Fim da fome constitui direito à vida

Papa Bento XVI apelou à comunidade internacional que intervenha a médio e longo prazo para acabar com o sofrimento dos afectados
Papa Bento XVI apelou à comunidade internacional que intervenha a médio e longo prazo para acabar com o sofrimento dos afectados

O papa Bento XVI afirmou na na 31ª Jornada mundial da alimentação, em Roma, que acabar com a fome “é um direito à vida” e que esta meta “ainda está muito longe” de ser alcançada.
“A libertação da submissão à fome é a primeira manifestação concreta do direito à vida, que, apesar de ter sido proclamada solenemente “está muito longe de ser alcançada”, disse na segunda-feira o líder da Igreja Católica.
Em alusão às vítimas da crise de fome que assola o Corno de África, o Papa afirmou que as imagens dos assolados pela fome “ficaram gravadas nos nossos olhos” e “a cada dia, mais um capítulo é somado nesta catástrofe humanitária mais grave dos últimos anos”.
O sumo pontífice pediu às organizações de ajuda internacional que não se limitem ao imediatismo nos casos de emergência e que intervenham a médio e longo prazo para acabar com o sofrimento das populações afectadas.
Bento XVI defendeu o trabalho agrícola como “o objectivo de toda a estratégia de crescimento e desenvolvimento integral” e denunciou o contínuo abandono das áreas rurais, “com uma diminuição global da produção agrícola e das reservas alimentares”.
Apesar de vivermos numa dimensão global, referiu o papa, “existem sinais evidentes de profunda divisão entre os que precisam do sustento quotidiano e os que dispõem de recursos de sobra, usando-os frequentemente com motivações alheias à alimentação e, inclusive, destruindo-os”.  Diante do tamanho do drama da fome, o papa Bento XVI afirmou que “não basta convidar à reflexão e analisar os problemas”.
Em relação à Jornada da Alimentação,  o líder da Igreja Católica afirmou que o evento deve modificar as condutas e decisões e garantir que todas as pessoas tenham acesso a recursos alimentares necessários e que o sector agrícola disponha de mais  investimentos e recursos capazes de dar estabilidade à produção e ao mercado alimentar.  O papa adiantou que tais medidas devem ser válidas para as gerações futuras e devem dar primazia “à sustentabilidade, à tutela dos bens de criação, à distribuição dos recursos e, principalmente, ao compromisso concreto pelo desenvolvimento dos povos e das nações”. O director-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sublinhou que “aproximadamente mil milhões de pessoas estão a sofrer com a fome, o que representa um sétimo da população mundial”. Jacques Diouf pediu à comunidade internacional mais transparência nos mercados de alimentos no mundo e que os governos invistam 80 mil milhões de dólares por ano na agricultura para aumentar a produção e as reservas até 2050. Para o  líder da FAO, a volatilidade dos preços dos alimentos “levanta a questão sobre um direito fundamental, o direito à alimentação”.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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