Confrontos ameaçam trégua entre Israel e palestinos

Militantes do Jihad islâmico participam neste domingo do funeral de colegas mortos em um ataque aéreo israelense na Faixa de Gaza.
Militantes do Jihad islâmico participam neste domingo do funeral de colegas mortos em um ataque aéreo israelense na Faixa de Gaza.

Um combatante palestino foi morto e outro ficou seriamente feriado em um ataque aéreo israelense na Faixa de Gaza na tarde deste domingo, poucas horas após o restabelecimento de uma frágil trégua entre Israel e as organizações paramilitares de Gaza.

Os dois homens eram membros do braço militar da Frente democrática de libertação da Palestina, uma pequena organização nacionalista de extrema-esquerda. O exército israelense confirmou que um avião havia visado “um comando terrorista que se preparava para lançar mísseis contra Israel” a leste de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

Neste sábado outros nove palestinos, ativistas do grupo radical Jihad islâmico, já haviam morrido em ataques aéreos realizados pelo exército de Israel. Um israelense morreu no sul do país vítima de mísseis vindos da Faixa de Gaza. Esses confrontos são os mais violentos desde a instauração de uma trégua entre Israel e as organizações paramilitares palestinas, no final de agosto.

Na manhã de hoje, os movimentos palestinos de Gaza se comprometeram a restabelecer o cessar-fogo, graças à intervenção dos serviços de inteligência egípcios. Um porta-voz do Jihad islâmico, Daoub Chahad, afirmou que o grupo vai respeitar os esforços egípcios pela paz mas se reserva o direito de responder a todo aumento da violência por parte de Israel. Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou que “não há cessar-fogo”. Em um comunicado, ele prometeu “que o outro lado pagará um preço ainda mais caro que agora até que pare de atirar”.

A explosão de violência começou ontem à tarde, quando um ataque aéreo israelense matou cinco militantes do Jihad Islâmico em um campo de treinamento no sul da Faixa de Gaza. Os palestinos responderam com tiros de mísseis, o que provocou novos ataques aéreos.

Este é o primeiro confronto mortal desde que o soldado Gilad Shalit, detido na Faixa de Gaza por mais de cinco anos, foi solto no dia 18 de outubro em troca da libertação de 477 prisioneiros palestinos.

Reação internacional

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse hoje em um comunicado que está “muito preocupada” devido às novas trocas de tiros entre Israel e a Faixa de Gaza, e condenou aqueles que atiram contra alvos civis.

Já o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, fez ontem um apelo por calma e “pelo fim da violência e do banho de sangue”.

 

Fonte: RFI

Foto: Reuters

 

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