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Recuperação da rede viária em bom ritmo
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Recuperação da rede viária em bom ritmo

Circulação pelas estradas do país está cada vez mais facilitada à medida que são recuperadas as vias principais e secundárias

O programa de recuperação das estruturas rodoviárias destruídas durante o conflito armado permitiu, desde 2002, a reabilitação de 6.500 quilómetros de estradas, dos 25 mil que constitui a rede viária do país.
Segundo o coordenador da Comissão de Gestão do INEA, Molares d’Abril, que falava domingo no programa “Espaço Público” da Televisão Pública de Angola (TPA), até 2013 vão estar reconstruídas entre 14 e 16 mil quilómetros.
Na província do Zaire, por exemplo, segundo o Ministro do Urbanismo e Construção, Fernando da Fonseca, o troço Tomboco/Mbanza Congo e comuna do Lufo, a circulação é feita sem constrangimento, enquanto Tomboco/Soyo as obras estão em curso. A região do Zaire conta com uma extensão rodoviária de 1.606 quilómetros, dos quais 214 encontram-se na fase conclusiva da sua recuperação total.
Na província do Moxico, a estrada nacional 180 Moxico/Luau, os trabalhos de reabilitação, interrompidos por razões financeiras, serão retomados no próximo ano.
Relativamente à via que liga Saurimo/Dundo (Lunda-Norte) e Luau (Moxico), a degradação, segundo o ministro tem a ver com a falta de conservação, tendo em conta o elevado tráfego de viaturas. A zona Leste do país, de acordo com o ministro, tem recebido uma atenção especial do Executivo que está a criar condições técnicas para o arranque dos trabalhos de recuperação de diversos troços.
O Programa de Reabilitação de Estradas de Angola foi elaborado em 2004 com objectivo de recuperar a rede fundamental pavimentada, crescendo-se a construção de novos itinerários complementares.

Melhoria da circulação

O ministro do Urbanismo e Construção frisou que a entrada em funcionamento da rede ferroviária nacional vai impulsionar a reabilitação de estradas e outras infra-estruturas do interior.
O ministro referiu que a prioridade atribuída à rede viária do litoral visou assegurar a acessibilidade dos materiais de construção ao interior do país, acrescentando que o Executivo procura equilibrar o desenvolvimento do país, tendo em conta as condições atmosféricas e sazonalidade dos rios e de cada região. Fernando da Fonseca garantiu que a recuperação da malha viária vai chegar, gradualmente, a todo o país.

Qualidade das estradas

Fernando da Fonseca rejeitou o argumento segundo o qual as causas do elevado índice de acidentes rodoviários no país estão directamente ligadas à insuficiência de estradas.
Respondendo a uma questão colocada no programa da Televisão Pública de Angola “Espaço Público”, o ministro atribuiu o alto nível de sinistralidade à falta de destreza dos automobilistas e à desobediência às regras de trânsito.
O ministro reconheceu haver algumas irregularidades em certos traçados nas vias do país, mas que só provocam acidentes devido a má condução dos automobilistas.
Sobre a fraca iluminação pública nas estradas do país, disse ser preocupante nas cidades, mas não ser fundamental fora das localidades. Esclareceu que a iluminação de estradas nas cidades é uma tarefa contemplada nas obrigações dos empreiteiros nos trabalhos de construção ou melhorias das vias, alertando no entanto que muitas vezes são os próprios automobilistas que danificam os postos de iluminação pública, apontando os casos de Luanda como exemplo.

Custos

As questões logísticas, acessos difíceis e a desminagem foram apontadas pelo ministro de Urbanismo e Construção, Fernando Fonseca, como as razões principais para os elevados custos da construção de estradas no país que já chegaram a atingir a cifra de um milhão de dólares por quilómetro.
A média na região da SADC é de 100 mil dólares por quilómetro. O ministro, explicou que, actualmente, os custos já baixaram entre os 800 e 600 mil dólares por quilómetro, pois o acesso para os inertes e as áreas de intervenção tornou-se melhor, apontando como exemplo o facto de há alguns anos a única pedreira utilizada era a da região de Cacuaco, em Luanda, e hoje a matéria-prima pode obter-se em vários pontos do país. “Hoje há factores que influenciam para esta baixa de custo, tais como a exploração de inertes pelas próprias empreiteiras, o fácil acesso, elevado número de pessoal, ou seja, grande mobilização e, fundamentalmente, a paz”, acrescentou.

Taxa de circulação

O ministro esclareceu que os valores cobrados pela taxa de circulação no país não cobrem a necessidade da manutenção e reconstrução das estradas no país.
Respondendo à questão de um telespectador, Fernando Fonseca indicou que os valores que se cobram são insuficientes para a totalidade de intervenção nas estradas, pelo que a outra parte é coberta pelo Estado.
Destacou a província de Luanda onde está a ser realizado um trabalho de fundo para a recuperação da rede viária, mas que precisa de infra-estruturas.
A questão a atacar urgentemente é o saneamento básico, para permitir os trabalhos nas estradas. “Para a resolução desses problemas, há os projectos de drenagem de águas residuais e recolha de lixos”, disse. O ministro indicou que estão, também, a ser criadas vias rápidas e outras estruturantes, assim como corredores para garantir a ligação entre os municípios críticos, como Cazenga, Sambizanga e Rangel.

Comparações

O ministro do Urbanismo e Construção considerou descontextualizadas as comparações que se fazem entre a qualidade das estradas da época colonial e as actuais, por registarem níveis de dimensionamento e frequência automóvel díspares.
Apontou ser diferente, actualmente, o grau de circulação logística de camiões, a sua estrutura e quantidade de carga em circulação.
Segundo o ministro, hoje os níveis de dimensionamento das estradas e a qualidade do material utilizado na sua construção aproximam-se aos da região da SADC onde Angola se encontra inserida, diferentes das estradas da época colonial com uma quota inferior.
Fernando Fonseca garantiu que a partir do momento em que os traçados se adequarem à região da SADC, a qualidade das estradas do país vão ser melhores. Realçou que para garantir a longevidade das estradas, foi criado um programa de manutenção de vias, denominado o Fundo Rodoviário, que prevê a criação de brigadas de manutenção permanente das estradas.

Ligação para Cabinda

Em relação à construção de uma ponte rodoviária para ligar a província do Zaire à Cabinda, o ministro do Urbanismo e Construção considerou o projecto inviável de momento, tendo em conta a realidade do país.
O ministro referiu que o investimento a ser feito na empreitada seria mais bem aproveitado na recuperação de estradas que garantiriam a regularidade da cadeia logística de materiais e alimentos pelo país. Segundo o ministro, a região de Cabinda pode, por enquanto, continuar a ser abastecida por via marítima, que é mais barata e fácil, até o Executivo encontrar numa fase mais boa para fazer um investimento do género.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Santos Pedro

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