Bibliotecas podem erradicar analfabetismo

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
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Palmira Tchipilica que falava ao Jornal O PAÍS, no quadro do recém terminado Colóquio sobre “Ciências Sociais e Dimensão Cultural do Desenvolvimento”, que decorreu de 25 a 26 deste na Faculdadde de Ciências Sociais, apontou as universidades como sendo uma das instituições a impulsionarem tal desiderato.A título de exemplo, referiu-se às bibliotecas dos séculos XII e XIII, da Idade Média, que por sua vez foram impulsionadas por sacerdotes e cléricos, que hoje têm umas das grandes bibliotecas do mundo no Vaticano.

Realçou que determinadas pessoas confundem as bibliotecas como simples estabelecimentos para guardar livros e por isso têm-nas em casa, mas desconhecem as regras do seu manuseamento.“Não é preciso comprar livros quando os temos. Quando não temos, uma vez ou outra ler um jornal faz muito bem ”, disse.

Recordou igualmente que a elevação do nível de consciência nacional, social e política indispensáveis à construção identitária do homem novo pela cidadania responsável, passam necessariamente pela conservação do conhecimento objectivo do meio físico e social do “espaço vital” e da produção material e moral dos valores endógenos e outros, através da capacidade criativa e especializada, na preservação da memória individual e colectiva, em que a escrita é uma componente obrigatória. Lembrou que a abordagem feita em torno da valorização das bibliotecas tradicionais e virtuais do mundo antigo ao contemporâneo insere-se na cultura das práticas bibliotecárias, que desde os tempos mais remotos aos nossos dias, têm contribuído para o estudo aprofundado do valor do documento nesse espaço de memória.

Destacar os bibliotecários do passado e do presente é aproximadamente a partir do momento em que a biblioteconomia passou a constituírse e a representarse como Ciência.

A docente que também fez parte do selecto grupo de prelectores no referido colóquio, rendeu singela homenagem a todos quantos, que de uma forma ou de outra, se preocuparam com a abordagem dessa disciplina de forma continuada e melhorada, desde os tempos mais recuados da nossa era, quando ainda se questionava sobre o destino dos documentos. Para Palmira Tchipilica, o valor do documento e o hábito de escrever, retratam o está dio civilizacional de um povo letrado, vencidos os momentos da modernidade em que parte da África negra era considerada de tribos sem escrita e por isso sem memória. A docente referiu de igual modo que a reabilitação das heranças culturais mais profundas da nossa identidade e o exorcismo paulatino e continuado dos males do obscurantismo foram-se tornando mais visíveis, quando no século XIX, em 1862-1863, ecoaram dos Estados Unidos da América.

Daí em diante, segundo a docente, o registo dos factos heróicos e das experiências dos emancipalilistas africanos, tornou-se num imperativo categórico, uma vez que era preciso escrever, para que na arena internacional, os confrontos de ideias através da argumentação, demolisse os senhores da filosofia moderna oitocentista, sobre as razões e o suporte dos acontecimentos, dos factos mais relevantes das emancipações e independências.

“Era preciso ter memória e dimensão humana digna nas propostas de mudanças culturais impostas e tempará-las com a inteligência de conhecimento de causa, não apenas de forma oral, mas escrevendo”, disse. Hoje, notáveis escritores começam a fazerse sentir no mercado do livro como reflexo da libertação dos medos e da submissão intelectual.

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Convidada a pronunciar-se sobre a importância das bibliotecas universitárias, Palmira Tchipilica afirmou que estas surgem na sequência do continuado trabalho escrito dos clérigos, homens da Igreja, nos primeiros momentos da vida das bibliotecas, cujo controle estava exclusivamente a cargo do prelado que dedicava ao apoio dos estudantes universitários leigos.

Estes, por sua vez, também se especializaram no latim erudito e na difícil e minuciosa tarefa de copistas que restauravam os manuscritos antigos e os conservavam contra o vandalismo.

Nesta óptica, segundo a docente, o século XII foi paradigmático na profissionalização dos copistas.

Tal situação durou até ao surgimento de um movimento cultural europeu denominado Renascimento. Antes desse movimento cultural, os reis e os imperadores mantiveram os seus acervos particulares em espaços por estes mandados construir ou reservar.

Assim, a crescente presença de estudantes universitários não ligados às ordens religiosas, houve que ampliar os conteúdos temáticos que foram além da religiosidade. Nesta óptica, em pleno renascimento surgiram os primeiros espaços de disseminação democrática da informação que aumentou a produção intelectual da escrita. Os livros ainda eram manuscritos pois as máquinas de imprimir não estavam ao alcance de todos. Essa realidade levou a que os estudantes do curso de letras tivessem no seu curriculo a disciplina de paleografia, para descodificar manuscritos antigos, muitos desses deixados inacabados. No que diz repeito a bibliotecas tradicionais, felizmente a África Subsaariana vai ficando recheada de bibliotecas tradicionais, de arrumação de colecções de livros com um ou mais responsáveis, mas com graande défice de formação específica, são os funcionários que mais se apresentam para essas funções.

Augusto Nunes
Fonte: O País
Foto: O País

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