Um ano após violentos conflitos, Quirguistão elege novo presidente

Mulheres ouzbeques em um campo de refugiados no vilarejo de Yorkishlak, na fronteira sul do Quirguistão com o Ubequistão.
Mulheres ouzbeques em um campo de refugiados no vilarejo de Yorkishlak, na fronteira sul do Quirguistão com o Ubequistão.

Cerca de 3,4 milhões de eleitores são chamados às urnas neste domingo para eleger o presidente do Quirguistão, em um pleito com forte participação de observadores internacionais.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) enviou 285 observadores para acompanhar as eleições, consideradas uma oportunidade para reestabelecer a estabilidade no país, após o violenta revolução e os sangrentos conflitos étnicos de 2010.

Segundo a avalição de ONGs, até 2 mil pessoas podem ter morrido nos choques entre as etnias quiguiz e uzbeque no sul do país no ano passado. Desde sua independência, em 1991, o Afeganistão nunca conheceu a transferência pacífica do poder, tendo registrado duas revoluções violentas, em março de 2005 e abril de 2010.

Segundo o primeiro-ministro Almazbek Atambaiev, favorito para ocupar o posto de chefe de estado, a eleição “histórica” é também a oportunidade para estabelecer a “estabilidade no país”.

A presidente interina do país, Rosa Otounbaieva, que conseguiu impedir a implosão do país depois da revolução de 2010 que derrubou o governo do presidente Kourmanbek Bakiev, não pode se apresentar às presidenciais deste domingo.

Ela pediu à população que não deixe de votar neste domingo.Ao todo, 16 candidatos disputam a presidência e o principal temor é que possíveis fraudes contribuam para reascender o conflito, ainda latente.

Um relatório da OSCE, publicado no dia 24 de outubro, alerta para o risco de que as eleições contribuam para “aprofundar a divisão entre o norte e sul do país”.

O Quirguistão, país montanhoso da Asia Central, tem cerca de 5 milhões de habitantes. Além da divisão étnica, o país também se divide entre o norte urbanizado e relativamente próspero, e o sul pobre e rural.

As eleições deste domingo despertam especial interesse dos Estados Unidos, que possuem uma base aerea no país, essencial para suas operações no Afeganistão. A Rússia também tem infraestruturas militares no país.

 

Ana Carolina Dani

Fonte: RFI

Foto: Shamil Zhumatov/Reuters

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