Discutida partilha de poder

Islamitas e principais partidos de esquerda estão em maratona negocial há vários dias
Islamitas e principais partidos de esquerda estão em maratona negocial há vários dias

Os tunisinos intensificaram neste fim-de-semana as discussões para a formação de um Governo de União Nacional, entre islamitas e os principais partidos de esquerda, ao mesmo tempo que a calma parecia regressar a Sidi Buzid, berço da revolução, onde foi instaurado o toque de recolher obrigatório, noticiou ontem a agência AFP.
Na tarde de quinta-feira, as manifestações em Sidi Bouziz, onde a morte de um vendedor ambulante em Dezembro de 2010 fez arrancar a insurreição popular, coincidiram com o anúncio da vitória do grupo Ennahda nas eleições para a Assembleia Constituinte.
Milhares de manifestantes chegaram a atacar prédios administrativos (incluindo os do governo local, o tribunal e a sede do Ennahda), segundo o correspondente da AFP, no meio de saques e vandalismo generalizado.
No sábado, o grande mercado da cidade abriu as suas portas e trabalhadores do município limpavam os edifícios públicos saqueados pelos manifestantes.
Poucos blindados ainda podiam ser vistos nas imediações do governo local, segundo a AFP.  De acordo com uma fonte da polícia, “não houve qualquer incidente à noite durante o toque de recolher, entre as 19h00 e as 05h00” de ontem.
Um porta-voz do Ministério do Interior da Tunísia afirmou que o toque de recolher obrigatório vai ser mantido.
Rached Ghannouchi, líder do partido islamita Ennahda, vencedor das eleições de 23 de Outubro, pediu na sexta-feira calma aos habitantes de Sidi Buzid.

Em declarações à televisão, Hechmi Haamdi, um rico empresário tunisino residente na capital britânica Londres e que venceu na circunscrição de Sidi Buzid, pediu também o fim dos protestos na sua região natal.
Vários partidos participara na votação, considerada histórica no país em quase duas décadas.
A comissão eleitoral tinha invalidado seis assembleias na cidade, o que constituiu uma das causas dos distúrbios em Sidi Buzid.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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