Ler Agora:
Custos no sector continuam fixos
Artigo completo 7 minutos de leitura

Custos no sector continuam fixos

Estimativas apontam para um milhão de usuários de Internet no país e com a criação de infra-estruturas os números podem crescer

A instalação do Comité de Preços das Telecomunicações em 2004 faz com que os valores ou custos dos serviços se mantenham até agora estáveis. Por exemplo, a indexação do UTT no valor em kwanzas não aumentou, disse o vice-ministro das Telecomunicações, Aristides Safeca, na Tertúlias do Sol, evento organizado pelo jornal com o mesmo nome. “O país investiu muito neste sentido, colocando fibra óptica em todo o país e interligando as capitais”, afirmou Aristides Safeca.
A Tertúlias do Sol debruçou-se fundamentalmente sobre o tema “A Internet e a Produtividade das Empresas”. Entre velocidade e muitas falhas, a Internet assegura o sucesso da produtividade de muitas empresas emLuanda. O mesmo não se pode dizer das restantes províncias, onde as empresas registam mais “down time” (baixos rendimento) do sinal.
“Hoje os equipamentos são mais autónomos e é necessário que se tenha muito cuidado. Para não se pensar que se está a ser enganado. Os aparelhos de telefone 3G, quando instalados neles a Internet, fazem o ‘refresh’ automaticamente de tempos a tempos. Se a Net permanecer ligada, esgota, não raro, os UTT disponíveis.”
A respeito dos problemas com a Internet no país, o vice-ministro das Telecomunicações, Aristides Safeca, disse que o Executivo criou infra-estruturas de base com investimentos específicos para mitigar as dificuldades que o sector das telecomunicações vive ainda.
Numa altura em que o país conta com os cabos submarinos SAT 3 e o WACS, geridos pela Angola Cables, além da ligação por satélite, Aristides Safeca garante melhorias para os próximos anos.
Em relação ao SAT 3, Angola tem uma fatia de três por cento, o que faz com que o país não tenha uma palavra a dizer na tomada de decisões. O viável era ter nesta plataforma uma fatia de 14 por cento.

Velocidade da Internet

Há uma clara tentativa das operadoras de telefonia móvel oferecerem cada vez mais serviços de Internet, em telefones ou através de placas. Mas o grande problema está na velocidade desigual entre as diferentes regiões do país.
“As coisas têm melhorado muito nos últimos anos em Luanda. Há um investimento necessário para melhorar a velocidade da Internet no país, numa altura em que todas as províncias estão dotadas de tecnologia 3G, com excepção do Uíge, Zaire e Namibe”, afirmou Nuno Ribeiro, representante de grandes clientes da Unitel.
Nuno Ribeiro garantiu que está a ser vista a possibilidade de os telemóveis com tecnologia 3G virem a ter em breve uma velocidade de 20 megabites, uma questão que começa com a instalação de sites nos diversos municípios de Luanda.
Nuno Ribeiro disse que o mais importante neste momento vai ser continuar a dotar as províncias e municípios com tecnologia 3G. No caso de Luanda, estão a fazer um “diployment” até 20 megabites. “Já existe um conjunto de sites em Luanda mas os equipamentos são fundamentais”, referiu.
Os problemas nas telecomunicações, principalmente nas províncias do interior, têm a ver com os meios de transmissão e transporte. “Para fazer chegar e instalar os sites nos locais mais remotos é fundamental que existam infra-estruturas de suporte. O que se passa é que muita gente pede cobertura telefónica onde não existe energia”, sublinhou Nuno Ribeiro, anunciando que a Unitel tem projectos em curso para a ampliação dos seus serviços de Internet em todas as províncias, através de infra-estruturas que permitam levar a Internet com a velocidade aceitável.
As empresas nacionais que pretendam desenvolver projectos de comércio electrónico nas outras províncias debatem-se com imensa dificuldade, pois as condições não permitem atingir as exigências dos parceiros internacionais.

Usuários de Internet

Com uma estimativa a apontar para um milhão de usuários de Internet em Angola, o vice-ministro das Telecomunicações, Aristides Safeca, disse que os problemas das telecomunicações encontram justificação em dois aspectos.
O primeiro tem a ver com a procura e o segundo com a disponibilidade que as infra-estruturas têm para dar resposta a esta procura. “Temos uma procura de oito milhões de usuários numa infra-estrutura que tem menos de cinco anos e está em fase de estabilização e investimento.
É verdade que muitas empresas querem, por via da criatividade, trazer as melhores práticas e serviços. Mas é preciso que compreendam que as infra-estruturas ainda não têm capacidade de resposta”, lembrou o vice-ministro.

Transparência

Aristides Safeca disse que a questão da transparência no sector das telecomunicações assume-se com alguma relatividade. “Se se quer ir para a bolsa, então é justificável a publicação das contas”, afirmou. Aristides Safeca sustentou que é preciso que as empresas tenham uma contabilidade realista e idoneidade para estar cotada em bolsa, mas não existe ainda um mercado de capitais.
Relativamente ao modo como as operadoras deve funcionar, o vice-ministro disse que Angola optou por uma estrutura em que o órgão regulador dispõe de um conjunto de condições disponíveis e necessárias para o operador dentro de um limite no qual o operador pode estruturar os preços desde que não ultrapasse os limites estabelecidos.

Avaliação dos preços

Sobre a questão dos preços, o vice-ministro anunciou que o Executivo vai recomendar para o primeiro trimestre do próximo ano uma avaliação independente dos preços no mercado para se ter certeza da real situação dos preços nas telecomunicações no país.  Desse ponto de vista, as coisas melhoraram muito nos últimos anos. Em face disso, o responsável lembrou os tempos em que eram utilizados o sistema de Discagem Directa Internacional (DDI).
Se em 2001, altura em que começava a caracterização do mercado das TIC, havia 45 mil usuários dos serviços de telecomunicações, hoje contam-se quase oito milhões de utilizadores. Perante esse crescimento tem de se estruturar o mercado, criando legislação para que os “players” operem no âmbito da regulamentação estabelecida.
Em 1996, Angola era o país mais atrasado em telecomunicações. “Não tínhamos telecomunicações a não ser em Luanda. Este ano, dentro de três semanas, vamos colocar comunicações móveis no último município do país”, realçou o vice-ministro. “Ide às províncias e façam uma comparação. Não há povo que se desenvolva sem sacrifícios. Falo  de Portugal, que agora tem de fazer sacrifícios para voltar ao desenvolvimento.”
O vice-ministro reconheceu que empresas como a Unitel e a Movicel expandiram-se e a população ganhou com isso. “Não podemos ver as coisas apenas numa fresta. Temos de vê-las no sentido global”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de entrar no mercado um novo operador de telefonia móvel, o dirigente afirmou que a tendência é que Angola venha a optar por uma licença grupal, como consta no Livro Branco das Telecomunicações em Angola. “Mas as empresas Movicel, Unitel, Angola Telecom e MS Telecom têm licenças exclusivas”, sublinhou.
O Executivo, por intermédio da Angola Telecom e quatro empresas privadas do sector de telecomunicações, formalizou recentemente a criação de um consórcio denominado “Angola Cable” destinado a construir e gerir a rede de cabo submarino de fibra óptica. O consórcio tem um capital social avaliado em cinco milhões de dólares. A Angola Telecom detém 51 por cento do projecto e os restantes 49 por cento estão repartidos pelas empresas privadas Mundo Startel, Unitel, Mercury e Movicel.

João Dias

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Francisco Bernardo



 

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos com são obrigatórios *

Input your search keywords and press Enter.
Translate »