Reduzida percentagem da população usa serviços financeiros disponíveis

BNA considera que serviços financeiros devem ser adaptados às necessidades locais
BNA considera que serviços financeiros devem ser adaptados às necessidades locais

Apenas cerca de 13,5 por cento da população angolana tem conta bancária, revelou ontem o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José Massano, na abertura da Conferência sobre Inclusão Financeira, em Luanda.
José Massano afirmou que o acesso aos serviços financeiros básicos no país é ainda limitado, quer em termos da percentagem da população abrangida, quer de distribuição geográfica dos prestadores de serviços.
Apesar do forte crescimento da rede de balcões ocorrido nos últimos anos, cerca de 54 por cento está localizada em Luanda.
“Em Junho do ano em curso apenas existiam 0,49 agências e dependências bancárias e 0,76 caixas automáticas por cada 10 mil habitantes”, referiu, acrescentando que “o número de agências bancárias era apenas de 0,72 e o de caixas automáticas era de 1,03 por cada mil quilómetros quadrados”.
No mesmo período, segundo referiu, o número de cartões multicaixa válidos por mil habitantes era de 121, apesar do crescimento animador que tem ocorrido no que se refere à utilização de instrumentos de pagamento. O governador do BNA também deu a conhecer que no mês Junho o rácio de depósitos face ao Produto Interno Bruto era de 33 por cento e o de crédito à economia de 27,7 por cento.  O crédito a pessoas singulares é de apenas 4,4 por cento.
No que respeita à prestaçãio de serviços de microcrédito, José Massano disse que Angola dispõe de quatro instituições financeiras bancárias e uma não bancária, que oferecem estes serviços num universo de 23 bancos licenciados.

Decisões inclusivas

O governador do BNA considera ser fundamental a oferta de serviços e produtos financeiros adaptados às necessidades da população de menor rendimento, para o desenvolvimento de um sistema financeiro inclusivo no país.
No seu entender, os serviços e produtos financeiros devem também ser adaptados às necessidades da população que desenvolve micro e pequenos negócios, incluindo produtos de poupança.
O governador disse que Além de oferecerem segurança e protecção aos recursos da população, esses produtos dinamizam a economia e apoiad a redução da pobreza pela via da criação de emprego.
Por este motivo, José Massano anunciou que, no ano em curso, foi estabelecido um quadro regulamentar próprio para as sociedades de microcrédito e para as cooperativas de crédito, criando condições para o surgimento de mais prestadores de serviços de microfinanças. Referiu que foi regulamentada a prestação de serviço de remessas de valores, estando em fase adiantada de preparação a regulamentação referente aos correspondentes bancários.
O BNA lançou ainda o Programa de Educação Financeira e, em parceria com nove bancos comerciais, desenvolveu o “Depósito Bankita” e o “Poupança Bankita a Crescer”, visando corresponder às necessidades do segmento alvo do mercado e contribuir para o incremento das captações do sistema bancário.
Por outro lado, o governador do BNA afirmou que a protecção do consumidor constitui um elemento fundamental para o crescimento da inclusão financeira. Tendo em conta este facto, disse que o BNA, ao abrigo da Lei de Defesa do Consumidor, e ao Aviso nº 02/2011 de 1 de Junho, criou o Departamento de Supervisão Comportamental, para melhor assegurar os direitos dos consumidores de serviços financeiros.
O conceito de Inclusão Financeira está associado ao acesso da população a serviços financeiros básicos, incluindo instrumentos de pagamento seguros e eficientes, independentemente do seu rendimento e da sua localização geográfica no território nacional.
José Massano considerou a inclusão financeira uma temática complexa, que embora constitua objecto e cerne das preocupações do sistema financeiro, é transversal a um vasto leque de entidades públicas e privadas não financeiras.
“Pretendemos envolver todos os parceiros na discussão desta importante matéria, propiciar o conhecimento de experiências bem sucedidas noutros países e sobretudo alargar o nosso entendimento” para lançar as bases de uma estratégia de inclusão financeira adaptada à realidade angolana, declarou.


Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Kindala Manuel

 

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