CNT proclama a libertação total da Líbia após a morte de Kadafi

População líbia celebra a libertação total do país.
População líbia celebra a libertação total do país.

As novas autoridades líbias proclamaram, neste domingo, a libertação total do país, abrindo caminho para a formação de um governo encarregado de administrar a transição após 42 anos do regime de Muammar Kadafi. No entanto, o anúncio foi ofuscado pela polêmica sobre as circunstâncias da morte do ditador.

A proclamação foi feita pelo vice-presidente da Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdel Hafez Ghoga, durante uma cerimônia na praça central de Bengazi. “Levantem suas cabeças. Vocês são líbios livres”, disse ele diante da multidão.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) esperava a tomada de Sirte, último bastião pro-Kadafi, qua caiu na ultima quinta-feira, para declarar a “liberação total” do país, condição necessária para o início das negociações para a formação de um novo governo de transição. Segundo documento publicado em setembro, o CNT prevê a formação de um governo de transição um mês depois do anúncio da libertação.

Mahmoud Jibril, primeiro-ministro do CNT (Conselho Nacional de Transição) líbio, disse no sábado que o país deve ter uma eleição no prazo máximo de oito meses para constituir um Congresso, que será responsável por redigir uma constituição e formar um governo provisório. O primeiro-ministro líbio confirmou que vai pedir demissão de suas funções. Ele havia prometido há alguns meses deixar o cargo quando a Líbia fosse totalmente libertada.

Polêmica persiste

No entanto, o anúncio oficial da libertação do país quase foi ofuscada pela polêmica sobre as circusntâncias da morte de Muammar Kadafi. “O novo governo líbio deve entender que sua reputação no mundo ficou um pouco ofuscada pelo que aconteceu”, declarou o ministro britânico da Defesa Philip Hammond em uma entrevista neste domingo. “Estou seguro que vão tentar (o CNT) esclarecer tudo isso para recuperar sua reputação”, completou.

Segundo Mahmoud Jibril, o número dois do CNT, uma autópsia realizada neste domingo no cadáver do presidente concluiu que Kadafi foi morto com uma bala na cabeça durante uma troca de tiros à caminho do hospital. “Nós gostaríamos de ter visto o coronel Kadafi perante a justiça responder por seus erros, não somente na Líbia, mas também pelos inúmeros atos de terrorismo que sustentou e cometeu fora da Líbia, e nos quais, nós britânicos tivemos uma quantidade desproporcional de vítimas”, disse Philip Hammond.

O ministro fazia referência, em particular, ao atentado de Lockerbie que causou 270 mortos em 1988 e a morte da policial Yvonne Fletcher, morto por um tiro disparado na embaixada da Líbia em Londres em 1984.

 

Fonte: RFI

Foto: Reuters

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