Líderes europeus se mobilizam para discutir recapitalização dos bancos

A diretora-geral do FMI Christine Lagarde e o presidente francês Nicolas Sarkozy, deixando o palácio do Elisée
A diretora-geral do FMI Christine Lagarde e o presidente francês Nicolas Sarkozy, deixando o palácio do Elisée

Diante do risco cada vez mais iminente de recessão na zona do euro, e do rebaixamento da nota de classificação de risco da Itália e da Espanha nesta sexta-feira, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, reuniu-se neste sábado com o presidente francês, Nicolas Sarkozy no Palácio do Eliseu, em Paris. O encontro aconteceu na véspera da Cúpula franco-alemã, neste domingo, sobre a crise financeira no bloco.

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a diretora-geral do FMI Christine Lagarde conversaram durante mais de uma hora sobre a situação na zona do euro e os assuntos que serão debatidos na Cúpula do G-20, dias 3 e 4 de novembro em Cannes, na França, e no encontro entre os membros da zona do euro, dias 17 e 18 de outubro, em Bruxelas. Lagarde, que defendeu em agosto uma recapitalização dos bancos europeus, deixou o palácio do Eliseu sem dar declarações à imprensa.

Os encontros se multiplicam neste fim-de-semana na busca de soluções urgentes para a crise financeira que atinge o continente, diante do risco, cada vez mais palpável, de moratória da Grécia. Neste domingo, Sarkozy tem um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim, para discutir, entre outras questões, as modalidades de recapitalização dos bancos europeus e evitar uma nova crise no setor. A estimativa é que os bancos europeus precisem de uma injeção de capital de 100 billhões de euros.

Um dos objetivos da cúpula franco-alemã será o de detalhar as modalidades de recapitalização e superar as divergências existentes entre Sarkozy e Merkel sobre a questão, que envolve o acesso ao Fundo Europeu de Estabilização Europeu, criado em 2010 para ajudar os estados europeus em dificuldade. O governo alemão defende que apenas os países que enfrentam crises sérias, como Grécia e Portugal, utilizem o recurso, e suspeita que a França pretenda ter acesso ao Fundo para salvar seus bancos -o que os franceses desmentem.

A chanceler alemã já declarou ser favorável à injeção de capital nas instituições financeiras. O governo francês defende uma operação coordenada em nível europeu, e a Comissão Europeia também já indicou que está preparando uma proposta, que deverá ser apresentada nos próximos dias. Segundo a imprensa alemã, os cinco principais bancos franceses estariam dispostos a aceitar uma recapitalização estatal entre 10 e 15 bilhões de euros, desde que o Deutsche Bank, o principal banco alemão, também levantasse capital. Franceses e alemães também devem analisar a criação de um conselho econômico na zona do euro, que seria dirigido pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Agências rebaixam nota da Espanha e da Itália

A situação financeira, gerada pela crise dos déficits públicos e a a recessão grega, parece cada vez mais fora de controle. Nesta sexta-feira, a agência de classificação de riscos Fitch rebaixou as notas das dívidas da Espanha e da Itália. A nota Itália baixou em um nível ( AA- para A+), enquanto a Espanha passou de AA+ para AA-, o que equivale a perda de dois ‘degraus’ na classificação. Neste sábado, a agência Moody’s anunciou que também poderia rebaixar também a nota da Bélgica, por conta dos rumores envolvendo a falência do banco franco-belga Dexia.

 
Por Taissa Stivanin

Fonte: RFI

Fotografia: RFI

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