Chefe da diplomacia da Turquia alerta para o risco de guerra civil

Os protestos anti-governamentais que assolam o país há quase um ano já provocaram milhares de mortes segundo as Nações Unidas
Os protestos anti-governamentais que assolam o país há quase um ano já provocaram milhares de mortes segundo as Nações Unidas

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu, advertiu ontem que existe o perigo de uma guerra civil na Síria, após meses de protestos contra o governo do Presidente Bashar al-Assad.
“Os desertores do Exército sírio estão a mobilizar-se e, portanto, há um risco de evolução para uma guerra civil”, alertou o chefe da diplomacia turca. “De momento é difícil falar de guerra civil, porque numa guerra civil combatem duas partes. Neste caso, são quase sempre civis que estão a ser atacados pelas forças de segurança. Mas existe o perigo de que isto se transforme em guerra civil”, afirmou.
Os confrontos entre desertores do Exército e as Forças Armadas sírias são cada vez mais intensos em várias regiões do país.
Pela primeira vez desde o início dos protestos, um centro de serviços de informação aérea nos arredores de Damasco foi atacado na quarta-feira com foguetes por soldados dissidentes. O líder dos desertores, o coronel Riad al-Assad, está refugiado na Turquia.
As declarações do governante turco foram repercutidos pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que disse na quinta-feira que o ataque dos desertores parecia um acto de guerra civil e reiterou o pedido do governo de Moscovo com vista à abertura de negociações com a oposição. “Assistimos a notícias na televisão indicando que uma nova força, o chamado Exército Livre da Síria, organizou um ataque contra um edifício do governo pertencente às forças armadas sírias. Isso já é completamente igual a uma verdadeira guerra civil”, disse Sergei Lavrov a jornalistas, após um encontro com o seu homólogo da Índia, S.M. Krishna, em Moscovo. Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 3.500 pessoas morreram desde o início da repressão do governo contra manifestantes, há oito meses.

Descartada intervenção

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse, por seu turno, que  se opõe a qualquer intervenção unilateral na Síria e acções desse tipo teriam de ter um mandato das Nações Unidas.
Em declarações durante uma entrevista em Ancara, na Turquia, ao lado do ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, Alain Juppé disse duvidar que a Síria vá responder positivamente a uma proposta de paz da Liga Árabe.  A França, a Grã-Bretanha e a Alemanha planeiam pedir ao Comité dos Direitos Humanos da Assembleia-geral da ONU a aprovação da resolução que condene a violência na Síria.

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Afp

 

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