Gato e Chivukuvuku fora da corrida à liderança da UNITA

Paulo Lukamba (Gato)
Paulo Lukamba (Gato)

Abel Chivukuvuku e Paulo Lukamba (Gato) dois “pesos pesados” da UNITA que em 2003 e 2007, respectivamente, perderam para Isaías Samakuva na corrida presidencial desta força política, não concorrerão mais para o cadeirão mais alto deste partido no Congresso marcado para Dezembro deste ano, apurou O PAÍS de fonte próxima do comité preparatório deste conclave.

O primeiro, segundo a fonte, “ terá praticamente estabelecido um vínculo com o Bloco Democrático (BD) de Justino de Pinto de Andrade, segundo fonte a ele ligada, aguardando apenas pela sua confirmação pública, enquanto Gato alega indisponibilidade de tempo para dirigir o partido”.

Chivukuvuku e Gato foram copiosamente derrotados por Samakuva nos dois conclaves já realizados após a morte de Savimbi, os quais permitiram a conversão institucional deste antigo movimento rebelde em partido político clássico. Abel Chivukuvuku, que sempre aspirou a liderança da UNITA, segundo a fonte, terá sido convidado pelo BD para integrar este partido, sendo possivelmente o “ cabeça de lista” desta nova força política para as eleições de 2012.

Já Lukamba Gato, segundo ainda a fonte, manifestou publicamente a ideia de não concorrer à liderança do partido enquanto não consolidar a sua veia empresarial, que desenvolve há mais de sete anos. “ Ele está ligado a um forte grupo empresarial, tem uma empresa de construção civil, juntamente com Marcial Dachala e, no ano passado, numa das reuniões do Comité Permanente da Comissão Política (CPCP), órgão supremo do partido, disse que não iria mais concorrer à liderança da UNITA, sem que esteja equilibrado financeiramente”.

A fonte reforçou que a intenção de Abel Chivukuvuku em não mais se recandidatar no próximo Congresso tem a ver com alegadas divergências com o actual líder do partido e alguns membros influentes da CPCP. No entender da fonte deste jornal, Abel sempre advogou para si próprio um tratamento diferente em relação aos demais membros que constituem o “ núcleo duro” desta formação política, fundada em Março de 1966.

“Ele sempre defendeu que tivesse um tratamento diferente em relação aos outros membros que compõem a Comissão Política do Comité Permanente, o que tem estado a suscitar reacções muito negativas no seio de outros membros”, revelou, argumentando que em surdina alega ter sido indicado pelo falecido Jonas Savimbi como sucessor, o que, segundo a fonte, não corresponde com a verdade.

“O velho Jonas, enquanto em vida, nunca tinha dito que estivesse a preparar o seu sucessor, seja o companheiro Abel ou um outro membro que lhe era próximo”, afirmou a fonte.

Não temos nada em Comum

Entretanto, um alto dirigente do Bloco Democrático disse a O PAÍS serem falsas as informações de vinculação de Chivukuvuku. “Temos gente que não o aceitaria e ele não nos traria ganho algum. Fragilizaria a UNITA e a Oposição e não tiraria votos ao MPLA, poderia era fazer-nos perder alguns votos. O BD tem as suas próprias figuras, não se apresentaria com alguém que o leitorado visse como obsecado pela presidência. Há outras formas de estar na política e nos partidos que não tem que ser forçosamente a busca da presidência, não temos nada em comum”, rematou a fonte.

Candidaturas oficiais

Só a partir do dia 25 do corrente é que serão apresentadas as candidaturas oficiais dos que pretenderão concorrer ao cadeirão máximo da direcção da UNITA. Por enquanto, baseandose nas declarações da fonte, o único candidato assumido publicamente é o actual líder da UNITA, Isaías Samakuva, que, em reiteradas ocasiões, manifestou publicamente concorrer à sua própria sucessão, embora haja, entre os militantes, contestações sobre isso, já que os estatutos deste partido são omissos, Samakuva vive um dilema de objecções no que tange a sua recandidatura à direcção da UNITA, havendo mesmo vozes dentro da direcção da CPCP que se opõem à sua pretensão de concorrer a um terceiro mandato. Fontes próximas a Samakuva alegam que ele pretende continuar a liderar o partido na tentativa de reconquistar os lugares perdidos no Parlamento, “e só depois é que pensará retirar-se da liderança e da política activa para dedicar-se à família que vive em Londres”.

“Ele tem um peso de consciência que durante os seus mandatos o partido está a viver graves problemas e não pode deixa-lo assim até que sejam resolvidos“, confidenciou a fonte, adiantando que o líder da UNITA não tenciona continuar na liderança, mas tão somente dirigir mais um mandato para colocar esta força política no seu “devido lugar e lhe devolver a mística que lhe é característica”, ressaltou a fonte, um dos colaboradores de Samakuva.

Preparação do Congresso

– Foi anunciada esta semana a composição da comissão encarregue de organizar o XI Congresso a realizar-se entre os dias 13 e 16 de Dezembro, convocada a 6 de Outubro pelo seu líder, Isaías Samakuva. Sob o lema “ Unir Angola para a Mudança” a mesma é liderada pelo vice-presidente Ernesto Mulato e integrada ainda por Kamalata Numa, Adalberto da Costa Júnior, Gabriel Samy, Sakala Simões e Sabino Sakutala, respectivamente.

As conferências provinciais, que servirão para escolher os delegados ao Congresso realizamse de 14 a 30 de Novembro. O anúncio feito em conferência de imprensa esta semana, em Luanda, ressalta o reaparecimento de João Baptista Tchindandi (Black Power), antigo governador do Kuando Kubango, durante o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN). Com o fim do GURN, Tchindandi havia congelado a sua actividade política activa, segundo informações apuradas por este jornal.

Irineu Mujoco
Fonte: O Pais
Foto: O Pais

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