A violência sexual tema de congresso

Manuel Dias dos Santos da Multiperfil
Manuel Dias dos Santos da Multiperfil

O presidente do Conselho de Administração da Clínica Multiperfil, Manuel Dias dos Santos, aconselhou ontem as vítimas de violência sexual a denunciarem os abusos.
Manuel Dias dos Santos fez estas declarações durante o congresso que decorre desde segunda-feira e foi organizado pela Clínica Multiperfil.
O médico lembrou que o Parlamento já legislou em relação à prática desses crimes que, na maior parte dos casos, são praticados por pessoas da mesma família.
“A denúncia das vítimas que são socorridas nos hospitais não é muito frequente, para manterem a sua integridade física e moral”, disse Manuel Dias dos Santos. Mas acrescentou: “é urgente que as vítimas denunciem as agressões para que o crime não fique impune”.

Atendimento especializado

A médica brasileira Ivete Boulos, que ministrou o curso de “Capacitação para Atendimento às Vítimas de Violência Sexual”, referiu que as equipas médicas devem ter um elevado sentido de organização profissional no atendimento ás vítimas de abusos sexuais.
“O atendimento às vítimas de violência sexual deve ser feito por uma equipa profissional, com médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e até de gestores hospitalares”, disse.  A especialista defende que o mais importante é que todos sejam competentes para tratar do assunto, por ser uma questão muito sensível. Ivete Boulos referiu que os primeiros socorros prestados às vítimas de violência sexual devem começar pela recolha de sangue e uma medicação preventiva às doenças sexualmente transmissíveis, fundamentalmente o HIV/Sida e a hepatite B.
“O atendimento clínico para estes casos é feito durante meses, já que o trauma psicológico pode durar anos. Os casos mais dramáticos acontecem quando a acção é praticada por vários agressores ou desconhecidos”, afirmou a médica Ivete Boulos.
A especialista denunciou casos da existência de “violência crónica”, realizada durante anos por membros da própria família. Diz que, neste caso, os transtornos psicológicos e a síndrome de stress pós-traumática são mais graves e provocam graves distúrbios à pessoa abusada.

Hipertensão e diabetes

Manuel Dias dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Multiperfil, afirmou que a hipertensão arterial e a diabetes têm uma prevalência alta em Angola, situação que pode ser prevenida através de bons hábitos alimentares e exercício físico.
Considerou estas patologias como doenças crónicas negligenciadas, casos que preocupam o Ministério da Saúde.
Manuel Dias dos Santos afirmou que a hipertensão está ligada ao sistema nervoso central e provoca insuficiência renal, aguda ou crónica, e acidentes cardiovasculares, que são das principais causas de morte em Angola.
O médico Décio Mion, que abordou o tema “doença cardiometabólica renal, hipertensão, diabetes e obesidade”, afirmou que uma das principais causas destas patologias surge da hereditariedade dos genes.
As doenças têm em comum o aumento da insulina, que acarreta alterações metabólicas causadoras de consequências em todos os órgãos, particularmente nos rins e coração.
Décio Mion referiu que 95 por cento das pessoas são hipertensas porque herdaram os genes dos pais.
O sedentarismo e a obesidade associados ao exagera no consumo do sal e álcool, aumentam a probabilidade da doença. A pessoa pode manifestar a hipertensão aos 20 anos, mas se é magra e pratica desporto, a doença pode manifestar-se para lá dos 60 anos.
O mais importante é mudar os hábitos de vida, com a prática de exercícios físicos e alimentação regrada e saudável. “A hipertensão é das doenças mais frequentes no mundo, tem consequências graves, como o derrame e o enfarte, por isso, é fundamental fazer o diagnóstico precoce e medir a tensão arterial em cada seis meses”, aconselhou Délcio Mion.
O Congresso de Ciências da Saúde termina amanhã com o tema “Formação Permanente, rumo à qualidade no atendimento”. Participam no congresso médicos, enfermeiros, estudantes universitários, gestores de saúde e efectivos da Polícia Nacional.
No congresso estão a ser ministrados vários cursos e palestras, com temas livres como Politraumatismos, Grandes Endemias, Diabetes, Hipertensão Arterial, Violência Sexual, Medicina do Tráfego e Mortalidade Materno-infantil.

 Edivaldo Cristóvão


Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Kindala Manuel

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