Soma milionária pela reunificação

A queda da barreira entre antigos inimigos aconteceu pacificamente quase três décadas depois do conhecido "plano Erhard"
A queda da barreira entre antigos inimigos aconteceu pacificamente quase três décadas depois do conhecido "plano Erhard"

Documentos existentes no Estados Unidos revelam que na década de 1960 a Alemanha Ocidental tinha planos de oferecer dinheiro à União Soviética em troca da reunificação alemã.
O então chefe de governo da Alemanha Ocidental, Ludwig Erhard, pensou seriamente em oferecer uma soma milionária à União Soviética, em troca da reunificação dos dois Estados alemães.
A informação foi publicada pela revista “Der Spiegel” com base em documentos divulgados pela CIA e pela Secretaria de Estado em Washington. Os norte-americanos foram, inclusive, equacionados para servirem de “potenciais mediadores” daquilo que Washington chamou de “plano Erhard”.
O governo soviético enfrentava problemas financeiros e por isso podia estar aberto a uma negociação, argumentou Erhard. Antes de ser chefe de governo, entre 1963 e 1966, foi ministro das Finanças e tornou-se conhecido como o “pai do milagre económico” alemão após a II Guerra Mundial.
Em Outubro de 1963, o então chefe da Casa Civil da Alemanha Ocidental, Ludger Westrick, disse ao embaixador norte-americano em Bona, George McGhee, que se pretendia pagar “2,5 mil milhões de dólares ao ano, durante dez anos” pela reunificação do país.
Segundo os documentos, os diplomatas norte-americanos consideraram o plano “imaturo”, e praticamente sem probabilidades de concretização.
O embaixador McGhee, segundo o semanário “Spiegel”, caracterizou a ideia de “séria ingenuidade política”. Também a Secretaria de Estado considerou o plano “irrealista”. Depois do assassinato de John F. Kennedy, Erhard ter-se-a reunido com o recém-empossado Presidente Lyndon B. Johnson na sua quinta no Texas, a quem suferiu que passasse a oferta a Nikita Khrushchev, então chefe de governo soviético. Johnson terá reagido friamente, dizendo não ter a intenção de se encontrar com o líder soviético.

Mais tarde, o plano foi esquecido. Khrushchev perdeu o poder em Outubro de 1964, Johnson passou a concentrar-se nas eleições nos EUA, enquanto Inglaterra, França, Itália e Japão ofereciam empréstimos à União Soviética.

 

Fonte: Jornal de Angola

Foto: AFP

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