Feira Internacional de Belgrado homenageia a língua portuguesa

Escritor Mia Couto lembrou domingo em Belgrado que a língua portuguesa serviu de troca entre diferentes culturas
Escritor Mia Couto lembrou domingo em Belgrado que a língua portuguesa serviu de troca entre diferentes culturas

A 56ª edição da Feira Internacional de Livro de Belgrado, subordinada ao tema “uma língua, várias culturas”, abriu, no domingo, com uma homenagem ao português e aos países que o usam na comunicação quotidiana.
Mia Couto, na cerimónia de abertura, lembrou que a língua portuguesa serviu de troca entre diferentes culturas e ajudou a fundar as identidades nacionais.
“O português é o idioma oficial de oito países, designadamente Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo que mais de 200 milhões falam e amam a mesma língua”, referiu.
Maria Eugenia Neto, escritora e viúva do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, considerou interessante a homenagem à língua portuguesa, pois é uma maneira de unir os povos falantes desse idioma.
A conselheira da Embaixada de Portugal na Servia, Helena Bicho, disse ter ficado orgulhosa por a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) estar representada na feira de Belgrado, sobretudo Angola, Brasil e Portugal que se empenharam neste processo.
Arthur Nogueira, ministro conselheiro do Brasil, declarou que a divulgação dos escritores de língua oficial portuguesa na Sérvia é interessante, pois permite que os sérvios conheçam a cultura dos membros da CPLP.
A língua portuguesa não tem penetração nos Balcãs em geral e esta iniciativa, disse, vai dar-lhe outra visibilidade na região. “Esperamos também, desejou, que os nossos cidadãos, no futuro, possam conhecer melhor o povo dos Balcãs”. A feira, que termina no dia 30, contempla, além da exposição de livros, conferências e contactos com os escritores da língua portuguesa.

Agostinho Neto, Pepetela, Luandino Vieira, João Maimona, Roderick Nehone e Cremilda de Lima são os eescritores angolanos representados na feira.
A par do Brasil e de Portugal, Angola participa na feira como convidado de honra, com uma delegação chefiada pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, da qual fazem parte os escritores Abreu Paxe, António Fonseca e Cremilda de Lima.

Homenagem a Neto

A ministra da Cultura depositou, no domingo, em Belgrado, uma coroa de flores num marco que homenageia o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto. A ministra Rosa Cruz e Silva, acompanhada de Maria Eugénia Neto e do embaixador de Angola na Sérvia, Toko Serão, leu os dizeres gravados no marco, situado na avenida que também tem o nome do primeiro Presidente de Angola.
“António Agostinho Neto, doutor e poeta, primeiro Presidente de Angola, presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA, líder da luta armada de libertação de Angola”, lê-se no marco.   Rosa Cruz e Silva afirmou que, apesar de ainda não estar colocado o busto do primeiro Presidente de Angola, a estrutura, onde se descreve um pouco da biografia do herói nacional, dá a conhecer ao povo sérvio quem foi Agostinho Neto.
A ministra referiu que, uma vez que a avenida tem também o nome de Agostinho Neto, “não há como não felicitar a construção da estrutura em homenagem ao poeta”.
“Temos, em Belgrado, um sinal de uma das figuras do processo de libertação nacional, assim como há em Angola uma avenida que se chama Broz Tito, que foi Presidente da Jugoslávia”, recordou, sublinhando:  “Isso corresponde à vontade dos povos de estarem juntos nesta longa caminhada para o progresso”.
Sobre Feira Internacional do Livro de Belgrado, disse estar grata por ter sido escolhida a língua portuguesa, que vai permitir reforçar os laços de cooperação com os outros países que, além de Portugal e do Brasil, participam na iniciativa.
“Trouxemos autores e livros e fizemos algumas traduções para a língua sérvia para projectar a literatura angolana”, concluiu.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: DR

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