Controvérsia sobre morte de Kadafi não impede celebrações

Pessoas comemoram nas ruas de Trípoli o anúncio da morte de Muammar Kadafi.
Pessoas comemoram nas ruas de Trípoli o anúncio da morte de Muammar Kadafi.

A controvérsia sobre as circunstâncias da morte de Muammar Kadafi não impede as celebrações nas ruas da capital Trípoli. A sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos, começou marcada por comemorações que se prolongaram durante boa parte da madrugada, nas principais cidades da Líbia.

Em Trípoli, milhares de jovens festejaram até tarde na praça dos Mártires, usando fogos de artifício e disparando rajadas de metralhadoras e tiros de baterias antiaéreas. A euforia pela morte de Kadafi, emboscado na quinta-feira por um bombardeio da OTAN e por um assalto dos rebeldes, não deixou espaço para que os líbios questionassem o Conselho Nacional de Transição (CNT) sobre as circunstâncias da morte do ex-ditador.

Há suspeitas de que Kadafi tenha sido sumariamente executado, o que seria um crime de guerra. Já os vídeos amadores, publicados no Youtube, mostraram o ex-líder líbio vivo e capturado pelos rebeldes. Segundo o primeiro-ministro líbio, houve novos confrontos entre rebeldes e forças leais ao antigo regime após a prisão de Kadafi e os médicos legistas não teriam sido capazes de identificar a origem dos disparos que causaram a sua morte.

A rigor, o caso poderia ser transformado em uma investigação por crimes de guerra, mas a população líbia e o governo não parecem interessados na investigação e preferem virar a página do regime que perdurou por 42 anos. Prova disso é que os corpos de Kadafi e de Muatassim, seu filho, devem ser sepultados hoje em segredo em Misrata.

 

Andrei Netto, enviado especial do jornal O Estado de São Paulo a Misrata e Trípoli, em participação especial para a RFI.

Fonte: RFI

Foto: AFP/Mahmud Turkia

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