Itália tenta convencer União Europeia de que pode conter déficit

Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, durante o encontro em Bruxelas.
Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, durante o encontro em Bruxelas.

Novo foco de preocupação da zona do euro, a Itália tenta dar garantias aos seus parceiros europeus que tem controle sobre sua dívida colossal de 1,9 trilhões de euros. Na terça-feira, o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, disse em comunicado que não há motivos para a Europa se preocupar com a dívida italiana. Mas seu governo enfrenta vários obstáculos para aprovar novas medidas de austeridade que reduzam o déficit.

A União Européia pede que até amanhã a Itália apresente fatos, cifras e datas certas para sair da crise. No entanto nesta quarta-feira, em Bruxelas, o primeiro ministro Silvio Berlusconi provavelmente vai se apresentar no Conselho Europeu com apenas uma declaração de intenções.

O rígido plano de austeridade recentemente aprovado não é suficiente. Até agora a Itália não apresentou nenhuma medida concreta para demonstrar que está fazendo de tudo para salvar a própria economia, que neste momento depende de decisões políticas. Mas o governo italiano está extremamente frágil, obtendo a confiança no parlamento por apenas um voto, segundo o humor dos aliados.

Na segunda-feira, a reunião dos ministros durou até a madrugada e não houve nenhum acordo sobre a aposentadoria. Berlusconi não conseguiu convencer o aliado Umberto Bossi, líder da Liga Norte, a aumentar de 65 para 67 anos a idade na qual é possível se aposentar. Trata-se de um tema sensível para a Liga Norte que já tem um grave precedente, pois em 1994 Umberto Bossi rompeu a aliança com o primeiro governo de Berlusconi por causa da reforma da aposentadoria.

A Itália tem um comportamento ambíguo, internamente debilitada, quer mostrar os músculos para a Europa, dizendo que não aceita ordens. No domingo passado, durante uma entrevista coletiva com a chanceler alemã, Ângela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, um jornalista perguntou se eles acreditavam que Berlusconi seria capaz de tomar decisões para sair da crise. Sarkozy e Merkel deram uma risada irônica antes de responder a pergunta. Os italianos se ofenderam porque a credibilidade do país provoca a ironia da Europa.

Berlusconi inverteu as cartas na mesa, ao invés de enfrentar os problemas da Itália, criticou o comportamento da Alemanha e da França. Na reunião do Conselho Europeu de amanhã, a Itália tem apenas uma certeza: Berlusconi não pode fazer em um dia o que não fez em três anos.

 

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Yves Herman

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