Egito vive segundo dia de confrontos violentos

Manifestantes e policiais se enfrentaram durante todo o fim de semana no Cairo.
Manifestantes e policiais se enfrentaram durante todo o fim de semana no Cairo.

Pelo menos três pessoas morreram neste domingo, 20 de novembro, no Cairo, durante confrontos entre a polícia e manifestantes que pedem a saída dos militares do poder. A violência das forças de ordem fez duas vítimas fatais no sábado e outras cidades, como Alexandria, também registraram tensões. Os protestos acontecem a uma semana das primeiras eleições legislativas organizados no Egito desde a queda do presidente Hosni Mubarak.

A praça Tahrir, símbolo da contestação popular que resultou na queda do presidente egípcio, se tornou um verdadeiro campo de batalha na noite deste domingo, onde manifestantes protestam contra a presença dos militares no governo de transição e pedem o julgamento e a prisão dos policiais e dirigentes responsáveis pelos atos violentos durante a revolução de fevereiro. Vários protestos também foram registrados na região do canal de Suez e em Alexandria.

Pelo menos três pessoas morreram durante os confrontos no Cairo. As vítimas teriam morrido asfixiadas pelas bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia. Duas outras pessoas morreram nos protestos no sábado. Durante todo o fim de semana os egípcios revidaram os ataques com coquetéis molotov e pedras. Pelo menos 55 pessoas foram presas. Diante da situação, o governo de transição do primeiro-ministro Essam Charaf organizou uma reunião de crise na tarde de domingo, antes de se encontrar com o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que dirige o país há mais de nove meses.

Os protestos acontecem uma semana antes das primeiras eleições legislativas organizadas no Egito desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro. Os responsáveis do CSFA garantiram que as eleições serão realizadas como previsto.

A comunidade internacional já se exprimiu sobre a retomada da violência. Os ministros das Relações Exteriores da Itália, Giulio Terzi di Sant’Agata, e da Alemanha, Guido Westerwelle, se disseram “profundamente preocupados” e pediram o fim dos confrontos.

 

Silvano Mendes

Fonte: RFI

Foto: Reuters

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