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Produtos agrícolas na Kissomeira estragam por falta de escoamento
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Produtos agrícolas na Kissomeira estragam por falta de escoamento

Diversos produtos agrícolas aguardam por escoamento para os centros de mercados de Luanda e Caxito

Enormes quantidades de produtos agrícolas, na localidade da Kissomeira, município do Dande, província do Bengo, estão a deteriorar-se, devido à falta de meios para o seu escoamento.
Em declarações ontem ao Jornal de Angola, Jóia Eurico, a coordenadora comunal da Kissomeira, disse que além da falta de transportes, o mau estado das vias de acesso também tem contribuído para desencorajar os automobilistas, que evitam circular por estas paragens.
Jóia Eurico salientou que os camponeses locais produziram, no presente ano agrícola, elevadas quantidades de milho, banana, tomate, mandioca, ginguba, batata-doce e pimento, sendo que boa parte destes produtos apodreceu entre os meses de Janeiro e Setembro.
Até agora, referiu a coordenadora da Kissomeira, mais de 500 toneladas de diversos produtos agrícolas aguardam por escoamento para os centros de mercados de Luanda e Caxito.
Os camponeses temem que estes bens se deteriorem também. Eurico referiu que o mau estado da via, que dá acesso à localidade da Kissomeira, e a aproximação das chuvas, continuam a ser os principais factores que impossibilitam os camponeses de proceder à venda dos seus produtos noutras localidades circunvizinhas da região.

Especulação de taxistas

Os taxistas, vulgo “candongueiros”, que fazem o trajecto Luanda/Kissomeira/Caxito e vice-versa, costumam praticar tarifas muito altas, por considerarem a via bastante degradada e com elevado risco de danificação das viaturas.
Em muitos casos, adianta Jóia Eurico, os automobilistas furtam-se de ali circular, daí a necessidade de se pôr cobro à situação o mais rápido possível. Segundo a coordenadora, os taxistas cobram cerca de 700 kwanzas por cada saco de milho de 50 quilogramas, o que os camponeses consideram exagerado, tendo em conta a sua situação financeira.
Cooperativa Kapique

A cooperativa agrícola “Kapique” é a única a nível da localidade da Kissomeira que possui uma viatura para escoamento de produtos dos associados, mas a mesma está avariada. O vice-presidente da cooperativa, Mota Zacarias da Silva, disse que, nesta altura, apesar das dificuldades financeiras, os camponeses associados envidam todos os esforços para aquisição de uma nova viatura, para o escoamento da produção.
O Jornal de Angola apurou que, para a presente campanha agrícola, foram preparados cerca de mil hectares de terras aráveis. A referida cooperativa agrícola, segundo o responsável, controla 700 camponeses, entre os quais 400 mulheres.

IDA doa fertilizantes

No quadro da campanha agrícola, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) disponibilizou fertilizantes (adubos e ureia), variedades de sementes e instrumentos de trabalho (enxadas, catanas e limas). Em épocas de crise, os camponeses recorrem ao mercado do Kicolo, em Luanda, para a aquisição de sementes, fertilizantes e instrumentos de trabalho, referiu o responsável da cooperativa.
Mota Zacarias da Silva lançou um apelo às autoridades que velam pelo desenvolvimento do sector para envidarem esforços no sentido de disponibilizarem uma debulhadora para descascar o milho.
Outro apelo do responsável tem a ver com a necessidade das autoridades e os bancos comerciais, através do sistema de crédito bancário virado para a produção, facilitarem a aquisição de um tractor, tendo em conta a especificidade do terreno, que tem provocado muito lodo nos campos aráveis.

Mais investidores são precisos

Na Kissomeira, segundo o vice-presidente da cooperativa, falta de tudo um pouco, como lojas para a venda de produtos dos campos, lubrificantes e um sistema de comércio rural. Mota Zacarias da Silva pediu à classe empresarial da província do Bengo e aos jovens empreendedores a investirem mais naquela região, para que se garanta o desenvolvimento da mesma.
Outras preocupações

A falta de rios e lagoas na localidade da Kissomeira faz os seus habitantes dependerem unicamente de cisternas de água, que são comercializadas por pessoas singulares. Mota Zacarias da Silva disse que os habitantes da Kissomeira percorrem cerca de 50 quilómetros até à localidade da Funda, no município do Cacuaco, para conseguirem água.
A camponesa Miquelina Miguel, que vive há mais de 15 anos na localidade, disse que a falta de água potável e saneamento básico origina vários casos de doença, como a malária, diarreias, febre tifóide e sarampo.
Dona Miquelina disse que, em termos de materiais de trabalho, os camponeses estão mais ou menos servidos, mas todo apoio para a actividade é bem-vindo, de forma a aumentar a sua produção.
Matias Jaime, 61 anos, salientou que a Empresa de Mecanização Agrícola (Mecanagro) tem colocado meios de trabalho à disposição dos camponeses, de forma atempada, em todas as fases de preparação das terras.

 

MAIOMONA ARTUR | Kissomeira

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: VICTÓRIA QUINTAS

 

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