O homem que tramou a UBS

Kweku Adoboli, corretor na filial de Londres no banco suíço UBS
Kweku Adoboli, corretor na filial de Londres no banco suíço UBS

“Eu preciso de um milagre.” Esse foi o último post colocado no perfil do Facebook de Kweku Adoboli, corretor na filial de Londres no banco suíço UBS antes de ser algemado em pleno dia de aniversário. (Kweku, natural do Gana, nasceu a 15 de Setembro de 1980). As desgraças deste “jovem simples que não gostava de ostentar riquezas”, segundo assegura o seu pai John Adoboli, começaram alguns dias antes.
Kweku ADoBoli, 2300 milhões de dólares: Aos 31 anos, o jovem  corretor do Gana, entrou directamente para número três 
da lista de grandes desfalques. A vítima foi a filial londrina 
do banco suiço UBS

Depois de vários anos a realizar operações não autorizadas, como ele próprio admite agora, o corretor recebeu a visita pouco agradável da divisão de controlo de risco do banco onde trabalhava. Eles queriam saber como é que Adoboli conseguiu perder 2 mil milhões de dólares (a estimativa 
de perdas já foi corrigida para 2,3 mil milhões) com as aplicações (cujo nome técnico é ETF — Exchange Traded Funds — fundos cotados em Bolsa que se comportam como acções) que estavam sob a sua responsabilidade.

As respostas de Adoboli foram suficientemente suspeitas para 
que o maior banco da Suíça fosse bater à porta da polícia de Londres. No dia seguinte, logo pela manhã, a visita que o corretor recebeu 
no seu escritório foi ainda mais desagradável. Desta vez, estava cercado por polícias que lhe ofereceram umas algemas como 
prenda de aniversário. O banco UBS apressou-se a explicar 
que o incidente não teve repercussões nos investimentos 
dos seus clientes. Mas a verdade é que o banco suíço já anunciou posteriormente que, devido ao rombo nas contas, irá apresentar prejuízos no terceiro trimestre deste ano.

 

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O desfalque foi tão grande que Adoboli ocupa agora a invejável terceira posição na galeria dos maiores golpes do mercado financeiro, atrás do quase insuperável ex-operador do banco francês, Société Générale, Jérôme Kerviel (responsável pelo  desvio de 6 mil milhões de dólares) e de Yasuo Hamanaka, conhecido por “Sr. 5%” que subtraiu 2,6 mil milhões de dólares à japonesa Sumitomo Corp.

 

Sabe-se, entretanto, que Kewku Abodoli contratou o escritório de advocacia Kingsley Napley, que defendeu outro nome ilustre desta lista de falsários, Nick Leeson – que embora tenha desviado “apenas” 1,4 mil milhões de dólares, conseguiu a inacreditável proeza de levar o mítico banco inglês Barings à falência, em 1995. A sua história de vida deu inclusivamente origem a um filme. Quando saiu da prisão Nick Leeson tornou-se um requisitado orador do circuito empresarial de conferências. Não admira, por isso, que o ganês Kewku Abadoli tencione agora repetir as suas pisadas.

 

Fonte: Exame

Foto: Exame

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