Capenda Camulemba renasce dos escombros

Estrada Nacional 230 que liga as províncias do litoral ao Leste do país passando pelo município de Capenda Camulemba
Estrada Nacional 230 que liga as províncias do litoral ao Leste do país passando pelo município de Capenda Camulemba

O município de Capenda Camulemba, província da Lunda-Norte, depois de muito adormecido, começa a se refazer dos escombros a que foi submetida durante o conflito armado que o país viveu durante muito tempo. Hoje são visíveis ecos do desenvolvimento com a construção de várias infra-estruturas sociais como escolas, centros de saúde, residências para os médicos, enfermeiros, casas para juventude e o relançamento económico.
A cobertura sanitária do município de Capenda Camulemba é constituída por um centro de saúde e dois postos médicos localizados na comuna do Xinge e na localidade do Muanga.
O administrador municipal Jorge Sassupi garantiu ao Jornal de Angola, que actividade sanitária é assegurada por um médico de nacionalidade vietnamita e 26 enfermeiros de várias especialidades.
Acrescentou que o município de Capenda Camulemba vai necessitar de mais médicos e enfermeiros nas especialidades de pediatria, clínica geral e geneco-obstetrícia para colmatar essa carência.
“As acções do governo provincial estão incidir na construção de residências para os enfermeiros”, disse o administrador municipal que acrescentou estar em construção dois Centros de Saúde funcionais nas localidades de Muxinda, Xamiquelengue e um posto médico em Cangola.
“Essa obra encontra-se em fase de acabamento aguardando apenas o seu apetrechamento”, disse, Jorge Sassupi, reconhecendo existirem problemas de abastecimento de medicamentos ao centro de saúde.
“Os fármacos são abastecidos regularmente pela direcção provincial de saúde”, referiu.

Jorge Sassupi realçou que as principais patologias que afectam a população são a malária, tuberculose, diarreia aguda.

Sector da educação

O administrador municipal garantiu que a cobertura escolar está minimamente organizada. Existem no município 15 escolas. Para o presente ano lectivo foram matriculados seis mil 480 alunos.
Jorge Sassupi disse que as aulas vão da primeira até a 9ª classe. Os alunos depois de concluírem a 9ª classe são obrigados a deslocarem ao município vizinho do Cuango para darem continuidade aos estudos por falta de uma instituição escolar do IIº ciclo. A administração municipal, acrescentou, está a trabalhar com vista a criação de algumas salas anexas para leccionar as classes da 10ª à 12ª.
“Isso para colmatar o sofrimento dos estudantes que tem que abandonar a família para irem dar continuidade aos estudos”, precisou Jorge Sassupi que, garantiu já estarem mobilizados os professores para leccionarem essas classes.
“Como sabem a grande preocupação reside na falta de casas para os professores estamos a construir quatro residências para albergar esses técnicos”, disse.

Energia e água

O fornecimento de energia eléctrica a sede municipal de Capenda Camulemba é assegurado através de grupos de geradores. “Nas sedes do município e das comunas nunca faltaram energia eléctrica”, garantiu administrador municipal de Capenda Camulemba
Quanto a distribuição da água potável, existe um empresário que está a trabalhar na substituição da rede domiciliária por se encontrarem em obsoleto.
“Na sede municipal água nunca deixou de jorrar nas torneiras”, disse Jorge Sassupi que anunciou existir um projecto que visa levar água aos bairros periféricos do município.
O administrador municipal sublinhou com a expansão da rede de distribuição a água vai chegar a quatro mil residências, isto porque “a subestação de tratamento vai igualmente ser ampliada e para o próximo ano está projectada a conclusão das obras de expansão da rede domiciliária de distribuição de água potável a sede municipal de Capenda Camulemba.

Convite aos empresários

O administrador municipal de Capenda Camulemba convidou os empresários nacionais e estrangeiros a investirem nos vários sectores sociais do município.
Jorge Sassupi disse que estão a trabalhar na sensibilização e mobilização dos empresários com vista a investirem na área da agricultura mecanizada e noutros sectores.
“Estamos a mobilizar empresários a nível das províncias de Luanda, Malange onde existem potenciais empresários com capacidade para investir no sector da agricultura e noutros sectores da vida sócio económico do município”, disse.
Jorge Sassupi referiu que está em curso no município a construção de pequena indústria  para transformação de tomate em concentrado e uma fábrica de blocos para apoiar os camponeses e a população na construção de obras dirigidas.
“Já estamos assistir a construção de uma pensão que vai facilitar acomodação dos visitantes que passam na sede do município”, disse.
No âmbito do Programa de Combate a Pobreza, a Administração tem apoiado os camponeses na obtenção de micro crédito de campanha.

Participação da juventude

O administrador municipal reconheceu a participação da juventude nas tarefas do desenvolvimento sócio económico do município. Segundo ele, todas as empresas instaladas no município receberam orientações, segundo as quais no recrutamento de mão de obras a primazia deve ser dado a juventude local.
“Só pode ser recrutar um ou outro técnico quando a nível local não existir”, disse Jorge Sassupi que reafirmou não aceitar que os empreiteiros tragam toda mão-de-obra  para não deixar os jovens do município sem possibilidade de emprego. Jorge Sassupi lembrou que, com as obras de construção da futura instalação da Estação de Desenvolvimento Agrária vai conseguir empregar 100 jovens locais.
“De Luanda apenas virão aqueles técnicos que no município não existe”, garantiu.

Venda informal

A venda informal nas ruas de Muxinda não é novidades para ninguém. Maria da Conceição, que exerce actividade desde 2002, revelou ao Jornal de Angola, que o dia-a-dia na localidade do Muxinda é estável.
Em relação a sua actividade diária, Maria da Conceição disse que ela decorre muito bem e há não nenhum constrangimento.
“O movimento do comércio aqui é igual a qualquer região da província da Lunda Norte”, disse Maria da Conceição que revelou que os preços não diferem muito dos praticados em Luanda.
A título de exemplo, Maria da Conceição disse se em Luanda uma cerveja nacional custa 70 Kwanzas aqui no Muxinda o preço é igual.
Acrescentou que as mercadorias têm muita adesão por parte dos clientes na compra das mercadorias pelo facto da vila estar situado ao longo da estrada nacional 230.
“Adesão é grande pelo facto da vila do Muxinda ser atravessado pela Estrada Nacional 230 que liga as províncias do litoral e do Leste de Angola”, disse.
Maria da Conceição frisou não obstante a região ser uma zona de exploração artesanal de diamantes “garimpo”, a juventude tem participado no desenvolvimento da zona com a ida a escolas.
Acrescentou que muitos jovens estão consciencializados que à actividade de garimpo tem os dias contados por isso estão abraçar na educação.
Maria da Conceição frisou que gostaria de ver erguida na Vila de Muxinda mais locais de diversão como sala cinema, campo multiuso, de futebol e parques para albergar os jovens nos momentos livres.

Governador constata obras

No âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate a Pobreza, o governador provincial da Lunda Norte, Ernesto Muangala, avaliou o grau de execução das obras de impacto social em curso no município de Capenda Camulemba.
Entre as obras em curso e que foram visitadas pelo governador Ernesto Muangala, constam as obras de construção das casas dos professores, a futuras instalações da administração comunal, casas sociais, sistema de captação de água e a residência da administradora comunal do Xinge.
Na sede do município, Ernesto Muangala visitou as casas protocolar, sociais, e para professores, complexo da Estação de Desenvolvimento Agrária para apoio aos camponeses, escola e residência para os professores, centro médico do Muxinda e a escola do ensino primária do Iº Ciclo.
Durante a visita, Ernesto Muangala recebeu informações pormenorizadas sobre o andamento das obras em curso no município e mostrou-se preocupado com ausência dos alunos nas escolas e apelou os encarregados de educação a mandarem os filhos à escolas para que possam aprender a ler e escrever para o bem da nação.
Município Capenda Camulemba dista cerca de 500  quilómetros do Dundo conta com uma população estimada em 87.435 mil habitantes maioritariamente camponesa distribuídos nas comunas de Xinge, Muxinda.

Fula Martins| Capenda Camulemba

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Fula Martins

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