Dívida da Itália e de Espanha pode ser comprada pelo FMI

Merkel com Durão Barroso depois de uma visita à Comissão e ao Parlamento Europeu
Merkel com Durão Barroso depois de uma visita à Comissão e ao Parlamento Europeu

O Fundo Monetário Internacional (FMI) admite comprar a dívida da Espanha e da Itália nos mercados secundário ou primário, em conjunto com o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, para ajudar à recuperação da confiança na Zona Euro, anunciou ontem o director da instituição na Europa, o português António Borges.
Para isso, o FMI poderá criar um veículo de titularização (Special Purpose Vehicle), cita a agência noticiosa Reuters.
“É absolutamente importante restabelecer a confiança da Espanha e da Itália nos mercados de dívida por parte dos investidores. Devemos persuadi-los de que faz sentido continuarem a comprar dívida destes países”, explicou o economista.
António Borges frisou que a situação de Espanha e de Itália é diferente da que atravessam os países já resgatados, como Portugal e Irlanda, e principalmente da Grécia. Para o responsável do FMI na Europa, o grande problema de Madrid e de Roma é que estão a ser vítimas da actual aversão dos mercados ao risco.
Entretanto, Portugal foi citado por Angela Merkel, a chanceler alemã, como o exemplo de um país que conseguiu reconquistar a confiança dos mercados financeiros pelo facto de ter aplicado as medidas de consolidação orçamental com que se comprometeu.
Merkel, que falava aos jornalistas depois de uma visita à Comissão Europeia e ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, afirmou que “a Itália tem de cumprir os compromissos que assumiu” em termos de saneamento das finanças públicas, sobretudo depois de ter sofrido uma degradação da sua notação financeira na terça-feira pela agência Moody’s. “Qualquer país europeu reconquistará a confiança dos mercados – vimo-lo com Portugal – quando as medidas decididas são efectivamente aplicadas”, sublinhou.
A chanceler alemã defendeu igualmente que o Tratado da União Europeia (UE) poderá ter de ser alterado para reforçar a coordenação económica dos países do euro. “Se falamos de mais Europa, de um maior compromisso com a Europa e de maior capacidade de acção da Europa temos de assegurar que as condições (…) são definidas no Tratado”, enfatizou.

Merkel defendeu ainda que poderá ser necessário os países europeus procederem ao reforço do capital dos seus bancos “caso se constate que não estão suficientemente capitalizados”. Este processo, defendeu, deverá ser levado a cabo com base em “critérios comuns” a nível europeu e concretizado rapidamente.
Tendo em vista os mercados financeiros, “é preciso avançar depressa”, insistiu, frisando que está disposta a fazer o que for necessário com os bancos alemães. Esta questão, disse ainda, deverá ser discutida pelos líderes europeus na sua próxima cimeira, dias 17 e 18 de Outubro.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

DEIXE UMA RESPOSTA