Posição da Renamo prejudica Oposição

Investigadora Elisabete Azevedo-Harman
Investigadora Elisabete Azevedo-Harman

A investigadora da Universidade Católica Elisabete Azevedo-Harman disse recentemente, em Lisboa, que as divisões, desorganização e falta de democratização da Renamo fragilizam mais a oposição moçambicana do que o domínio da Frelimo. “Em Moçambique, sobretudo no caso da Renamo, tem havido um quase encostar à ideia de que a culpa é sempre de alguém” não sendo feita “a democratização do próprio partido”, disse Elisabete Azevedo-Harman à Lusa, acrescentando que “a liderança da Renamo tem sido muito menos democratizada do que a da Frelimo, o partido no poder e em maioria no Parlamento”.
A investigadora falava à Lusa à margem de uma conferência sobre prevenção e resolução de conflitos em África, onde apresentou um estudo sobre parlamentos multipartidários, fazendo uma comparação entre Moçambique e a África do Sul.
Para a professora e investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, a fragilidade da oposição moçambicana não pode ser analisada apenas do ponto de vista do partido dominante, a Frelimo.  Em Moçambique, tem-se assistido “a várias divisões e à falta de organização da oposição”, disse, considerando que a oposição precisa de fazer “mea culpa” pelo seu fraco desempenho. “Se fazemos só o discurso do partido dominante nada se corrige”, acrescentou. No Parlamento moçambicano têm assento, além da Frelimo e da Renamo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), uma dissidência da Renamo.
Elisabete Azevedo-Harman admite que no futuro possam surgir novos partidos e movimentos em Moçambique, mas sempre em resultado de cisões dentro dos dois maiores partidos.
“Poderão surgir novos partidos, como o MDM, mas serão sempre dissidências de um ou outro partido, sobretudo no caso da Renamo, porque a falta de democratização leva a que as pessoas, quando estão descontentes, não encontrem espaço no próprio partido e tenham de sair”, explicou.
No caso da Frelimo, a investigadora disse ver “com alguma dificuldade a existência de dissidências sonantes”. “Vão ter um congresso em Setembro do próximo ano para decidir quem vai substituir o Presidente Guebuza e já existem células partidárias a discutir. Isso quase amortece qualquer dissidência forte” no partido, adiantou.

 

Fobte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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