Criado programa para dinamizar o comércio rural

Agricultores têm recebido vários apoios para aumentarem a produção no âmbito do programa de combate à pobreza
Agricultores têm recebido vários apoios para aumentarem a produção no âmbito do programa de combate à pobreza

O governo do Kwan­za-Sul vai, a partir deste ano agrícola, pôr em funcionamento, em todos os municípios, o comércio rural, com o objectivo de absorver toda a produção dos camponeses, anunciou segunda-feira o vice-governador, Neto Sakongo.
Com a medida, o governo pretende evitar a deterioração dos produtos agrícolas e encontrar mecanismos que permitam a sua evacuação para os principais mercados do país, disse Neto Sakongo durante um encontro com as autoridades tradicionais, associações e cooperativas agrícolas, na vila da Quilenda, que marcou a abertura do ano agrícola 2011/2012.
Os Ministérios do Comércio e da Agricultura, acrescentou, estão a estudar mecanismos para a criação de armazéns e a seleccionar comerciantes com capacidade reconhecida para comprar os produtos agrícolas e encaminhá-los a outras áreas.
O vice-governador instou os camponeses a aumentar os níveis de produção, para a erradicação da fome e redução da pobreza.
Neto Sakongo acrescentou que, numa primeira fase, os municípios da Conda, Ebo, Cela e Kassongue são contemplados com viaturas para apoiar os técnicos que vão auxiliar os camponeses.
O responsável garantiu que os camponeses da Quilenda vão ter acesso ao crédito rural e, para o efeito, técnicos do Banco Sol vão à Quilenda em breve para, em conjunto com a administração local, traçar metodologias e seleccionar os camponeses a beneficiar.
Na abertura do ano agrícola 2011­/­2012, os camponeses de diversas associações e cooperativas agrícolas da Quilenda solicitaram a cedência de crédito bancário para desenvolverem a sua actividade e transportes para evacuar os produtos do campo para os principais mercados da cidade e arredores.

Os agricultores avançam que na campanha anterior enfrentaram dificuldades enormes, devido à ausência de mercado para assegurar a compra dos produtos do campo, bem como a fraca intervenção da empresa Mecanagro na preparação de terras e falta de um complexo de transformação e conservação dos produtos.
O município da Quilenda conta com 120 associações de camponeses, com mais de três mil membros e seis cooperativas. No âmbito do crédito rural, das 82 associações seleccionadas apenas 11 foram contempladas. Um documento do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário, a que o Jornal de Angola teve acesso, refere que a campanha agrícola 2010/2011 envolveu 127.848 famílias camponesas e 1.067 pequenos agricultores, em 1.277 aldeias.
No âmbito do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural foram assistidos 160.622 camponeses, enquanto o processo do crédito de campanha totalizou mais de 859 milhões de kwanzas.
Foi cultivada uma área de 642 mil  hectares e colhidas 167.083 toneladas de milho, 811.619 de mandioca, 26 mil de batata-doce, 53.620 de amendoim, 18.772 toneladas de feijão comum, entre outras culturas predominantes na região.
Para o presente ano agrícola, prevê-se em toda a província a preparação de cerca de 330 mil hectares nos sectores camponês e empresarial.

Manuel Tomás | Quilenda

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

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