Empresários nacionais estão pessimistas

A percepção dos empresários angolanos sobre a envolvente de negócios
A percepção dos empresários angolanos sobre a envolvente de negócios

A percepção dos empresários angolanos sobre a envolvente de negócios, expressa na evolução dos principais indicadores relativos à situação económica, social e política, assim como outros que não se enquadram estritamente nestas categorias, degradou-se sensivelmente nos dois primeiros trimestres deste ano relativamente aos dois últimos trimestres de 2010, revela o Barómetro de Conjuntura elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN). Nos dois derradeiros do último ano o índice sintético global do barómetro havia registado os valores mais elevados desde que fora lançado em 2006. A opinião dos empresários inquiridos no âmbito do barómetro piora mesmo, em termos globais, do primeiro para o segundo trimestre de 2011, passando o índice geral de 0,24525 nos três primeiros meses para – 0,29 nos três meses seguintes.

Em qualquer dos períodos, dos três indicadores em apreciação, é o relativo à situação económica o que apresenta pior valoração. Com efeito, recebe, nos três primeiros meses do ano, uma pontuação ponderada de – 0,43, ao passo que no 2o trimestre regista um valor de – 0,478.

Situação política e social foge à regra Em qualquer dos trimestres, quer o indicador respeitante à situação social quer o relativo à estabilidade política merecem dos empresários inquiridos uma apreciação positiva: 0,13 e 0,17625, respectivamente no 1o trimestre e 0,13875 e 0,16875 no segundo. Assim, o indicador que apresenta uma melhor valoração é o relativo à estabilidade política, embora o respeitante à estabilidade social seja o único a progredir.

Numa análise mais longa da evolução do barómetro constatase que, desde o seu lançamento, em Maio de 2006, registou valores positivos, ainda que abaixo da unidade, entre Agosto de 2006 e Março de 2009, mês em que regressou, à semelhança do trimestre em que foi lançado, a uma pontuação negativa, registando o seu pior valor em Março e Junho de 2010 (1,65575 e – 1,52, respectivamente), para depois “disparar” para uma pontuação francamente positiva nos derradeiros trimestres do último ano (6,0455 em Setembro e 6,062 em Dezembro), para tornar a valores ligeiramente negativos, como se referiu, nos dois primeiros trimestres do corrente ano.

Cada um dos indicadores do barómetro sujeita-se a quatro parâmetros de respostas (‘muito positivamente’, ‘pouco positivamente’, ‘indiferente’, ‘pouco negativamente’, ‘muito negativamente’), a que se acrescentam as ‘sem resposta’.

De referir ainda que o indicador sintético da situação económica resulta da ponderação de vários indicadores considerados relevantes, a saber: inflação, taxas de juro activas, taxas de câmbio, acesso ao crédito interno, acesso ao crédito externo, imposto sobre a actividade económica, incentivos fiscais, incentivos aduaneiros, acesso à aquisição de divisas, transferências de divisas para o estrangeiro, salários (custo), energia (custo) e água (custo).

A maior concentração de respostas verifica-se, no que respeita ao barómetro relativo aos dois primeiros trimestres deste ano, nos inquiridos que se mostram ‘indiferentes’ à evolução da situação económica. No primeiro trimestre, 371 inquiridos consideram que a evolução dos indicadores da situação económica foi ligeiramente negativa, 134 classificam-na como ligeiramente positiva, 87 como muito positiva, 76 como muito negativa, sendo que 52 não responderam.

No segundo trimestre do ano, a situação não se alterou substantivamente: 634 inquiridos mostram-se ‘indiferentes’, 390 consideram que a evolução dos indicadores da situação económica foi pouco negativa, 139 classificam-na como pouco positiva, 84 como muito positiva, 78 como muito negativa e 53 não responderam.

No conjunto dos indicadores económicos considerados aquele que merece uma apreciação mais positiva é o relativo à taxa de câmbio (em qualquer dos trimestres em análise), salientando-se, no primeiro trimestre, a valoração positiva feita da evolução das taxas de juro activas. Salvaguarde-se, em todo o caso, que tal não significa uma percepção globalmente positiva destes indicadores. Pelo contrário. Em qualquer dos trimestres em apreço o que prevalece é uma apreciação ligeiramente negativa, tanto das taxas de câmbio como das taxas de juro activas.

As transferências de divisas para o estrangeiro, os custos salariais e os custos energéticos apresentam um saldo de respostas claramente negativo.

Também o indicador inflação regista uma apreciação francamente desfavorável: 52 respostas negativas contra 21 positivas no primeiro trimestre e 58 respostas negativas contra 22 positivas no segundo trimestre.

Também para um plano negativo são remetidos, em qualquer dos períodos em causa, os indicadores relativos ao acesso ao crédito interno e externo, aos impostos que incidem sobre a actividade económica, aos incentivos fiscais e ao custo da água.

Poder de compra ‘progride’

A percepção da situação social, além de ser positiva, melhora ligeiramente do primeiro para o segundo trimestre. Já a estabilidade política, embora concitando um menor número de respostas positivas do primeiro para o segundo trimestre (90 contra 88), regista menos apreciações desfavoráveis no segundo trimestre.

Entre os ‘outros’ indicadores tidos em conta refira-se que a obtenção de vistos, os trâmites legais, a burocracia e a eficiência das instituições merecem dos inquiridos uma apreciação claramente negativa. Curiosamente, a valoração do indicador ‘poder de compra’ regista um ligeiro progresso entre os dois trimestres (48 respostas positivas no primeiro, contra 54 no segundo), assim como o indicador ‘recrutamento de pessoal qualificado’ (47 respostas positivas no primeiro trimestre contra 55 no segundo).

As respostas constantes no barómetro foram recolhidas, em qualquer dos trimestres considerados, junto de 106 empresas dos sectores financeiro, da construção civil, industrial, imobiliário, comércio geral (alimentação, vestuário, electrodomésticos), hotelaria e turismo, transporte, prestação de serviços e saúde. Estas empresas foram classificadas segundo os parâmetros ‘número de empregados’ (de 10 a 75; de 76  a 250 e mais de 250) e‘volume de negócios’ (menos de USD 200.000, entre USD 200.000 e USD 1.200.000 e mais de USD 1.200.000).

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Luís Faria
Fonte: O País
Foto: O País

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