Cabinda e Zaire com luz do Inga

Empreendimento tem capacidade para fornecer electricidade a outros países da região
Empreendimento tem capacidade para fornecer electricidade a outros países da região

Angola e Congo Democrático negoceiam, ao mais alto nível, a possibilidade de fornecimento de energia eléctrica às províncias do Zaire e Cabinda, a partir da barragem hidroeléctrica do Inga, localizada na província congolesa de Matadi, sede da região do Baixo-Congo, revelou ao Jornal de Angola o engenheiro Claudio Lubuma Batula Mpaka, durante a visita àquela barragem do governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião.
No caso particular da província do Zaire, a barragem hidroeléctrica do Inga tem garantido o fornecimento de energia eléctrica ao município de Nóqui, que faz fronteira com a cidade portuária de Matadi.
O “Jornal de Angola” soube de fonte oficial no Baixo-Congo que o então governador de Cabinda, Aníbal Rocha, tinha chefiado uma delegação ao Baixo–Congo, para constatar a imponência do empreendimento e junto das autoridades congolesas manifestar o interesse para estudo dos mecanismos que levem as duas partes a um consenso preliminar, o que foi correspondido.
Com este passo alcançado, Cabinda efectuou os trabalhos de demarcação por onde poderão passar os postos de condução da rede energética de alta tensão a partir da zona fronteiriça do Yema até à comuna de Malembo, onde se perspectiva a instalação de um Posto de Transformação (PT).
Os trabalhos preliminares foram concluídos, carecendo de uma reavaliação pelo Executivo, para uma decisão final.
O factor que atrasou o curso normal das negociações, com vista a uma decisão final do dossier, reside no facto das autoridades congolesas imporem ao governo provincial de Cabinda custear as despesas de transporte da rede eléctrica a partir da região congolesa de Muanda, o que foi rejeitado pelas autoridades angolanas, devido aos custos fabulosos que a empreitada impõe.

Exportação

Com a conclusão dos trabalhos técnicos da terceira etapa do projecto em curso na barragem hidroeléctrica do Inga, uma gigantesca indústria de electricidade situada a 65 quilómetros da cidade portuária de Matadi (Baixo–Congo), a República Democrática do Congo poderá ser um dos maiores produtores de energia eléctrica ao nível de África e quiçá do mundo. Inga será grande fonte geradora de receitas da RD Congo, afirmou o director de produção do projecto Inga em Matadi, o engenheiro Claudio Lubuma Batula Mpaka.
A delegação do governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, que esteve em visita de trabalho de 72 horas à região do Baixo-Congo, foi guiada pelo seu homólogo congolês, Simon Mbatshi Batshia e passou pelas instalações da obra erguida em Matadi em 1972.
Pedro Sebastião constatou a imponência do projecto e gostou do que viu. Sem entrar em detalhes, o governador considerou o projecto como sendo aquilo a que convencionou chamar o “colosso” declarado do Congo Democrático.
A barragem do Inga tem uma capacidade instalada de 100 mil Mw. Neste momento, o empreendimento está a ser apenas explorado na ordem de 44 mil Mw reais.
Os outros 56 Mw são repartidos para projectos solicitados por outros países.
A fonte informou que os 44 mil Mw, em uso até esta altura, estão a suportar o consumo energético em diversas regiões do país, desde a capital Kinshasa, até Kisangani, Catanga, Bukavu, Bandundu e Matadi, além de exportar energia eléctrica para o Congo-Brazzaville e alguns países da África Austral.
“Por enquanto, é isto que temos neste momento como uso na barragem do Inga”, disse o engenheiro Claudio Lubuma.
A partir da região do Catanga, onde existe uma sucursal do empreendimento, prevê-se que a barragem do Inga estenda a exportação de energia eléctrica de forma mais alargada para algumas províncias no norte de Angola, fruto de negociações ao mais alto nível, para a sua materialização, de acordo com a fonte.
Países como Gabão, Camarões e Nigéria estão também alinhados para receberem energia eléctrica da barragem do Inga. A barragem do Inga foi inaugurada em 1972. Dez anos depois de concluída a primeira fase industrial do projecto, em 1982, arrancou a segunda fase.
Segundo o engenheiro Claudio Lubuma, o governo congolês está em conversações com o governo egípcio para uma partilha de acções entre a barragem do Inga e a de Assuão, no Egipto, instalada no Rio Nilo, considerada uma das maiores barragens hidroeléctricas do Mundo.

João Mavinga| Matadi 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Adolfo Dumbo

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