Afeganistão reclama a soberania

Presidente do Afeganistão Hamid Karzai
Presidente do Afeganistão Hamid Karzai

O Afeganistão quer recuperar a soberania nacional o mais rápido possível, afirmou ontem o Presidente Hamid Karzai na grande assembleia tradicional (Loya Jirga) reunida em Cabul para debater o futuro das relações com os Estado Unidos, cujas forças militares ocupam o país.
“As relações entre Afeganistão e Estados Unidos, que mantêm 100.000 soldados no país, devem ser as de dois países independentes”, declarou Karzai para os 2.000 delegados da Loya Jirga.
O governo afegão negoceia actualmente uma associação estratégica com os Estados Unidos que deve definir as condições da presença americana no país após a retirada das tropas estrangeiras, prevista para o fim de 2014, e a eventual manutenção das bases americanas em território afegão.
“Queremos a nossa soberania e agora”, disse Karzai no discurso de abertura da assembleia tradicional que decorre no país.
“Se os Estados Unidos querem bases militares, nós autorizamos. Isso interessa-nos, recebemos dinheiro e as nossas forças são formadas”, completou. Entre as condições apresentadas por Karzai para esta aliança estratégica estão o fim de revistas das tropas americanas e da OTAN às casas particulares e o abandono total das operações gerais e nocturnas nas regiões.O chefe do Pentágono, Leon Panetta, defendeu a retirada das tropas americanas do Iraque no próximo mês, face às duras críticas de alguns legisladores, ao afirmarem que os Estados Unidos precisam de compreender que o Iraque é um Estado soberano. Durante uma tensa audiência na comissão de Defesa do Senado centrada na retirada das forças americanas do Iraque, Panetta afirmou que os Estados Unidos tentaram alcançar um acordo para manter um pequeno contingente de tropas no Iraque p após o fim do ano, mas as negociações chocaram com a questão da “imunidade legal” para os soldados americanos.
Em resposta ao republicano John McCain, que acusa o Presidente Barack Obama de abandonar o Iraque, Panetta disse que os Estados Unidos não podem simplesmente decidir o que querem sobre o Iraque.
“Eram negociações com um país soberano”, afirmou. “Não se tratava de que nós lhes disséssemos o que iríamos fazer”. Embora o governo iraquiano estivesse disposto a adoptar as protecções legais, os Estados Unidos exigiam que o Parlamento ratificasse as garantias, mas isso resultou ser muito difícil, explicou Panetta.

“Eu não ia ter as nossas tropas ali… sem as imunidades”, disse. Panetta referiu que o Iraque vai conseguir lidar com a questão da segurança e com a influência do Estado vizinho , o Irão.
O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Martin Dempsey, manifestou a sua preocupação pelo futuro do Iraque depois da retirada das tropas americanas.
“Antecipando-me à pergunta sobre se estou preocupado pelo futuro do Iraque, a resposta é sim”, disse Dempsey diante dos senadores, para acabar os equívocos.
Apesar disso, Dempsey disse estar de acordo com a decisão do Presidente Obama de retirar o total das tropas face à negativa do Iraque em oferecer imunidade legal às tropas americanas.

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Reuters

 

DEIXE UMA RESPOSTA