Polícia Nacional garante combate aos delinquentes

Comandante provincial garante ser preocupação da corporação devolver a segurança às populações
Comandante provincial garante ser preocupação da corporação devolver a segurança às populações

Assaltos a residências, violações sexuais, furto por esticão, distúrbios entre grupos de marginais na via pública, com recurso a armas de fogo e objectos contundentes como paus, catanas e cacos de garrafa, são ocorrências que tornam as noites nos bairros do município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, mais longas e dramáticas para os seus moradores.
O cenário, de acordo com depoimentos dos moradores, é ainda mais assombroso quando jovens armados, com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos, invadem residências na calada da noite, roubando dinheiro, telemóveis e electrodomésticos, pondo-se depois em fuga e comercializando os bens furtados a preços irrisórios, pela cidade Luanda.
A preocupação foi manifestada durante uma reunião entre membros da direcção do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional e comissões de moradores de bairros  Sapú, Mbondo Chapéu, comandante Dangereux, Camama e Neves Bendinha, para em conjunto reflectirem sobre a onda de criminalidade que preocupa e prejudica muitas famílias.
Joaquim Adão Marreta, um dos mais antigos moradores do bairro Sapú, contou à reportagem do Jornal de Angola que os delinquentes estão organizados e os planos de assalto a residências são combinados previamente.
“Os bandidos invadem casas, aterrorizam os moradores e fogem”, disse Joaquim Adão Marreta, para quem é indispensável o aumento de efectivos da Polícia Nacional, patrulhas móveis e a construção de mais esquadras e postos da polícia na sua área.
O presidente da comissão de moradores do sector dois da comuna do Neves Bendinha, João Domingos Matias, explicou que os delinquentes incrementam as suas acções com maior incidência nos arredores do Parque Infantil Augusto Ngangula, na comuna do Palanca e bairro do Bangua Wé.
“O período nocturno tem sido o preferido por eles para fazerem assaltos e ameaças na via pública”, realçou, defendendo a necessidade de aumentar o número de esquadras móveis e de efectivos, para dar resposta às questões inerentes à criminalidade.   Outro responsável que se mostrou preocupado com a onda de assaltos foi António José Paulo, presidente da comissão de moradores da comuna do Mbondo Chapéu, que concordando com o reforço do patrulhamento, defendeu a implantação de uma esquadra na comuna do Mbondo Chapéu. Para o efeito, esclareceu que a sua comuna já conseguiu um terreno que ofereceu ao Comando Provincial da Polícia, para a construção de uma esquadra ou posto policial.

Francisco Giná, presidente da comissão de moradores da comuna da Camama, disse que os delinquentes têm tirado o sossego aos moradores das áreas comandante Dangereux e do Mbondo Chapéu,  mais efectivos no posto da Camama, além de meios técnicos, de forma a responder de forma eficaz e rápida às preocupações dos cidadãos.
A par disso, referiu que tem sensibilizado os moradores no sentido de colaborarem com a Polícia Nacional na denúncia de indivíduos cuja conduta tem sido desviante, reconhecendo haver vontade da Polícia Nacional em responder de forma eficaz e célere a algumas preocupações relativamente à delinquência, mas que a falta de iluminação pública e as vias de acesso ao bairro têm dificultado o desdobramento dos efectivos.
Para facilitar o trabalho da Polícia, adiantou que está a mobilizar os moradores para porem lâmpadas à frente dos quintais, para iluminar as ruas e, desta forma, afastar os delinquentes daquela área.     Na sua intervenção, o presidente da comissão de moradores da comuna do Titanic, António Sumbo, defendeu a necessidade de se recuperar o tapete asfáltico para facilitar a actuação dos efectivos da Polícia. Segundo explicou, a sua área precisa de ver aumentado o número de agentes para ser feita uma maior cobertura de algumas áreas onde ocorrem assaltos e a presença da corporação não se faz sentir.
“A colaboração dos munícipes com a Polícia tem sido feita, uma vez que muitos cidadãos já ocorrem à esquadra sempre que se sentem ofendidos”, disse.

Tempos livres

António Wemba, participante no encontro, reconheceu o esforço feito pelos agentes da Polícia Nacional no combate à criminalidade, mas defendeu a necessidade da ocupação dos tempos livres da juventude. Na sua opinião, actividades como a frequência de cursos técnicos ou a prática desportiva ajudam muitos jovens a deixarem de ser delinquentes.
Segundo referiu, no seu bairro há muitos jovens que se encontram sem estudar e por isso não têm nada para fazer durante o dia. No ano passado, acrescentou, solicitou ajuda à escola do projecto Nova Vida, no sentido de matricular um jovem que estava a caminhar para a delinquência com a realização de alguns assaltos. Wemba pediu ainda ao Comando provincial de Luanda da Polícia Nacional um encontro de futebol em data a acertar, entre jovens do seu bairro (Mbondo Chapéu) e a equipa do Comando provincial de Luanda, para aproximar os munícipes da corporação e ocupar os tempos livres.
O desafio foi aceite pela comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, comissária-chefe Elizabeth Ranque Franque, que incentivou e louvou a iniciativa e prometeu apoio, concordando que essa pode ser uma das formas da corporação estar mais próximo dos  pacatos cidadãos.
Além disso, agradeceu o gesto dos membros da comissão de moradores da comuna do Mbondo Chápeu, ao oferecerem um terreno para a construção de uma unidade policial, tendo assegurado que a proposta será apresentada ao Ministério do Interior para ser incluída no Programa de Investimentos Públicos (PIP).

Segurança da população

Elisabete Ranque Franque garantiu ser preocupação da Polícia Nacional devolver o sentimento de segurança à população.
No encontro,  a comandante provincial deu ordens aos seus colaboradores directos no sentido de as inquietações dos munícipes serem atendidas, trabalhando com aqueles responsáveis para a colocação de esquadras móveis nos locais que suscitam maior preocupação em termos de segurança.
Explicando aos presentes que a Polícia Nacional está disponível para atender as preocupações dos cidadãos e conta com a colaboração destes na denúncia de presumíveis criminosos, realçou a abertura existente para a recepção de contributos que ajudem a corporação a melhorara o seu trabalho.
Para facilitar os contactos e a proximidade entre esta e a população, a comissária entregou o contacto dos comandantes de Divisão, das esquadras e postos policiais, para atender mais rapidamente a qualquer pedido dos cidadãos relacionado com segurança e prevenção do crime.

Construção de esquadras

O director provincial de Ordem Pública, intendente Eduardo Diogo, explicou aos presentes que já existe uma comissão a trabalhar na identificação de áreas para a colocação de esquadras e postos policiais.  Por outro lado, existem a nível do município do Kilamba Kiaxi algumas áreas criadas de forma desorganizada, nas quais os acessos são dificultados devido à existência de alguns becos, o que impede o patrulhamento dos efectivos.
O superintendente-chefe Mário Fernandes, director provincial de Investigação Criminal, afirmou que já estão catalogadas algumas áreas conflituosas que serão objecto de intervenção das forças policiais. Para facilitar o trabalho, pediu a colaboração da população, denunciando os indivíduos que cometem crimes e ficam impunes.
O comandante da Brigada Electrónica, Afonso Ganga, explicou que os cidadãos podem sempre recorrer ao terminal de emergência 113 para fazer a denúncia de actos delituosos.  “O terminal 113 é que faz a triangulação da informação. Ou seja, quando recebe uma chamada, encaminha em menos de dois minutos a preocupação para o município e, consequentemente, para quem estiver a patrulhar a área”, explicou. Nem todas as chamadas recebidas no terminal 113, salientou, tem interesse policial, uma vez que alguns cidadãos ligam para aquele terminal da Polícia Nacional apenas para insultar os operativos de serviço, prejudicando assim aqueles cidadãos que necessitam da intervenção da corporação.
Afonso Ganga aconselhou as pessoas a não desligarem o telefone até serem atendidos, sempre que ligarem para o terminal 113.

André da Costa 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: M . Machangongo

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