Contatos para composição do novo governo vão começar em breve, diz premiê grego

O primeiro-ministro Georges Papandreou no Parlamento, em 4 de novembro de 2011.
O primeiro-ministro Georges Papandreou no Parlamento, em 4 de novembro de 2011.

Depois de obter o voto de confiança do Parlamento na noite de sexta para sábado, o primeiro-ministro grego George Papandreous reuniu-se neste sábado com o presidente Carolos Papoulia. Os dois líderes iniciaram as negociações para a formação de um novo governo de coalizão, que não deverá ser dirigido pelo premiê, encarregado da execução do segundo plano de ajuda à Grécia, votado pelos membros da zona do euro na semana passada em Bruxelas

Segundo o premiê, os contatos para a composição do governo serão iniciados em breve e a ausência de um consenso “poderia levar os outros países da zona do euro a duvidar da vontade do país de continuar no bloco.”  Ele reafirmou que a formação de um governo era primordial para assegurar a adoção do plano europeu. “A aplicação deste acordo é fundamental para que continuemos na zona do euro”, acrescentou. O premiê grego obteve o voto de confiança do Parlamento por 153 votos contra 145, na noite desta sexta-feira, e declarou que estava pronto para deixar o cargo. O acordo prevê a formação de um governo provisório no país, mas descarta a realização de novas eleições, que poderia mergulhar o país e o bloco europeu na recessão.

Uma vitória apertada, que possibilitará a análise e a aprovação do orçamento de 2012 e de diversas leis necessárias à aplicação do plano europeu de ajuda ao país. O pacote prevê empréstimos de 130 bilhões de euros até 2104, além do perdão de 50% da dívida pelos credores privados. Em caso de novas eleições, o processo legislativo seria interrompido e a falência do estado grego era dada como certa, com consequências catastróficas para a economia europeia e mundial.

De acordo com o ministro das finanças, Evangelos Vinezélos, o mais cotado para assumir o governo provisório, a coalizão deve ficar no poder até fevereiro, e terá a responsabilidade de preservar a credibilidade internacional e assegurar a recapitalização dos bancos gregos, através a liberação de 30 bilhões de euros. Além disso, seus membros deverão revisar o programa de ajustes de orçamento, que geraram violentas manifestações nas ruas do país, e concluir as negociações sobre a participação do setor privado na redução da dívida grega.

Novas dissidências

O líder da oposição grega, Antonis Samaras,voltou a pedir neste sábado a realização de eleições antecipadas.De acordo com o líder do partido Nova Democracia, o segundo maior do país, “as eleições são a única solução.” Na quarta-feira, Samaras tinha declarado seu apoio ao governo socialista e ao segundo plano europeu de ajuda à Grécia , mas exigindo, em contrapartida, a saída de Papandreou e a organização de eleições antecipadas.

A decisão de premiê de organizar um referendo para submeter a aprovação do segundo plano de ajuda à Grécia à população, retirada três dias depois diante da pressão dos líderes europeus, revoltou alguns parlamentares, que acusaram Papandreou de colocar em risco a manutenção da Grécia na zona do euro, mesmo que, para isso, seria necessária uma modificação dos tratados europeus. Diante do impasse, o gabinete de Papandreou anunciou na quarta-feira que o governo seria submetido ao voto de confiança ocorrido nesta sexta-feira.

A próxima parcela do primeiro plano aprovado a favor da Grécia, em 2010, deve ser liberada até o dia 15 de dezembro, para que o país seja capaz de honrar o pagamento dos juros da sua dívida soberana e evitar a moratória.

 

Taíssa Stivanin

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Yiorgos Karahalis

 

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