Milhares de jovens receberam formação profissional

Director do centro comunitário
Director do centro comunitário

Movidos pelo desejo de aprender uma profissão para assim arranjarem emprego, todos os meses, centenas de jovens ingressam nos cursos técnicos e profissionais que são leccionados no Centro Comunitário da Juventude, localizado no bairro Bonde Chapéu, comuna da Camama, em Luanda. Dados da instituição indicam que, em cinco meses, mais de mil pessoas receberam formação.
Um novo horizonte se vislumbra na vida de Alberto Kapingana, de 18 anos e originário de uma família humilde que reside no bairro dos Guerrilheiros, comuna da Camama. Inscrito há pouco menos de duas semanas no curso de informática no Centro Comunitário da Juventude, reconhece que escolheu o curso em função da exigência que este representa na elaboração da candidatura a um emprego.
Em conversa com o Jornal de Angola, revelou que soube da existência do centro através da irmã mais nova e que, apesar de manter um contacto permanente com o computador, em quatro dias conseguiu aprender novas técnicas de manuseamento. Agora diz sentir-se melhor preparado para conseguir um emprego.
“Quando terminar o curso gostava de poder trabalhar para aperfeiçoar ainda mais os conhecimentos que tenho vindo a adquirir”, disse.
À semelhança dele, centenas de jovens desejosos em adquirir formação técnica ou profissional, na sua maioria oriundos de famílias com poucos recursos, pretendem ingressar nos cursos do centro, todos os meses.
O interesse por bolos e pelas suas decorações levou Regina Kamy a frequentar o curso de pastelaria naquele centro. Conta, sem vergonha, que falhou o ingresso na Faculdade, o que precipitou a sua opção em alargar o currículo com cursos profissionais. Para o provar, ostenta orgulhosamente os certificados de secretariado executivo, contabilidade geral e informática.
“Conseguir um emprego não é fácil, mas tenho fortalecido os meus conhecimentos e vou continuar a lutar por uma oportunidade”, disse Regina.

Enquanto esta não aparece, durante os 45 dias da formação, as atenções de Regina Kamy vão incidir na pastelaria.
“Convido todos os jovens a aderirem ao centro porque estou certa que aquilo que aprenderem aqui lhes será útil em algum momento da vida”, referiu.
Com o aproximar do horário de entrada no centro, quer seja o da manhã ou o da tarde, a porta das salas estão quase sempre apinhadas de gente. A má disposição tem pouco espaço, uma vez que a vontade de aprender ganha força e a motivação recupera o tempo perdido. Antes do sinal de entrada, os alunos, geralmente em grupos de oito a dez jovens, não param de fazer planos para o pós-curso.
É o caso de Tomás Valente que, acima de tudo, elogia a proximidade do centro com os diferentes bairros do município do Kilamba Kiaxi, a notável acalmia e a qualidade dos docentes.
Antes emprestado à vida de zungueiro a tempo inteiro, já passou por situações embaraçosas, envolvendo desentendimentos com colegas e fugas constantes aos efectivos da fiscalização.
Há dois meses, Tomás decidiu dar um novo rumo à sua vida, inscrevendo-se no curso de relações públicas no centro comunitário.
Apesar de timidamente ainda “zungar”, Tomás  referiu que, a partir da próxima semana, por conta de uma empresa, vai testar os conhecimentos aprendidos.
Inaugurado em Abril, o Centro Comunitário da Juventude é uma instituição pública afecta ao governo provincial de Luanda, e destina-se a albergar actividades desportivas, recreativas, culturais e formativas da juventude.

Objecto social

No quadro da execução das suas actividades, tem vindo a realizar acções formativas nos cursos de secretariado executivo, gestão de recursos humanos, informática, atendimento ao cliente, inglês, pedagogia, relações públicas, contabilidade geral, decoração, etiqueta e boas maneiras, recepção e protocolo, música, culinária e pastelaria.
O director da instituição revela que, desde a abertura do centro, o número de cursos sofreu um aumento considerável, passando dos quatro inicialmente existentes para os 14 actuais.
“Pensamos criar mais cursos para responder às necessidades dos jovens de formação profissional e de preparação para o emprego”, disse Salvador Juliano.
De acordo com a estatística do centro, entre Abril e Setembro do ano em curso, 1.021 pessoas receberam formação técnica e profissional, sendo o quarto e último ciclo, aquele que regista maior número de formandos.
“Creio que é muita gente formada em pouco tempo e estamos orgulhosos, sobretudo, porque o centro é novo e ainda desconhecido de muita gente”, realçou. Salvador Juliano disse que os cursos de informática e de contabilidade geral são os mais solicitados e adiantou que para o ingresso é fundamental que o interessado saiba ler e escrever.

Candidatos denotam aptidão

Isabel Laurentino lecciona no centro há três anos. Formadora de decoração, completa a lista restrita de 11 e praticamente não tem críticas a fazer ao desempenho dos formandos que teve de acompanhar.
“Já passaram por aqui alunos com excelente capacidade de aprendizagem, o que deixa qualquer formador feliz”, reconheceu, com alguma saudade.
A formadora lamenta apenas o desconhecimento, por parte de muitos jovens, da existência deste centro e a falta de acompanhamento pós-formação.
A par dos cursos destinados a jovens interessados em aprender uma profissão, está igualmente a ser administrado o curso de empreendedorismo e técnicas de melhoramento do desempenho laboral. Aliás, muitas pessoas que já trabalham recorrem ao centro em busca de apoio, para aperfeiçoarem as suas competências laborais e profissionais. É o caso de Madalena Pempa, que antes tinha imensas dificuldades no trabalho e que viu as coisas mudaram três semanas depois de frequentar as aulas de contabilidade geral, nas quais a componente prática foi determinante.
Hoje,Madalena diz sem receio que se tornou um elemento fundamental na empresa e com responsabilidades acrescidas.
Ainda em fase experimental, Juliano Salvador explicou que a instituição não tem qualquer convénio com empregadores para encaminhar os jovens formandos, mas admite que estão abertos a eventuais protocolos com empresas que se manifestem disponibilidade.
Além de reconhecer alguns avanços relativamente ao início, adiantou que está em perspectiva o aproveitamento do campo multiusos para a procura de talentos desportivos que, no futuro, possam reforçar as equipas federadas. A prioridade assenta, sobretudo, no xadrez e em modalidades colectivas.

Crescem as solicitações

A procura dos jovens tem sido muito positiva, de acordo com Juliano Salvador, que lamentou a inexistência de capacidade para responder a todas as solicitações.
“Temos notado muito interesse dos jovens em ter formação profissional e da nossa parte temos feito esforços no sentido de satisfazer essa procura”, assegurou.
A solicitação de inscrição para frequentar um dos cursos ali ministrados não se circunscreve apenas às pessoas residentes na comuna da Camama. Juliano Salvador adianta que a instituição  também têm recebido solicitações dos municípios de Viana, Samba e Cazenga.
Apesar dos muitos aspectos positivos, nem tudo é um mar de rosas e a escassez de salas é disso um exemplo, uma vez que só dispõe de duas: uma normal e outra de informática devidamente apetrechada. A primeira pode receber 30 alunos e a outra 25.
“A afluência de alunos tem crescido e por isso tivemos de abrir o anfiteatro e adaptar um gabinete de trabalho para aulas, tendo aumentado a capacidade diária para 260 pessoas, distribuídas pelos vários cursos”, disse  Juliano  Salvador, concluindo que o centro comunitário da juventude foi uma aposta ganha do governo de Luanda.

 

Adalberto Ceita

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Maria Augusta

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