições legislativas de 2008.

Orgulho e dignidade

Para Mario Monti, que teve seu discurso de cerca de 40 minutos interrompido 17 vezes por aplausos, a Itália precisa de medidas para “tornar a economia menos esclerosada, favorecer o surgimento de novas empresas, melhorar a eficiência dos serviços públicos e estimular o trabalho para jovens e mulheres”.

“A Itália deve investir nos seus talentos, nos seus jovens, e fazê-los se sentir orgulhosos de seu país”, declarou o primeiro-ministro, enquanto milhares de estudantes manifestavam no país contra os cortes no sistema educativo.

Mario Monti afirmou que novos sacrifícios deverão ser feitos, mas de maneira equilibrada, para que sejam mais aceitos pela população. Ele anunciou que também pretende reformar o sistema de aposentadorias, um dos mais sólidos da Europa, para combater o que considera “privilégios injustificados”, como a aposentadoria em qualquer idade após 40 anos de contribuição.

Depois da vitória de hoje, nesta sexta-feira Mario Monti deverá obter facilmente o voto de confiança da Câmara dos Deputados. A estimativa é a conquista de 550 votos de um total de 630 deputados.

Depois de passar pelos voto de confiança dos parlamentares, o primeiro-ministro italiano deverá iniciar uma turnê europeia por Bruxelas, Paris, Berlim e Londres.

 

 

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Tony Gentile

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