Trabalhadores querem flexibilidade

Muitos cidadãos estão interessados nas casas localizadas na Cidade do Kilamba
Muitos cidadãos estão interessados nas casas localizadas na Cidade do Kilamba

Trabalhadores do sector público e privado sugeriram ontem, em Luanda, aos bancos que adoptem políticas de empréstimos para a compra de habitações nas novas centralidades em construção no país, mais flexíveis e favoráveis ao rendimento mensal auferido pela maioria dos funcionários.
Numa ronda efectuada pela Angop, por algumas artérias da capital angolana, a maioria dos entrevistados, a propósito do crédito à habitação, no contexto das novas centralidades, foi unânime em propor às instituições financeiras bancárias a estipulação de requisitos adequados ao salário dos trabalhadores de base e de nível intermédio.
O funcionário público Agripino Vidigal sugeriu aos bancos, seleccionados para a conceder crédito à habitação para as novas centralidades, que determinem como pagamento mensal, para o apartamento do tipo T3, 40 mil kwanzas no máximo, para os trabalhadores que auferem 100 mil por mês.
Quanto às prestações mensais, sugeriu o desconto, pelos bancos, de 35 mil, no máximo, para trabalhadores com rendimentos inferiores a 100 mil kwanzas e descontos ainda mais baixos para funcionários com salários inferiores.
Por sua vez, Saturnino Bragança considerou mais adequado os bancos adoptarem taxas de juro para empréstimos aos candidatos às casas das novas centralidades, para atrair a maioria dos trabalhadores, “porque são os que não têm casa própria. Sou de opinião que os bancos devem conceder créditos abrangentes às classes baixa e média, para permitir aos trabalhadores fazerem o reembolso sem grandes apertos financeiros”, salientou.
Outros cidadãos sugerem a adopção, pelo Executivo, da modalidade de venda resolúvel, para permitir que os trabalhadores com salário base abaixo dos 100 mil kwanzas possam também ter acesso às novas centralidades.
De acordo com o professor Vasco Domingos, o pagamento de um apartamento, através de descontos mensais no salário, isento de taxas de juro, facilitaria não só os trabalhadores com rendimentos menores, assim como aos trabalhadores estagiários, jovens universitários e recém casados, que devem merecer tratamento especial. O estudante universitário Pedro Cândido disse que não se inscreveu porque o seu salário base é muito baixo tendo em conta o custo mínimo de um apartamento, e adiantou que nem com crédito poderia pagar a casa, por ter já obrigações com propinas escolares e despesas alimentares com a família.

Para ele, a modalidade de renda é a mais adequada nesta fase de reconstrução do país, em que a maioria das pessoas carece de garantias reais para apresentar ao banco.
Outros cidadãos manifestaram-se também a favor da concessão de crédito a trabalhadores com rendimentos de 50 mil kwanzas, assim como o alargamento do prazo de reembolso de 20 para 40 anos. Santiago Bernardo sugeriu aos bancos que baixem as taxas de juro e alarguem o prazo de reembolso, tendo alertado para o facto de, caso as imobiliárias e os bancos mantenham os preços e os juros altos, muitas casas vão ficar sem comprador.
Florinda de Jesus, empregada de uma lavandaria, solicitou ao Executivo políticas de concessão de terrenos aos cidadãos mais desfavorecidos, incapazes de obter crédito à habitação e de arcar com custos adicionais, decorrentes da necessidade de manutenção das novas centralidades.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

DEIXE UMA RESPOSTA