Festa em Cacula com os Muhamba

Delegação governamental esteve em Cacula e visitou várias infra-estruturas do novo município da Huíla
Delegação governamental esteve em Cacula e visitou várias infra-estruturas do novo município da Huíla

Nanda Joaquim, integrante do grupo de dança tradicional Muhamba, abriu a festa que mobilizou os 77 mil habitantes habitantes de Cacula, que agora é um município. Os 30 membros do grupo vieram de Viamba até à nova sede municipal para dar mais vida, ritmo e cor ao programa de comemorações.
Os trajes tradicionais ajudaram a realçar os movimentos dos ritmos Onkhili, Vinjomba, Kaunjanguela, Wangawanga e Topholo, dançados durante a recepção à delegação oficial, que selou a elevação de Cacula à categoria de município.
Estudantes de vários níveis de ensino, professores, autoridades tradicionais, líderes religiosos, magistrados, representantes dos partidos políticos e membros da sociedade civil todos compareceram para assistir ao momento ímpar na vida da comunidade.
Cacula deixou de ser uma simples localidade da Huíla e é agora um município com autonomia financeira e administrativa. As autoridades locais têm pela frente grandes desafios. O mais importante é executarem os projectos que vão melhorar a vida das populações no seu dia a dia.
“Hoje é dia de festa. A luta para que Cacula seja um município é antiga. A 26 de Julho de 2011 a Assembleia Nacional aprovou e a localidade de Cacula e os territórios anexos como município da província da Huíla”, afirmou o governador provincial, Isaac dos Anjos, no acto político.
Isaac dos Anjos no seu discurso referiu que o município tem uma riqueza climática extraordinária e por isso os camponeses podem desenvolver culturas de montanha e de vale. “Os produtos agro-pecuários oferecidos durante a cerimónia espelham o que é possível produzir em Cacula. Milho, massamba, massango, feijão, jinguba, hortícolas e a cana-de-açúcar. Cacula tem, também, excelentes condições para a criação de gado bovino e caprino. Estes são alguns exemplos da riqueza deste município”, disse o governador da Huíla.
Na mensagem dos sobas, proferida pelo chefe da aldeia da Cave, Augusto Mango, foi recordada que até agora, os cidadãos percorriam longas distâncias até Quilengues ou Lubango, para tratarem dos seus documentos. “Felizmente hoje, graças ao governo, foi possível elevar Cacula a município e muitos processos podem ser tratados aqui. Isto significa que o Executivo está sempre atento aos problemas do povo”, disse o soba Augusto Mango.

Recursos financeiros

O representante das autoridades tradicionais disse ainda que a Administração Municipal de Cacula vai dispor de mais recursos financeiros para resolver os problemas relacionados com as sementes, charruas e gado de tracção. “Também temos agora condições para melhorar as vias e promover a educação e a saúde.

Juventude mobilizada

Os jovens também manifestaram o seu contentamento por Cacula ser agora um município com autonomia financeira. “Quem espera sempre alcança”, disse, emocionado, Fernando Avelino, do Conselho Municipal da Juventude, que acrescentou: “finalmente alcançámos o que todos esperávamos. A Administração Municipal tem todas as condições para desenvolver projectos que vão mudar as nossas vidas para melhor”.
O representante do Conselho da Juventude de Cacula referiu que a determinação e o esforço pessoal do governador da Huíla contribuíram para “a realização do sonho antigo” do povo, disse Fernando Avelino, que manifestou a disposição da juventude local para participar nas tarefas de desenvolvimento do recém-nascido município da Huíla. “Temos muitos desafios pela frente e só podem ser ultrapassados com o empenho de todos e a acção directa dos jovens”, concluiu Fernando Avelino.

Centro de Formação pode receber alunos

O governador Isaac dos Anjos destacou as infra-estruturas em construção na sede do município para o sector da educação, da saúde, da justiça, centros de formação profissional, habitação social e para os serviços administrativos: “estes são passos importantes para dotar o novo município com tudo o que é necessário para o desenvolvimento social e económico.
A limitação de infra-estruturas administrativas e sociais em Cacula, lembrou Isaac dos Anjos, era uma das razões que impedia a ascensão da comuna a município. Agora esse problema está ultrapassado e o governador da Huíla prometeu a conclusão do edifício da Administração Municipal no mês de Junho do próximo ano.
Os munícipes assistem às obras de construção de bairro social da juventude, com 60 casas, residências para juízes, médicos e professores e ainda às novas escolas. O centro de formação profissional está pronto a receber jovens interessados em frequentar cursos de serralharia, informática, electricidade, electrónica e mecânica. O crescimento de Cacula é imparável.

Escolas prontas

“As crianças de Cacula não querem mais estudar debaixo de árvores. Vamos construir mais escolas. É possível, porque somos capazes. Dentro de poucos dias vamos entregar as primeiras salas”, garantiu o governador Isaac dos Anjos. Anunciou também a construção de estradas secundárias e terceiras para ligar a sede do município às comunidades vizinhas, para facilitar a circulação de pessoas e bens, principalmente os investidores no sector da indústria, do comércio e do turismo.
“Podemos pensar também no desenvolvimento e prospecção mineira, porque Cacula tem recursos naturais importantes”, frisou o governador da Huíla.

Novos equipamentos

Aurélio Firmino, administrador municipal, prometeu construir infra-estruturas para o reforço do poder local como as sedes das administrações comunais, residências, esquadras policiais, Palácio da Justiça e Repartição Fiscal.
O administrador quer que o novo município preste um serviço eficaz em termos de fiscalização, visando incrementar a contribuição do Município no Orçamento Geral do Estado (OGE). O objectivo, como disse, “é refinar os mecanismos de comparticipação dos beneficiários e utentes dos diferentes serviços, como forma de aumentar a responsabilização e ao mesmo tempo aliviar o esforço sobre os recursos financeiros do Estado”.

Estratégia nacional

O administrador disse que a elevação de Cacula a Município abre boas perspectivas à população local. Aurélio Firmino disse que o desenvolvimento de Cacula passa pelo seu enquadramento na Estratégia Nacional Angola’2025, cujo objectivo fulcral é a manutenção da paz e a coesão social. Acrescentou que até 2025, as autoridades vão resposta à insuficiência da rede fundamental de infra-estruturas e prestar apoio eficaz às instituições locais.
“A estratégia contempla também a construção de um centro térmico de produção de energia eléctrica na sede municipal e outros em cada sede comunal, incluindo povoações com grande concentração populacional”, disse o administrador.
Está igualmente prevista uma linha de transporte de energia eléctrica, proveniente da barragem hidroeléctrica da Matala, a partir do município de Quipungo, para permitir abastecer de energia eléctrica as restantes comunas. Aumentar a disponibilidade de água potável, privilegiando sobretudo a edificação de sistemas de captação e tratamento, reabilitar as redes de distribuição e os bebedouros de gado, edificar um cemitério municipal e outros em cada sede comunal, constam do plano de desenvolvimento de Cacula.

Produção Agropecuária

Aurélio Firmino disse que a administração de Cacula vai aumentar a produção agro-pecuárias, por via do incremento do acesso ao crédito e propiciar o aproveitamento dos recursos hídricos, através de pequenos açudes, para desenvolver a agricultura.
O governador Isaac dos Anjos incentivou os camponeses a apostarem na cultura do café, porque é uma das grandes possibilidades de desenvolvimento, pelo facto deste produto ser de exportação.

Percurso histórico

Cacula, com mais de 3.447 quilómetros quadrados pertencia até agira ao município do Lubango, com a categoria de comuna. Em finais de 1988, a antiga Assembleia Popular Provincial da Huíla propôs à Assembleia do Povo, que Cacula ascendesse à categoria de município.
O argumento defendido era aproximar a Administração do Estado às populações e tornar mais célere a solução dos problemas sociais. No dia 27 de Março de 1990, as populações de Cacula tomaram conhecimento de que estavam a ser dados passos para a criação do município, em cerimónia que serviu igualmente para apresentar o administrador municipal.
O administrador de Cacula, Aurélio dos Santos Firmino, explicou que o processo não ficou concluído pela então Assembleia do Povo. A desanexação de Cacula do município do Lubango aconteceu mais tarde com acréscimo de algumas parcelas pertencentes aos municípios de Quilengues, Caluquembe e Quipungo.
Durante 20 anos, Cacula dependeu do Governo Provincial da Huíla em termos financeiros e orçamentais. “Neste período, a Administração procurou responder aos objectivos para os quais foi criada, dando primazia à protecção da vida humana, através de acções de defesa, segurança, assistência alimentar e sanitária”, disse Aurélio Firmino.
O administrador de Cacula recebeu uma Bíblia Sagrada, oferecida pelos membros da Comissão das Igrejas para Eventos Nãos Ecuménicos,  após a bênção de consagração do Município.

 

Domingos Mucuta| Cacula

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Domingos Mucuta

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