Milhares de mulheres nas fileiras da OMA

Luzia Inglês aconselhou as mulheres da província da Lunda-Sul a aderirem em massa ao processo de actualização do registo eleitoral
Luzia Inglês aconselhou as mulheres da província da Lunda-Sul a aderirem em massa ao processo de actualização do registo eleitoral

Joana Matias acordou às cinco da manhã de sábado, 8 de Outubro, quando ouviu, numa das ruas de Saurimo, o “barulho” da carrinha que transportava o pessoal para a mobilização da campanha especial de crescimento da Organização da Mulher Angolana (OMA), em saudação aos 55 anos de existência do partido MPLA. Duas horas depois, já estava no aeroporto com o seu lenço amarelo, camisola vermelha e panos pretos para receber a comitiva que vinha de Luanda, para a realização do acto central da campanha especial de crescimento da Organização da Mulher Angolana (OMA).
Como Joana Matias, estavam outras mulheres também ansiosas com a chegada da delegação chefiada por Luzia Inglês, secretária-geral da organização.
Deolinda Engrácia, que aparenta ter os seus 40 anos de idade, disse ao Jornal de Angola que estava ansiosa por fazer parte da organização. “Como cidadã angolana sei que tenho deveres a cumprir e é meu desejo fazer parte da Organização, onde espero aprender muito, principalmente sobre a história da mulher angolana, mas também a crescer e futuramente poder ensinar a outras pessoas sobre os bons costumes e valores e sobre a contribuição das mulheres para o desenvolvimento do nosso país”.
Naquela manhã, mais de 30 mil mulheres abandonaram suas casas para participar no acto de massas que evidenciava mais uma vez a força das mulheres angolanas rumo ao desenvolvimento do país no apoio às acções do partido no poder, o MPLA. Eram mulheres e jovens e até mesmo crianças que acompanharam as suas mães para testemunharem o acto em que diriam “Sim” ao crescimento da OMA.
“Levanta-te óh mulher! Levanta-te! Qual é a barreira que te impede de avançar? Levanta-te!”. Essas foram as palavras de ordem durante a marcha. Elas gritavam alegres e demonstraram a força da mulher angolana, que só pensa na paz efectiva, social e de espírito.
“Já perdemos muitos filhos, irmãos e companheiros durante a guerra. Não podemos admitir mais confusão no nosso país, porque fomos nós mulheres, somos as que mais sofremos com a guerra. Democracia sim, mais com urbanidade e respeito pelas leis”, disse uma jovem universitária.
Cassinda Bernardo, que esteve presente no acto, com a indumentária da OMA, disse mais: “As mulheres filiadas não devem deixar em mãos alheias a sua vontade de cumprir com o que foi aprovado no V Congresso, onde cada militante deve trazer mais cinco para a Organização”.

Além dos cânticos, as mulheres lançavam palavras de ordem como “Viva o MPLA”, “Viva o Presidente de todos os angolanos José Eduardo dos Santos”, “Viva a OMA”, “Mulher angolana unida pela democracia e desenvolvimento”, “OMA, aposta certa para o desenvolvimento”, “Mulher: crescer para a vitória”. Sob o lema “Mulher crescer para a vitória”, elas estão a cumprir com o desafio a que se propuseram, de alcançar o maior número de militantes.
Na província da Lunda-Sul, onde decorreu o acto central da campanha especial de crescimento, 89 mulheres dos 16 aos 40 anos, ingressaram na Organização. Luzia Inglês, secretária-geral da OMA, fez a honra da casa, baptizou as “caloiras” e vestiu-lhes a camisola, amarrou-lhes o lenço e deu-lhes o cartão de militantes.

Na Lunda-Sul

A Organização está implantada em todo os municípios, nomeadamente Dala, Cacolo, Muconda e Saurimo que, antes no total, tinham um registo de 42.722 militantes, enquadradas em secções de base. Com o início da campanha especial de crescimento, disse Luzia Inglês, a organização conta agora, a nível provincial, com 43.237 militantes, das quais 89 ingressaram no acto central realizado sábado.
A secretária provincial da OMA na Lunda-Sul, Verónica Josefa Chipengue,  disse que já começaram a trabalhar na actualização da estatística nominal, para cumprir com o que rege os estatutos da OMA, no que diz respeito ao limite máximo de uma secção de base, com o objectivo de caracterizar quem são, onde estão e o que fazem.
Josefa Chipengue prometeu empregar todas as sinergias e empenhar-se de uma forma séria e organizada no cumprimento das tarefas da Organização de formas a mantê-las ainda mais responsáveis e conscientes.
A OMA na província, adiantou Josefa Chipengue, continua a mobilizar as mulheres e suas famílias para actualização do registo eleitoral e fazer esclarecimentos sobre a importância do voto de formas a garantir a vitória do MPLA nas próximas eleições de 2012.
A prova deste crescimento também foi vista noutras províncias do país, com destaque para Moxico, onde 260 militantes ingressaram nas fileiras da Organização, no sábado passado. Na Lunda-Norte ingressaram 249, Kuando-Kubango 315, Kwanza-Sul 12 mil, Caxito 106, Benguela 1.248. No Cunene ingressaram 1.348, em Malange 200 mulheres.
Luzia Inglês disse que a campanha visa consciencializar a população para que saiba a importância do enquadramento na OMA e no partido. “A massa feminina do MPLA já tem mais de 40 anos de existência e para os desafios futuros precisa de um impulso de pessoas mais jovens e capacitadas politicamente para corresponder às suas obrigações, e permitir ao partido participar em eleições com êxito”, referiu.

Registo eleitoral

Luzia Inglês disse às militantes que a OMA tem uma grande responsabilidade política e “os desafios políticos são enormes para as dirigentes, no sentido de melhorar o quadro actual e garantir o número maior de mulheres a votarem nas eleições de 2012”.
A organização, referiu, assumiu um desafio. “Cada comité de base em função do número actual de militantes, deverá crescer nesta campanha o equivalente a 1+5, ou seja, cada militante deve recrutar mais cinco militantes no mínimo”, precisou.
Um dos objectivos da campanha é revitalizar as estruturas de base, fortalecendo-as com as novas militantes, e melhorar o seu funcionamento, actualizar a identificação dos membros, garantir a sua identificação e promover a adesão dos cidadãos nacionais maiores de 16 anos que aceitem e respeitem o programa e estatuto da organização.
As estratégias do partido MPLA de 2010 a 2011 estabelece a OMA como a organização feminina cujo objectivo é mobilizar, organizar e educar as mulheres, para a realização dos ideais políticos do partido. Actualmente a Organização da Mulher Angolana conta com 2.273.250 militantes em 38.312 secções de base.

Actividades sociais

Além do acto central durante a sua estada de 48 horas na província da Lunda-Sul, a secretária-geral da OMA visitou o centro materno infantil, onde entregou dois enxovais para dois bebés recém-nascidos no banco de urgência do hospital provincial de Saurimo.
Na maternidade provincial entregou medicamentos, cobertores e brinquedos. Nas instalações da direcção provincial da Assistência e Reinserção Social doou bens alimentares diversos.
Luzia Inglês visitou também as instalações do comité municipal do partido e da OMA em Saurimo, bem como manteve um encontro com o secretariado da comissão executiva do comité provincial do MPLA na província.
A secretária geral disse que não se podem esquecer das outras acções do programa aprovadas no V Congresso, como a luta contra a violência doméstica, a fome e a pobreza. “Vamos trabalhar em parceria com as estruturas do Executivo, igrejas e outras associações, no sentido de permitir a busca de soluções para os casos de violência doméstica”.
Luzia Inglês, que ofereceu uma ambulância ao hospital municipal de Cacolo, considerou o município como solo fértil para a prática da agricultura e aproveitou a ocasião para apelar as mulheres e a população em geral a desenvolverem acções de combate à fome e à pobreza no seio das famílias.
No que concerne a educação, Luzia Inglês advogou que a Organização deve realizar campanhas de esclarecimento junto das comunidades sobre as vantagens da mulher em saber ler e escrever. Já na saúde, defendeu a realização de campanhas de esclarecimento para os cuidados primários, apoiando as acções do Executivo.

 

Yara Simão | Lunda-Sul

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Yara Simão

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