Adesão ao crédito aumentou no ano passado

Bancos angolanos concederam mais crédito no ano passado e aumentaram a capacidade de transformação dos depósitos de clientes
Bancos angolanos concederam mais crédito no ano passado e aumentaram a capacidade de transformação dos depósitos de clientes

À semelhança do que ocorreu nos anos anteriores em que os registos do crédito concedido foram positivos, no ano passado cresceu na ordem dos 17,8 por cento, afirma um relatório divulgado pela KPMG na terça-feira.
O estudo da empresa internacional de consultoria designado “Análise do sector bancário angolano”, nota, no entanto, que o crédito concedido pelos bancos angolanos registou uma taxa de crescimento inferior à de 2009.
A expressão que o sector bancário tem na economia (crédito concedido/PIB) é de 19,8, valor semelhante aos das outras economias assentes no petróleo, mas ainda aquém dos valores observados noutros países, refere o estudo, que diz também que a transformação de recursos dos clientes em crédito continuou a evoluir, fixando-se nos 53,6 por cento, apesar de ainda abaixo dos 100 por cento. “Esta evolução traduz-se num maior aproveitamento dos recursos captados, dirigindo-os para soluções de financiamento”.
Em relação ao crédito vencido, o estudo refere que se verificou em 2010 um crescimento em percentagem do crédito total em 79,6 por cento, situando-se o rácio do vencido sobre o total nos 5,1 por cento, enquanto que o produto bancário registou um crescimento de 24,2 por cento, justificado pelo forte incremento da margem financeira de 53,2 por cento. No plano da eficiência “cost-to-income”, os registos foram negativos, fixando-se em 49,7 por cento face aos 39,6 por cento de 2009, sendo que na base do resultado está a pressão dos custos operacionais, nomeadamente, custos com pessoal e abertura de balcões. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) continua muito atractiva e situa-se nos 30,3 por cento, embora o aumento dos custos de estrutura tenham apresentado uma ligeira redução em 2010.

Desafios do sector em Angola

O desenvolvimento do sistema financeiro angolano, que passa pelo aparecimento de novas instituições financeiras, a contínua tendência de adesão da população ao sistema bancário, a diversificação e alargamento da oferta de produtos e serviços, sugere novos desafios para este sector.
Em face disso, o estudo sugere ser fundamental a existência de uma estratégia adequada, uma regulamentação forte para o sector e a introdução de boas práticas internacionais. Face à evolução do sector, a KPMG partilha o seu entendimento em aspectos como, capturar potencial e crescimento do mercado, novos canais de distribuição e inovação financeira, reforço da regulamentação e supervisão, gestão de risco de crédito, surgimento da banca de investimento e do mercado de capitais, desafios fiscais para o sector financeiro.
Diante do crescimento do sector financeiro, o estudo aponta uma maior intensidade regulamentar e um reforço das práticas de supervisão, permitindo um alinhamento das instituições financeiras com os padrões internacionais e boas práticas de mercado.
Nesse sentido, indica a supervisão “prudencial” e comportamental, prevenção de branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo, além da normalização do plano contabilístico das instituições financeiras e a implementação da gestão de risco e capital. Terminais de pagamento.
Tem-se mantido um elevado ritmo de crescimento do investimento em infra-estruturas, sistemas e recursos humanos, como é o caso do reforço do sistema do pagamentos, através do aumento do número de terminais multicaixa, que cresceu cerca de 26 por cento, correspondendo a 1.250 ATMs. Os Terminais de Pagamento Móvel (TPA) cresceram em 60 por cento, o que representa 12.140 terminais. Aumento da rede de distribuição com a abertura de 150 novos balcões.

 

João Dias

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

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