Direita favorita nas legislativas

Mariano Rajoy líder do Partido Popular afirma estar preparado para chefiar o Executivo e fazer aquilo que a Espanha precisa Fotografia: AFP
Mariano Rajoy líder do Partido Popular afirma estar preparado para chefiar o Executivo e fazer aquilo que a Espanha precisa Fotografia: AFP

Pelo menos 36 milhões de espanhóis vão hoje às urnas para eleger 350 deputados e 208 senadores. Além dos dois grandes partidos, outras 20 formações políticas regionais e nacionais apresentam-se na corrida.
A direita espanhola é a grande favorita nas eleições dnum país pressionado pelos mercados e com uma economia castigada pela alta taxa de desemprego.
As últimas sondagens confirmam uma ampla maioria para o Partido Popular (PP, direita) de Mariano Rajoy, que está prestes a ser o próximo chefe do Governo espanhol. Após duas derrotas, em 2004 e 2008, o PP deve superar o castigado Partido Socialista Trabalhador Espanhol (PSOE).
Rajoy, de 56 anos, optou por colocar um ponto final na sua campanha com uma reunião  realizada ontem em Madrid, onde foi ovacionado por 20.000 apoiantes numa sala literalmente inundada por milhares de bandeiras azuis do seu partido.
“Mudemos juntos a Espanha”, afirmou o líder convervador, afirmando estar “preparado para ser o presidente do Governo de todos os espanhóis”.
O candidato socialista e ex-número dois do Governo, Alfredo Pérez Rubalcaba, de 60 anos, escolheu encerrar na capital o périplo eleitoral que durante duas semanas o levou a percorrer dezenas de cidades espanholas numa tentativa de reduzir a enorme distância que o separa de Rajoy.
Mas Rubalcaba não consegue reverter a tendência de voto, que já  a Espanha possui quase cinco milhões de desempregados e enfrenta a aplicação de duras medidas de austeridade pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero.

Congelamento das pensões, aumento da idade de reforma de 65 para 67 anos, redução de cinco por cento nos salários dos funcionários públicos e aumento da carga tributária, foram algumas das medidas de ajuste que prejudicaram a imagem dos socialistas.
“Esta crise devora quem governa, sejam eles de direita ou esquerda”, afirmou o professor de Ciências Políticas Antón Lossada, da Universidade de Santiago de Compostela. Para ele, “a crise simplesmente afundou o Partido Socialista”. As pesquisas mais recentes indicam que o PP pode eleger entre 192 e 198 candidatos, número muito superior aos 176 deputados que marcam a maioria absoluta no Congresso, a Câmara Baixa do Parlamento espanhol.
Para os socialistas esta pode ser a pior derrota desde o retorno da democracia com a eleição de apenas 112 candidatos.


Ataque dos mercados

Relutante ao falar sobre as medidas que vai tomar, caso chegue ao poder, Rajoy adverte: “a minha prioridade são as pensões de reforma. A partir daí, tudo vai ter que ser cortado”. Mas também pediu uma trégua aos mercados, que na sexta-feira voltaram a pressionar a Espanha.  “Acreditamos ser muito provável, que logo na próxima semana, o novo governo que vencer nas urnas anuncie um pacote de reformas destinadas a recuperar a credibilidade da economia”, escreveram os analistas do banco Bankinter.
Estes analistas afirmam que as medidas devem ser dirigidas para uma “reforma laboral, reforma fiscal e saneamento definitivo do sistema financeiro”, já iniciado pelo governo socialista com a redução das poupanças, elo mais fraco do sistema financeiro espanhol.
Contudo, as medidas para tranquilizar os mercados, podem enfurecer ainda mais os espanhóis, já indignados com os cortes de algumas regiões na educação e saúde. Na sexta-feira vários protestos aconteceram em todo o país.

 

Fonte: JA

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