Quénia pretende reforçar cooperação com Angola

Acordo geral de cooperação bilateral entre Angola e a República do Quénia
Acordo geral de cooperação bilateral entre Angola e a República do Quénia

Um acordo geral de cooperação bilateral entre Angola e a República do Quénia deverá ser rubricado brevemente entre ambos países, revelou o novo embaixador não residente daquele país situado na África Oriental, Peter Gitau, em conferência de imprensa para anunciar as linhas gerais da nova cooperação pretendida.

Os termos do referido acordo, a ser preparado pelos ministros das Relações Exteriores de Angola e do Quénia, deverá incidir numa perspectiva mais ampla de cooperação bilateral ao nível dos mais diversos sectores, bem como reforçar a relações entre ambos países iniciadas desde ano de 1975.

Ao nível político, o maior desafio do embaixador Peter Gitau disse que primará, durante o seu mandato em Angola, pela abertura das missões diplomatas em ambos países que disse vir a acontecer brevemente, tendo em conta as negociações que estão em curso entre os governos.

Os quenianos pretendem prestar particular atenção às relações comerciais, onde já existe um certo movimento nessa direcção e é facilitada pela ligação área da Kenya Airways que voa duas vezes por semana para Luanda, um gesto que é aguardado pelas autoridades quenianas que pretendem ver a TAAG a escalar aquele país do Oriente de África. De igual modo, o embaixador disse que o seu país almeja o reforço das ligações já existentes entre os Portos do Lobito e de Mombaça, tendo em conta o projecto desenvolvido pelo executivo do Quénia de construção de um novo porto na localidade de Lamu. O novo porto de Lamu ligará a cidade de Juba à capital do Sul até Mombaça, deverá estar dotada de condutas, caminho-de-ferro entre outra regiões, num investimento que poderá servir a 300 milhões de pessoas.
O diplomata queniano louva, por outro lado, o projecto desenvolvido pelo Executivo angolano relacionado com o corredor ferroviário entre Lobito e Beira, em Moçambique, que reduzirá o tempo de viagem contornando o sul do continente, pelo facto de abrir outras possibilidades entre os dois países.

O embaixador Peter Gitau defendeu também um maior intercâmbio no domínio da educação, manifestando particular interesse no apoio ao ensino da língua inglesa em Angola.

“O país que não prepara os recursos humanos de certeza terá problemas no futuro. Porque apenas angolanos e quenianos podem construir os seus países”, sublinhou o embaixador. A cooperação no domínio da agricultura será outra aposta, procurando partilhar a experiência daquele país cuja comunidade rural é responsável pela produção de alimentos para exportação e vendidos maioritariamente no mercado europeu.

“Sei que Angola importa bastantes alimentos. Eu acredito que as comunidades rurais podiam produzir estes alimentos e metade deste orçamento poderia circular nas comunidades rurais. O Quénia tem movimentos corporativos que colocou junto dos fazendeiros responsáveis pela sua produção e venda”, destacou o embaixador.

As pretensões dos quenianos estendem-se também para o domínio da saúde. Peter Gitau disse ter ficado “bastante impressionado” com o funcionamento deste sector em Angola, depois da visita que efectuou ao Hospital do Prenda, tendo constatado semelhanças com os do seu país.

Tido como um dos principais destinos turísticos em África, o Quénia manifesta a intenção de formar quadros angolanos no ramo hoteleiro.

“Nós estamos bastante satisfeitos, porque vamos cimentar essas relações que iniciaram desde 1975. É chegado o momento de ambos países contarem as histórias que não foram contadas, a história dos bons acontecimentos que estão tendo lugar nos nossos países, porque muitas das coisas que ouvimos estão relacionadas com coisas más”, disse o embaixador que destacou o crescimento económico de Angola nos últimos oito anos e a reconstrução do país, realidade que acredita ser desconhecida por muitos.

Por outro lado, afirmou que por intermédio da União Africana, o executivo do seu país conta com o apoio de Angola na incursão militar que é levada a cabo pelo exército queniano em território somali contra as milícias do grupo terrorista Al Shabaab.

Defende que a intervenção é necessária tendo em conta que as milícias colocam em perigo todo o investimento acima mencionado, bem como toda estabilidade e a paz do continente.

No entanto, deixou em aberto a eventualidade de acontecer uma abordagem mais directa ao Executivo angolano para discutirem os apoios necessários para esta causa, tendo em conta que Angola tem um exército bem capacitado e experimentado.

No nosso país residem pouco mais de cem quenianos que trabalham em diversas companhias e sectores industriais de Angola.

 

Valdimiro Dias

Fonte: O País

Foto: O País

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