Comitê aprova recomendação de um estado palestino na Unesco

Os palestinos obtiveram uma primeira vitória diplomática em sua campanha para o reconhecimento internacional de um Estado
Os palestinos obtiveram uma primeira vitória diplomática em sua campanha para o reconhecimento internacional de um Estado

Os palestinos obtiveram uma primeira vitória diplomática em sua campanha para o reconhecimento internacional de um Estado com a aprovação de uma recomendação na Unesco para a adesão plena da Palestina como membro da Organização. Segundo fontes da Unesco, o comitê executivo aprovou, com uma ampla maioria – 40 de um total de 58 votos – , uma recomendação para reconhecer a Palestina como um estado da Organização da ONU para Educação, Ciências e Cultura.

Quatro países votaram contra, entre eles os Estados Unidos, e 14 se abstiveram, incluindo França e Espanha. A recomendação, que teve iniciativa de um grupo de países árabes, vai ser submetida no final do mês para aprovação da Conferência Geral da Unesco.

Para que os palestinos obtenham o status de um país-membro da instituição, a recomendação deverá ser aprovada por dois terços dos 193 países que compõem a Unesco. A votação está prevista na Conferência programada entre os dias 25 de outubro e 10 de novembro na sede da organização, em Paris.

Atualmente os palestinos tem o status de observador na Unesco. A aprovação da recomendação do comitê executivo teria um impacto muito forte simbolicamente já que os palestinos encaminharam um pedido de adesão à ONU  junto ao Conselho de Segurança. Os Estados Unidos já ameaçaram usar seu direito à veto no Conselho para a iniciativa.

Reações

Logo após o voto do comitê executivo, os americanos já começaram uma campanha contra o projeto de reconhecimento de um estado palestino na Organização da ONU. “ Os Estados Unidos apelam para todas as delegações a se unirem aos Estados Unidos e votarem “não” a esta recomendação”, declarou o embaixador americano junto à Unesco, David Killion, em um comunicado publicado no site internet da delegação.

Segundo Killion, a iniciativa é “inapropriada” e ele alertou para o fato de que o pedido “pode abalar gravemente a capacidade da organização de levar adiante seu mandato”.

Israel criticou duramente o pedido palestino na Unesco considerando que a iniciativa rejeita ao mesmo tempo as negociações bilaterais e a proposta do quarteto (União Europeia, Rússia, Estados Unidos e ONU) de prosseguir o processo diplomático. “As ações (dos palestinos) são uma resposta negativa aos esforços de Israel e da comunidade internacional de promover o processo de paz”, declarou em comunicado o ministério israelense das Relações Exteriores.

Antes mesmo da votação pelo comitê executivo, a França julgou o pedido de uma adesão palestina à Unesco como “prematura”, considerando que o momento atual é o de concentrar esforços na retomada das negociações de um acordo de paz com Israel.

O governo espanhol defende um adiamento da votação, mas declarou que vai votar a favor da recomendação do comitê executivo da Unesco.

A mudança de status na Unesco permitiria aos palestinos entrarem com pedidos de reconhecimento como Patrimônio Mundial da Humanidade de determinados locais e monumentos de seus territórios. Na lista de pedidos dos palestinos estariam Belém, cidade onde nasceu Cristo, e o Túmulo dos Patriarcas, ambos na Cisjordânia.

 

Fonte: RFI

Foto: RFI

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