Jovens da Huíla abrem empresas

Centenas de jovens formados em construção civil estão hoje a trabalhar em várias obras actualmente em curso na província da Huíla
Centenas de jovens formados em construção civil estão hoje a trabalhar em várias obras actualmente em curso na província da Huíla

Nas mãos, António Mutungula e quatro companheiros transportam pequenas maletas de ferramentas, uma pá e duas réguas metálicas. É a rotina matinal de muitos jovens na cidade do Lubango, a execução de obras de construção civil de particulares, de empresas privadas, às vezes, até mesmo, públicas.
Andam na vida de empreiteiro há dois anos, após a conclusão, com êxito, de várias especialidades da construção civil nos pavilhões de artes e ofícios, escolas e centros de formação técnico-profissional.
A razão do grupo ser constituído por cinco elementos deve-se ao facto de dois serem pedreiros de profissão e os outros três terem formação em carpintaria, ladrilharia, electricidade e canalização.
António Mutungula, coordenador do quinteto, conta que se uniram para poderem “executar obras de construção civil que não exigem muita engenharia”.
“Estamos a ser bem sucedidos. Durante a construção de uma casa, primeiro entram em acção os pedreiros e os outros passam a ajudantes e, quando chega a vez do electricista, canalizador e carpinteiro, os outros também auxiliam”, disse António Mutungula.
Mutungula garante que executam as obras com “qualidade e rapidez” e que “os preços são sempre acessíveis”, mas que não revela o orçamento de um empreendimento “a qualquer um”. À insistência do repórter cede: “erguer uma casa T2, até a colocação do tecto, custa sete mil dólares, uma loja de 100 metros quadrados fica em dez mil e ainda se pode negociar”.
“Somos muito procurados por causa da metodologia aplicada na construção de uma obra”, orgulha-se, de satisfação estampada na cara, para depois continuar a revelar segredos do negócio e do êxito:

“Na construção de uma casa, o cliente paga os alicerces primeiro, depois o levantamento das paredes e por fim o tecto. Se houver interesse dele em continuar connosco, passamos ao orçamento da instalação eléctrica, canalização, reboque e outras obras”.

Chineses do Lubango

Celeridade, qualidade, disponibilidade e baixos preços praticados mereceram ao grupo a alcunha de “chineses do Lubango”. As razões estão à vista. Além de executarem obras na cidade do Lubango, também trabalham nos municípios, onde se integram nas empresas de construção civil que dão forma aos programas do Executivo.
O grupo conquistou fama no mercado huilano. Quando uma família de jovens, contemplada com um lote de terreno para autoconstrução dirigida, o primeiro nome que lhe ocorre é o destes “chineses” do Lubango.
Como o grupo de António Mutungula, dezenas de outros jovens empreiteiros, das terras da Chela e de vários pontos da província, constituíram-se em pequenas empresas de construção civil, embora também haja os que optaram por trabalhar em construtoras locais.
Francisco Pequeno, por exemplo, aprendeu serralharia, na Matala, num pavilhão de artes e ofícios do programa promovido pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social (MAPESS), e aperfeiçoou as técnicas de caixilharia de alumínio.
Pequeno salientou a importância de levar os pavilhões de artes e ofícios às sedes dos municípios para proporcionarem a jovens e adultos a aprendizagem de uma profissão e solucionarem o problema da falta de técnicos nas vilas.
“Os pavilhões em várias localidades da província e as escolas de formação técnico-profissional na Chibia, Lubango e Humpata dão oportunidades a jovens e adultos de aprender um oficios”, referiu.
Já temos muitos técnicos nas áreas de construção civil, designadamente serralheiros, carpinteiros, electricistas, canalizadores, projectistas, pedreiros e ladrilhadores.

Jovens formados

Os jovens, dos 18 aos 27 anos, ansiosos de aprenderem um ofício, que lhes permita ter uma profissão e algum rendimento, acorrem com frequência aos centros de formação técnico-profissional em funcionamento nos vários pontos da Huíla.
Dados  da direcção provincial do  Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança  Social (MAPESS) revelam que  frequentaram, com aproveitamento, os centros de formação técnico-profissionais públicos, 6.754 jovens, o que representa um ganho para as antigas e novas empresas, especialmente as de construção civil.
O presidente do conselho provincial da Juventude, Joaquim Tyova afirmou que a quantidade de empresas que absorve jovens qualificados aumenta dia a dia devido à criação de diversos projectos de impacto socioeconómico, entre os quais o Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza.
Dos jovens com formação profissional, estão empregados 2.945 e foram criados 257 micro empresas e 1.678 postos de trabalho.
Aos jovens que optaram por trabalhar por conta própria, a direcção do MAPESS distribuiu 590 kits de ferramentas.
O director da Juventude e Desportos da Huíla, Francisco Barros, afirmou, ao Jornal de Angola, que o Executivo desenvolve programas, cujo objectivo é resolver os problemas dos jovens nos domínios do emprego, habitação, formação académica e técnico profissional e ocupação dos tempos livres.
Francisco Barros confirmou que há na província 47 associações juvenis e estudantis e 32 comissões de jovens em plena actividade.
Dos mais de um milhão de jovens na Huíla, disse, 256.943 estão filiados em associações, onde são partilhadas ideias e analisados vários assuntos ligados às suas vidas e a contribuição que dão e podem dar para desenvolvimento do país.
Na província funcionam os centros comunitários juvenis da Chavola, na cidade do Lubango, da Palanca, na Humpata, e o da Cacula, que dispõem de condições para o lazer e actividades culturais e para  os jovens desenvolver pequenos negócios, entre outras actividades.

Humpata já é referência

As instituições que na província dão aos jovens formação, a curto e médio prazo, além dos pavilhões do MAPESS, são os centros da Missão Católica Estrela, da Mecanização, da Chibia e o Instituto Politécnico da Humpata.
Este último estabelecimento de ensino, construído pelo Executivo, que ministra, desde 2008, vários cursos, tem capacidade para receber mais de mil alunos. O imóvel, com um piso, tem 18 salas, laboratórios de instalações de máquinas eléctricas e de ensaio de materias de construção civil, oficina de electricidade geral e carpintaria.
No instituto, cujo imóvel está orçado em dez milhões de dólares, são ministrados cursos para técnicos de obras de construção civil e para técnicos de energia e de instalações eléctricas.
Os primeiros 132 técnicos médios de construção civil formados no instituto, disse a sua directora, trabalham em várias empresas públicas e privadas da província.
Constância dos Santos afirmou que a entrada destes técnicos no mercado de trabalho abre perspectivas, principalmente no sector da de construção civil, que passou a contar com pessoal qualificado.
O enquadramento de jovens no mercado de trabalho, referiu, é facilitado pela criação e funcionamento do gabinete de inserção na vida activa, que tem a colaboração das empresas privadas.
O gabinete tem a missão de estabelecer contactos com empresas dos ramos de formação para permitir o acesso dos alunos a estágios e a sua possível contratação.
A procura de talentos, sublinhou Constância dos Santos, é o principal propósito das empresas locais que concedem estágios a todos os finalistas daquela instituição.
Durante o estágio, garantiu Constância dos Santos, os alunos com boas qualidades profissionais são imediatamente enquadrados.
O Instituto Médio Politécnico da Humpata  tem, este ano lectivo,  inscritos  931 alunos, em diversas áreas de formação.

Estanislau Costa| Lubango

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: JA

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