Acordo do G20 baseia crescimento mundial em contribuição do Brasil, da China e da Alemanha

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, conversa com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi (à direita), momentos antes de uma reunião de ministros das Finanças do grupo na manhã desta sexta-feira.
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, conversa com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi (à direita), momentos antes de uma reunião de ministros das Finanças do grupo na manhã desta sexta-feira.

Segundo um projeto de declaração final do G20 obtido pela agência Reuters, países com excedente comercial como Brasil, China e Alemanha teriam aceito dar uma contribuição maior ao crescimento global reorientando suas economias para o mercado interno, limitando a acumulação de reservas internacionais em moedas estrangeiras.

As grandes economias do planeta voltaram a se reunir hoje, em Cannes, para o último dia da cúpula do G20, mas as atenções continuam voltadas para Atenas, onde o parlamento grego vota hoje uma moção de confiança no governo do primeiro-ministro George Papandreou.

Embora os debates continuem a ter como foco a crise política na Grécia e a crise econômica na zona do euro, os líderes mundiais também vão tentar avançar em pontos como a regulação do sistema financeiro, a volatilidade dos preços das matérias-primas e a luta contra os paraísos fiscais.

Alguns acordos já foram sendo delineados ao longo do dia ontem. A declaração final do G20 deve incluir um aumento dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) a partir de contribuições voluntárias para ajudar os países que serão afetados pela crise. Essa medida tem o apoio do Brasil, que já sinalizou estar disposto a contribuir com mais recursos para o Fundo.

As maiores economias do mundo também devem reiterar a oposição à manipulação cambial e mencionar a necessidade de ajustar o chamado DES – Direitos Especiais de Saque –, que é a moeda contábil usada pelo FMI, composta de uma cesta de moedas que incluem o dólar, a libra esterlina, o iêne japonês e o euro. Alguns países, como o Brasil, defendem que essa cesta inclua outras moedas para que possa ser utilizada, no futuro, como uma alternativa ao dólar como moeda universal.

Dilma se encontra com Angela Merkel

A presidente Dilma Rousseff, que participa da cúpula em Cannes, iniciou sua agenda nesta sexta-feira com um encontro bilateral com a chanceler alemã, Angela Merkel. As duas líderes discutiram o comércio entre os dois países, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a situação na Síria. Em seguida, Dilma iniciou sessões de trabalho no G20.

A presidente brasileira deve conceder uma entrevista coletiva por volta das 14h30, horário local, 11h30 no horário de Brasília, e encerra a agenda em Cannes com uma reunião bilateral com a Turquia.

 

Ana Carolina Dani

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Philippe Wojazer

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