Ministra da Cultura vai à Feira do Livro

Rosa Cruz e Silva viajou para Belgrado com uma delegação do seu pelouro para falar da literatura angolana actual
Rosa Cruz e Silva viajou para Belgrado com uma delegação do seu pelouro para falar da literatura angolana actual

A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, acompanhada de uma delegação do seu pelouro, partiu ontem para Belgrado, onde vai participar na 56ª edição da Feira Internacional de Livro de Belgrado.
A delegação que acompanha a ministra é composta, entre outros, pelos escritores Abreu Paxe, António Fonseca e Cremilda de Lima. De acordo com uma nota de imprensa da organização, além de Angola, o Brasil e Portugal também participam neste evento, que decorre a partir de hoje até ao próximo dia 30.
A organização do evento pretende homenagear a língua portuguesa, que é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo e é a língua oficial de Angola, Portugal, Brasil, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste.
Assim, além das conferências a serem realizadas sobre a importância do Português, os livros de escritores falantes da língua vão estar presentes na feira. Entre os livros de escritores angolanos, o destaque vai para os de Agostinho Neto, Pepetela, Luandino Vieira, João Maimona, Roderick Nehone e Cremilda de Lima.
Durante a feira, a escritora e viúva de Agostinho Neto, Maria Eugenia Neto, vai apresentar a obra do marido, que foi um dos maiores escritores da literatura angolana. Além de obras do Poeta Maior, o público vai ainda poder manter contacto com Roderick Nehone, Abreu Paxe, João Maimona e António Fonseca.
Numa conferência de imprensa realizada na sexta-feira entre os três embaixadores dos países de língua portuguesa acreditados na Servia, designadamente Angola, Brasil e Portugal, o diplomata angolano Toko Serão disse que, apesar de ter sido um processo de imposição, a adopção do português propiciou o veicular de ideias de emancipação em certos sectores da sociedade angolana.
“A língua portuguesa facilitou a comunicação entre pessoas de diferentes origens étnicas. De instrumento de dominação e clivagem entre colonizador e colonizado, o português adquiriu um carácter unificador entre os diferentes povos falantes deste idioma”, explicou o diplomata.

A iniciativa de homenagear a Língua Portuguesa na 56ª Feira do Livro de Belgrado partiu das embaixadas de Angola, Brasil e Portugal na capital sérvia, com o apoio, no caso português, do Instituto Camões e da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB), num investimento de mais de 20 mil euros.

A convidada de honra

“Uma feira do livro ter uma língua como convidada e não um país é um grande passo em frente”, assinalou à agência Lusa André Cunha, responsável pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Belgrado.
“Um escritor representa-se a si próprio, ele é do tamanho da própria língua”, é com esta ideia que André Cunha justifica a “inovadora” opção dos organizadores da feira. Além dos membros da delegação angolana, chefiada pela ministra Rosa Cruz e Silva, duas dezenas de escritores de língua portuguesa vão estar na capital da Sérvia durante uma semana, entre os quais, além dos já atrás referidos, os angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki, o moçambicano Mia Couto (que abre hoje o certame), os brasileiros Edney Silvestre e Ana Maria Machado e os portugueses Dulce Maria Cardoso, Pedro Rosa Mendes, Alice Vieira, Lídia Jorge, Rui Zink, João Tordo, Vicente Alves do Ó e Gonçalo M. Tavares (que fecham a feira, no dia 30).
Mia Couto é um dos cerca de 20 escritores de Língua Portuguesa traduzidos para sérvio, entre os quais figuram ainda Pepetela, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa e Lídia Jorge.
“É o maior evento cultural de sempre de Portugal nos Balcãs”, garantiu André Cunha, acrescentando que se trata da “quarta maior feira do livro dos últimos 20 anos, depois das realizadas em Frankfurt, Paris e Turim”.
A 56ª Feira do Livro de Belgrado inclui “sobretudo apresentações de livros”, mas também “algumas conferências”, fazendo ainda parte dos eventos paralelos uma exposição de fotografia de Dragoljub Zamurovic, inspirada no livro “Viagem a Portugal”, de José Saramago, e uma peça de teatro baseada na obra “O senhor Valéry”, de Gonçalo M. Tavares, referiu André Cunha, também um dos responsáveis pela programação.
No festival de jazz da feira vão estar o pianista Júlio Resende, com um espectáculo de dez temas de jazz inspirados em cada um dos cantos de “Viagem à Índia”, de Gonçalo M. Tavares, e a cantora Cristina Branco, que dá um concerto no dia 29.
A Feira Internacional do Livro de Belgrado atrai uma média de “120 mil visitantes nos sete dias” de duração e, este ano, arrisca o responsável pelo Centro de Língua Portuguesa, é “provavelmente, fora dos países de língua portuguesa, o maior acontecimento relacionado com a língua”.
Segundo o comunicado do Instituto Camões, para além da presença dos escritores, são de destacar “as traduções publicadas propositadamente” para a Feira Internacional do Livro de Belgrado, envolvendo cerca de 40 obras.

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

 

DEIXE UMA RESPOSTA