Filho de Kadafi estaria negociando rendição com a Corte Penal Internacional

Seif al-Islam
Seif al-Islam

O procurador da Corte Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, disse nesta sexta-feira que está em contato com Seif Al-Islam, filho do ex-ditador Mouammar Kadhafi, acusado de crimes contra a humanidade. Segundo o procurador da Corte Penal Internacional, a negociação está sendo feita através de intermediários.

O tribunal indicou que, caso Seif al-Islam aceite a rendição, terá direito a um julgamento e beneficiará da presunção inocência, “sendo considerado inocente até provem o contrário”, diz o comunicado. De acordo com Ocampo, os mercenários que acompanham Seif al-Islam teriam sugerido que ele fosse conduzido a um país africano que não seja signatário do tratado de Roma, e não reconhecem a Corte Penal Internacional. Desta forma, a CPI  não descarta a possibilidade de interceptar qualquer avião no espaço aéreo de um país que não tenha assinado o tratado, para prender o filho do ex-ditador.

Segundo um responsável do CNT, entrevistado pela agência de notícias AFP, o Conselho Nacional de Transição Líbio, o filho de Kadafi e o chefe do serviço secreto líbio, Abdallah al Senoussi, já estariam no Níger. Seif al-Islam está interessado em negociar sua rendição, mas não saberia como proceder. O representante das autoridades líbia declarou que existe um contato com o Mali, a África do Sul ou um outro país vizinho para organizar a saída do herdeiro do ditador.

Tido como “reformista”, Seif al-Islam era considerado o successor de Kadafi. Formado na London School, ele chegou a obter uma certa notoriedade na cena internacional negociando a libertação das enfermeiras búlgaras, em 2007, e a indenização das vítimas do atentado de Lockerbie. Mas no início da guerra civil na Líbia, em fevereiro, declarando que estava pronto para um ‘banho de sangue’ para manter seu pai no poder, essa imagem progressista logo se revelou uma farsa.

OTAN coloca fim na missão na Líbia

A OTAN anunciou nesta sexta-feira o fim da operação de sete meses na Líbia. De acordo com o secretário-geral da Organização, Anders Fogh Rasmussen, “a missão militar terminou, encerramos o mandato histórico das Nações Unidas para proteger o povo da Líbia”, acrescentando que a operação “é uma das mais bem-sucedidas da história da OTAN.” Segundo ele, as autoridades líbias “agora terão muito trabalho pela frente, para construir um novo país baseado na reconciliação, nos direitos humanos e em um estado de direito.”

 

Taíssa Stivanin

Fonte: RFI

Foto: Reuters

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