Lukénya Gomes conquista lugar

Lukénya Gomes
Lukénya Gomes

Um “casting” da produtora “Semba Comunicação” descobriu Lukénya Gomes há cerca de cinco anos. O teste, denominado “Eu na TV”, procurava talentos para futuro ingresso na TPA2, como apresentadores e repórteres. Ela venceu, assim como outros dois concorrentes, num universo de candidatos que ultrapassava o milhar. Ontem, aspirante a apresentadora, hoje, a menina conduz um programa musical, que tem como pano de fundo entrevistas a cantores.
“Levanta o Som” – assim se denomina o programa, que passa aos domingos à noite, na TPA2 – começa, pois, a materializar o sonho de alguém que faz televisão porque aprendeu a gostar. Afinal, não era este o trabalho ao qual aspirava, quando mais nova.
“Sou uma pessoa muito curiosa e considero-me polivalente. Há coisas que acredito ser capaz de fazer, embora nunca tenha tentado. Gostaria muito de ser médica, fazer medicina. Mas depois ficou complicado. Queria ainda fazer contabilidade, mas o processo acabou, igualmente, inviabilizado”, conta Lukénya Gomes.
Ela diz que não ficou frustrada com estas adversidades que, ao contrário, a incentivaram para a luta. Respondeu, então, ao “casting” para televisão, embora a concorrência fosse apertada. Triunfou e é hoje a figura que muita gente conhece e admira. O gosto pelo trabalho nasceu de imediato, no contacto prático com a informação e a televisão, a seguir à formação em Portugal.
Televisão não é o que pretendia, de facto, mas é, actualmente, o que mais gosta de fazer. “Nunca foi um plano a longo prazo. Quando fiz o teste, foi como se estivesse a tentar uma vaga numa universidade estatal. Pensei assim: se der certo, tudo bem; se não der, paciência, pelo menos tinha tentado. Que ficasse para a próxima. Felizmente funcionou, tive sorte. Televisão é hoje algo que gosto de fazer, sobretudo, quando sinto que está a correr da melhor maneira.”
Cerca de dois anos mais tarde, lembra, começou, de facto, a ter a noção do que estava a fazer. No princípio, guiaram-na a curiosidade e os saberes empíricos. Mas, ao fim de várias reportagens e outros trabalhos, foi tendo uma ideia sobre como as coisas são e devem ser de facto. O gosto pelo trabalho de televisão veio, finalmente, quando ganhou responsabilidade e noção do que realmente estava a fazer.
Quando o integrou, há cerca de um ano, o “Levanta o Som” já tinha este formato. Portanto, ela não o criou, nem o escolheu. Foi escolhida pelo programa, como costuma admitir. “Ao fim desse tempo na televisão, as pessoas têm uma ideia sobre o formato de programa que se nos encaixa”, disse a apresentadora, que começou com reportagens para o “Flash”, “Bounce” e “Viagens”. Já fez, igualmente, trabalhos para o “Cine TV” e directos para o “Dia a-Dia”, todos na grelha da TPA2.

Lukénya Gomes esteve sempre ligada a programas de entretenimento, portanto, diferentes do que agora apresenta. Assim, ela encara o “Lavanta o Som” de outra forma. “Fui escolhida pelo programa e tenho, por isso, que fazer jus à escolha. Deste modo, encaro-o como mais um desafio”. Será que se tem saído bem? Ela acredita que sim; que tem, de certa maneira, correspondido às expectativas, quer nas entrevistas, quer nos outros trabalhos. Ainda assim, teme a palavra “crítica”, por considerá-la muito séria.
“Prefiro dizer opinião, que vem, geralmente, acompanhada de um elogio ou não”, explica. E o que faz com uma “opinião” detalha a seguir: “Se sentir que pode ajudar a melhorar o meu trabalho, acato; se vir que visa apenas ofender ou desmoralizar, não dou importância. Há opiniões que podem dar cabo do nosso trabalho. Procuro sempre retirar a parte positiva delas e ponho-a em prática”.
Lukénya Gomes está ainda muito longe de atingir o que aspira na televisão. “Falta muito, muito mesmo. Não se faz jornalismo, não se é apresentador ou repórter de sucesso em um, dois ou três anos.
O trabalho é feito toda a vida e a cada ano deves sentir o reconhecimento. As pessoas vão perceber o teu amadurecimento e isso é o mais importante”, avaliou.
Portanto, é para já muito prematuro falar em sucesso, o que só deve acontecer quando parar e disser “fiz carreira no meu trabalho. A realização, para mim, é fazer carreira e é com isso que sonho”.

Sorte em ser reconhecida

Lukénya Gomes admite que é figura pública. Aliás, também não tinha como negá-lo. Para ela, uma figura pública é reconhecida pelo trabalho que faz, independentemente da área, e é muito difícil corresponder ao que as pessoas esperam dela.
“Tenho a sorte em ser reconhecida, porque, se calhar, o meu trabalho tem sido positivo. Uma figura pública trabalha sob o olhar e a avaliação de toda a gente. É muito difícil. É um papel condicionante na nossa vida; é uma responsabilidade profissional e pessoal muito grande; é uma pressão constante. Por isso, é importante grande concentração e determinação, para que as coisas corram da melhor maneira. Não é fácil”, concluiu.
A condição de figura pública não a impede, contudo, de agir com naturalidade. Ela nunca se retrai em relação ao seu comportamento. Por exemplo, uma atitude pouco decente é, para ela, deixar de ser o que sempre foi, antes de entrar para a TPA2.
“É claro que não era uma figura pública e, por isso, há diferença. Quando comecei na televisão, passei a ser Lukénya Gomes. Obviamente, tenho de respeitar normas, porque acabamos por ser referência para muitas pessoas. Temos que primar por um comportamento exemplar. Mas não me retraio, quando confrontada com alguma situação; não paro para lembrar que sou figura pública e não devo comportar-me assim.”
A apresentadora reconhece que algumas situações obrigam a que pondere um pouco, por causa da figura que é. Mas isso nunca a impediu de se zangar seriamente, em determinadas situações. “Às vezes, algumas pessoas dizem que sou figura pública e que, por isso, parece mal fazer isso ou aquilo. Mas também tenho o direito de ser normal; de me aborrecer, de me zangar. Porque não?”, questionou-se.
Lukénya Gomes lembra-se de situações, para ela normais, mas que são mal interpretadas, quando envolvem figuras públicas. “Um sinal que nos fazem e de que não nos apercebemos pode ser interpretado como falta de modéstia. A pessoa chega ao nosso lado e diz ‘não ignores os teus fãs’. Na verdade, não foi nossa intenção. Portanto, algumas atitudes nossas, naturais, são mal interpretadas. Por isso, sendo ou não figura pública, levo a minha vida com muita tranquilidade.”
Igualmente tranquilos, ainda que marcantes, sãos os momentos que fazem a sua, por enquanto curta, trajectória. Todos os dias dela são marcantes, principalmente quando sente que fez algo que podia melhorar ou fazer diferente, tanto na vida pessoal, quanto na profissional. Ela recorda reportagens, factos e momentos que taxa como inesquecíveis, pois lhe deram motivação para seguir em frente.
“A entrevista a Sua excelência o Presidente da República, num dos seus aniversários; viagens com mais velhos, para gravar o “Mwzongué”, pelas províncias; entrevistas a pessoas que foram e continuam minhas referências e que agora me ensinam e me passam a sua experiência, enfim, ficam como marcos no meu trabalho.”

Caetano Júnior

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

 

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