Angola no mapa das tecnológicas

Num mundo em mudança constante as pessoas precisam de referências. A HP e a IBM são duas delas, dois ícones da história empresarial e da indústria das tecnologias de informação (TI).
Num mundo em mudança constante as pessoas precisam de referências. A HP e a IBM são duas delas, dois ícones da história empresarial e da indústria das tecnologias de informação (TI).

Num mundo em mudança constante as pessoas precisam de referências. A HP e a IBM são duas delas, dois ícones da história empresarial e da indústria das tecnologias de informação (TI). A primeira tem a provecta idade de 62 anos. A segunda comemorou, no mês passado, o seu centenário. São dois casos raros de longevidade (Jim Collins, no best-seller Feitas para Durar, assinala que a esperança de vida das 500 maiores empresas do mundo raramente ultrapassa os 40 a 50 anos).

Aristides Safeca: O vice-ministro das Telecomunicações considera que os investimentos são um sinal positivo para o país

Este não é, porém, o único traço em comum entre as duas gigantes. Ambas são americanas. A HP nasceu numa garagem em Silicon Valley, a IBM começou em Nova Iorque, fruto da fusão de quatro firmas. Ambas tinham nomes complicados e ficaram conhecidas apenas pelas siglas. A HP é a primeira letra do apelido dos fundadores — Bill Hewlett e David Packard (diz-se que eles atiraram uma moeda ao ar para ver quem ficava em primeiro lugar), enquanto a IBM é a abreviatura do nome pouco apelativo de International Business Machines. Ambas ostentam o azul-escuro nos logótipos. A HP só fez um ligeiro rebranding em 2009 e a IBM é inclusivamente conhecida como Big Blue (alusão ao tamanho e ao facto dos seus empregadores usarem camisas brancas com fatos azuis).

Ambas apostaram, desde sempre, na inovação (a IBM é inclusivamente uma recordista de patentes) e criaram produtos tecnológicos que mudaram o mundo (tais como as impressoras a jacto de tinta ou a laser da HP ou o computador pessoal da IBM). Ambas possuem uma cultura empresarial forte — moldada pelos fundadores —,
uma excelente imagem no mercado e têm lugar cativo, desde há várias décadas, entre as maiores empresas do mundo, as melhores para trabalhar, as marcas mais valiosas, as mais verdes, as mais inovadoras ou as mais socialmente responsáveis.

Hoje, elas são as líderes mundiais das TI (HP é a n.º 1 com uma facturação de 126 mil milhões de dólares, a IBM a n.º 2 com 99,8 mil milhões) com uma vantagem folgada sobre as “jovens” Apple (fundada em 1976) e a Microsoft (nascida um ano antes).

Mas as semelhanças não acabam aqui. Apesar das histórias repletas de sucessos, ambas passaram por períodos conturbados no passado recente. O exemplo mais clamoroso é o da IBM. Depois de várias décadas de reinado absoluto no fabrico de PC, a Big Blue começou por sofrer a concorrência agressiva da Apple (o anúncio televisivo “1984”, em alusão ao Big Brother, em que o Macintosh ameaçava “quebrar a tirania dos PC” tornou-se uma lenda do marketing). Depois, numa decisão desastrosa, a IBM decidiu focar-se no hardware e comprar o software à Microsoft e os microprocessadores à Intel. No final da década de 90, a IBM perdia cada vez mais terreno para os rivais: Compaq e Dell (hardware), Seagate (disquetes), Novell (redes), HP (impressoras) e Oracle (bases de dados). O colosso bateu no fundo em 1993, quando registou os maiores prejuízos de sempre da história dos negócios (8,1 mil milhões de dólares).

Foco nos serviços, em vez de produtos

 

O mercado africano de TI hoje vale 9 mil milhões de dólares 
e vai crescer para 
13 milhões até 2015

Em 1993, o novo presidente Louis Gerstner decidiu fazer uma revolução. Dividiu a gigante em secções mais pequenas e cortou custos de forma brutal (despediu 100 mil trabalhadores). Depois de consumado o turnaround (regresso aos lucros) o passo seguinte foi a viragem estratégica para os serviços, em detrimento dos produtos. Em 2005, já sob a liderança de Samuel Palmisano (eleito três anos antes) a IBM, numa decisão histórica, vendeu a divisão de PC à chinesa Lenovo. A verdade é que a estratégia resultou e hoje a Big Blue embora facture menos do que a HP, regista cerca do dobro dos lucros (14,8 mil milhões de dólares em 2010 versus 8,7 mil milhões). Aliás a IBM, entre as gigantes do sector, foi a vice-campeã dos lucros em 2010, logo depois da Microsoft e um pouco acima da Apple (que está a ter um 2011 fantástico).

 

A história recente da HP não tem o mesmo dramatismo épico, mas é igualmente tumultuosa. Basta dizer que nos últimos dois anos, já teve quatro presidentes. Tudo começou quando a HP, a braços com a concorrência cada vez mais agressiva no seu negócio central, as impressoras, resolve contratar para presidente a mediá-
tica Carly Fiorina (a primeira mulher a liderar uma das maiores empresas americanas). Idolatrada pela imprensa, Fiorina tinha um estilo de gestão autoritário e high profile, muito pouco consentâneo com a chamada “HP Way” (cultura humanista, basea-
da no respeito pelos empregados, incutida por Bill Hewlett e David Packard).

Foi Fiorina que inaugurou a era das “grandes compras” da qual a mais sonante foi a fusão, em 2002, com a Compaq (que, por sua vez, já tinha adquirido a Digital e a Tandem). Já depois de Fiorina cair em desgraça, o novo presidente Mark Hurd, decide comprar a EDS (2008), 3Com (2009) e Palm (2010). Também ele caiu em desgraça, desta vez devido a um problema de assédio sexual. Seguiu-se a liderança transitória de Cathie Lesjak, até que Léo Apotheker foi eleito em Setembro de 2010. O seu mandato não durou um ano.

Em Setembro de 2011 (o mês parece ser fatídico para os líderes da HP), foi substituído pela igualmente mediática Meg Whitman, fundadora da eBay e considerada uma lenda em Silicon Valley (ela transformou um website com meia dúzia de empregados num negócio de leilões na internet que hoje factura100 milhões de dólares). Apesar do seu currículo invejável (não obstante a tentativa falhada de concorrer a governadora da Califórnia), os investidores não acolheram a nomeação com entusiasmo — as acções da HP estão nos mínimos históricos dos últimos seis anos. Apesar da facturação estar a crescer, os resultados estão aquém dos estimados.

Mas o principal problema está na indefinição estratégica (os analistas chamam-lhe “crise de confiança”). Em Agosto, Léo Apotheker decidiu abandonar o negócio dos produtos, com margens cada vez mais baixas, e recentrar a HP nos serviços dirigidos às empresas, cujas margens são bem mais atractivas (no fundo, imitando a estratégia seguida pela rival IBM).

Recorde-se que a HP é líder nos PC (responsável por um terço da facturação, mas que é a área menos lucrativa da empresa) e nas impressoras, enquanto a IBM lidera nos serviços. Na referida apresentação de Agosto, Léo Apotheker disse que a HP iria vender a divisão de computadores (um anúncio que talvez lhe tenha custado o lugar) e passar a focar-se no cloud computing (consumidores desempenham tarefas através da internet), redes (segmento onde a Cisco lidera), servidores, software, bases de dados e outros equipamentos. Um mês depois, Meg Whiman diz que a decisão de manter, ou não, a divisão de computadores será tomada até ao fim deste ano. Mas a similaridade das estratégias seguidas pela HP e IBM parece ser já um dado irreversível.

Entrada quase em simultâneo

O mês de Setembro foi marcado por outra coincidência. As duas líderes mundiais das TI resolveram instalar-se em Angola. A inauguração oficial teve quatro dias de diferença (a HP fez o anúncio no dia 15 e a IBM no dia 19). Curiosamente ambas não foram pródigas na divulgação de números. E também coincidiram na promessa de que a instalação directa não significa a perda de influência dos actuais revendedores.

Respeitando a ordem cronológica da entrada, o angolano César Pinheiro, country manager da HP em Angola, justificou o início de operações com o crescimento da economia e a modernização tecnológica. “Esperamos ajudar a gerar mais crescimento económico e trazer soluções inovadoras de tecnologia”, referiu. A HP pretende-se dirigir-se essencialmente aos governos, empresas, ONG e universidades. No que diz respeito ao sector público, a educação, a saúde e o e-government foram considerados os três sectores prioritários.

Na educação, o responsável adiantou que a HP está a celebrar acordos de cooperação com as principais universidades angolanas e que, no âmbito da sua política de responsabilidade social, quer desenvolver uma estratégia pró-activa de fornecimento de equipamentos às escolas. A austríaca Susanne Heis, vice-presidente da HP e directora-geral da divisão de Imaging and Printing, para as regiões do Mediterrâneo, Médio Oriente e África, destacou a abertura, este mês, do Centro de Experiência Educacional, em Casablanca (Marrocos) um show-room que visa demonstrar como usar as tecnologias nas salas de aula para melhorar a experiência educativa.

“O centro será o primeiro do género em África. Queremos mostrar como a tecnologia pode melhorar os métodos de ensino e a aprendizagem interactiva”, disse com orgulho.

Na área da saúde, a responsável exemplificou a importância de outras inovações tais como o diagnóstico precoce de doenças ou os equipamentos que permitam a optimização da dosagem dos medicamentos. Por exemplo, em Junho, a HP criou no Botsuana, uma solução que permite a vigilância permanente da malária e outras doenças infecciosas. No Uganda e no Quénia lançou um programa de diagnóstico do vírus da SIDA em crianças. Na Tanzânia há uma solução de apoio às campanhas de vacinação. No Senegal a HP criou uma plataforma para o ensino à distância e em Moçambique a prioridade foi para a instalação de computadores nas escolas rurais.

No diz respeito aos clientes empresariais, César Pinheiro, destacou a oferta de soluções de cloud computing e conectividade (incluindo as redes, software, servidores e armazenamento de dados) a par dos PC e impressoras, dois segmentos nos quais a HP é a líder mundial. O responsável salientou que “vamos continuar a trabalhar com a rede actual de parceiros. A presença local visa criar uma relação mais próxima com os clientes e apostar noutros projectos como a formação e organização de eventos”. Recorde-se, a este propósito, que o escritório da HP vai arrancar com seis pessoas, dos quais quatro são nacionais. O próprio César Pinheiro nasceu nas Ingombotas, estudou em Angola, Portugal (onde se licenciou como engenheiro informático), Inglaterra e Estados Unidos e tem uma vasta experiência no sector com passagens pela Tecnidata, Siemens, Lucent, CaboVisão, Alcatel e Microsoft (que, tal como a Cisco, já está presente em Angola).

Susanne Heis aproveitou para esclarecer que esta aposta da HP no país faz parte da estratégia de expansão para o continente africano que engloba a abertura de dez novos escritórios este ano (Angola, Botsuana, Moçambique, Maurícias, Tanzânia, Uganda, Etiópia, República do Congo, Senegal e Gana) a acrescentar às presenças na Argélia, Egipto, Quénia, Nigéria, África do Sul e Tunísia. “Com uma economia em franca expansão e um elevado ritmo de modernização das indústrias, Angola é um mercado prioritário para a HP em África”, diz. Os números parecem dar-lhe razão. Segundo um relatório da IDC, citado pelo jornal Expansão, a HP tem uma quota de 60% do mercado angolano de TI avaliado em 200 milhões de dólares. César Pinheiro não confirmou os números, mas não escondeu o optimismo. “Sempre que abrimos escritórios num país, a facturação aumenta. Acreditamos que vá acontecer o mesmo em Angola.”

O mercado mais promissor do momento

A IBM também preferiu não abrir o jogo. Na cerimónia de abertura do escritório, apadrinhada por Aristides Safeca, vice-ministro das Telecomunicações, a Big Blue começou por explicar que a presença directa em Angola se trata de um “regresso”. É que, em 1961, a multinacional já tinha um escritório na marginal e o seu primeiro cliente foi os Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB). “Regressamos na altura em que o transporte ferroviário está novamente em alta”, disse, sorridente, Paulo Falcão Fernandes, director-geral da IBM Angola. Para mais, acrescentou, “não se trata de começar do zero. Queremos reforçar a oferta que hoje já temos no mercado através dos nossos parceiros”.

O português Paulo Falcão, casado com uma angolana e a viver no país há mais de três anos (trabalhou na Microsoft e na TIMwe) esclareceu que, desde 2005, a IBM já não vende computadores. Hoje o foco são os serviços e os sectores prioritários são o Governo, telecomunicações,  petróleo e gás e financeiro. A este propósito referiu que “cerca de 80% a 90% dos serviços centrais dos bancos angolanos funcionam em plataformas IBM”. Outra área em crescimento é o outsourcing (terceirização) dos sistemas de informação. “Fazemos tudo, desde o planeamento, à consultoria, à segurança ou o service desk. Um dos nossos clientes está no sector petrolífero”, diz.

Outra das áreas que Carlos Falcão antevê como promissora é a gestão de cidades, um problema premente em África. Em 2008, a IBM lançou um ambicioso programa global intitulado Smart Planet (no novo escritório em Angola proliferam os cartazes com a assinatura “Vamos Construir um Planeta mais Inteligente”) no qual apresenta soluções “inteligentes” para tornar a nossa vida mais simples e sustentável. Uma das aplicações recentes foi o sistema de medição de picos de energia ou de gestão de tráfego nas cidades de Nairobi e Joanesburgo. Ou um sistema de informação em tempo real nas zonas fronteiriças do Senegal. Outra área onde a IBM aposta forte é a responsabilidade social. Também em 2008, foi criado um grupo de 250 especialistas (chamam-lhe Corpo da Paz) que estão a colaborar em projectos que visam melhorar a competitividade e a qualidade vida em países como a Tanzânia, Quénia, Nigéria, Gana, África do Sul, Marrocos e Egipto.

Sobre a oportunidade da abertura do escritório, Carlos Falcão salienta não só o crescimento da economia, mas também “a conjuntura favorável ao crescimento das TI”. Salienta igualmente “o investimento na fibra óptica que terá um grande impacto no mercado e levará à criação de novos serviços”, uma visão partilhada pelo vice-ministro das Telecomunicações. “O Executivo está com políticas de incentivo ao investimento nas TI. Ao aprovar o novo Livro Branco, criámos novas condições e oportunidades para os investidores”, disse Aristides Safeca.

O britânico Nike Redshaw, director-geral da IBM para a África do Norte e Central, esclareceu que a entrada em Angola insere-se num programa de crescimento em África, onde a empresa já está presente em 20 países. No total, a IBM tem 230 escritórios em todo o mundo, dos quais 55 nos mercados emergentes. “No ano passado, 21% da nossa facturação vieram dos emergentes. Queremos subir esse valor para 40%”. O responsável acredita que África será quem mais contribuirá para a meta. “Os estudos referem que o mercado africano de TI vale 9 mil milhões de dólares e crescerá para 13 mil milhões até 2015.”

Outros estudos comprovam a tendência. Segundo o maliano Hamadoun Touré, secretário-geral da agência das Nações Unidas para as TI, “África foi a região do mundo onde o sector cresceu mais nos últimos três anos”. Não admira, por isso, que as grandes multinacionais estejam com olhos postos em Angola. Razão tem o vice-ministro quando diz que “estes investimentos são um sinal positivo para o futuro das tecnologias de informação e comunicação no nosso país”. É que, com a entrada de mais estes dois ícones da história do sector, Angola entrou definitivamente no mapa tecnológico mundial.
Susanne Heis e césar PINHEIRO: Os projectos nas áreas da saúde e da educação são as duas prioridades para a HP Angola

    O que eles dizem da HP

1-  
A maior fabricante de computadores e a 2.ª maior de serviços de IT do mundo — IDC

2-  
A 11.ª marca mais valiosa do mundo — Business Week

3-  

A empresa mais verde dos Estados Unidos — Newsweek

4-  
A melhor do sector para trabalhar e a primeira em responsabilidade social — Fortune

A HP inaugura este mês em Casablanca um centro tecnológico para a educação que servirá o continente

 

 Hp Way
1939

Nasce a HP, fundada por Bill Hewlett e David Packard, licenciados em Engenharia Electrónica pela Universidade de Stanford. A empresa nasceu numa garagem em Palo Alto, Califórnia, no coração de Silicon Valley, com um capital inicial de 538 dólares.

Anos 40

A empresa criava produtos electrónicos diversificados desde voltímetros a termóstatos ou medidores de precisão de ondas rádio. Um dos primeiros clientes foi a Disney. Em 1942 os fundadores constroem o seu primeiro prédio próprio em Palo Alto (pensado para se transformar numa mercearia caso o negócio principal não desse certo). Durante a Segunda Guerra Mundial a HP equipou a indústria naval americana.

Anos 50

À medida que a HP cresce, Dave e Bill criam um estilo de gestão único baseado no respeito pelos recursos humanos e a responsabilidade social, que ficou conhecido como The HP Way, ainda hoje estudada nas melhores escolas de Gestão. Um dos seus pilares era a política de portas abertas e a gestão por objectivos, segundo a qual os funcionários determinavam a melhor forma de cumprir as metas da empresa. Em 1958, compra a Moseley, produtora de plotters, entrando no negócio de impressão.

Anos 60

A HP estabelece-se na Europa e cria fábrica da Alemanha. Em 1963 faz uma joint-venture com as japonesas Sony e a Yokogawa Electric, entrando no mercado asiático. Em 1966, lança o primeiro computador, HP 2116A. Em 1968, cria a primeira calculadora, HP 9100A, que permitia efectuar complexos cálculos científicos (hoje os historiador consideram que ela foi o primeiro computador dirigido ao grande público).

Anos 70

Em 1972 cria a primeira calculadora de mão HP-35. Em 1974, a primeira calculadora programável HP-65 e, em 1979, a primeira alfanúmerica (HP-41C) e a primeira com símbolos e gráficos HP-28C. A linha de computadores de secretária teve início em 1975 e usava a famosa linguagem de programação BASIC. A grande rival nessa altura era a IBM.

Anos 80

No início da década lança o seu primeiro computador pessoal, o HP-85. Em 1984 lança a impressora ThinkJet, com tecnologia térmica de jacto de tinta para PC e portáteis. No mesmo ano, lança também uma impressora laser de 300 dpi, a LaserJet. Em 1998 surge a popular linha de impressoras HP DeskJet. Os produtos multifunções (impressora, scanner, fotocopiadora e fax) tornaram-se sucessos comerciais.

Anos 90

Em 1990, lança o seu primeiro palmtop, HP 95LX, que junta as funções de calculadora e PC (agenda electrónica, folha de cálculo Lotus 1-2-3, processador de texto). No mesmo ano, lança a impressora a cores DeskJet 500C. Em 1993, nasce a família Presário e o portátil HP Omnibook 300. Em 1994, desenvolve, com a Intel, um processador de 64 bits, Itanium, lançado em 2001. Em 1996, morre Dave Packard. Em 1999, a mediática Carly Fiorina é eleita CEO (foi a primeira mulher a ascender a tal cargo entre as maiores dos Estados Unidos).

Século XXI

Lança o servidor especializado para internet, o Superdome. Em 2001, morre o segundo fundador, Bill Hewlett. Em 2002, ocorre a superfusão entre HP e a Compaq (que, por sua vez, já tinha adquirido a Digital e a Tandem), avaliada em 87 mil milhões de dólares. Em 2004, lança uma forte campanha publicitária com 
o mote “O Computador é Assunto Pessoal”. Em 2005 Fiorina é despedida. Entre as criticas está a acusação de ter rompido com a cultura de gestão humanista dos fundadores. Em 2008, a HP compra a EDS (Electronic Data Systems) e, em 2009, a 3Com.

2010

Em 28 de Abril, a HP adquiriu a Palm. A 6 de Agosto, o CEO Mark Hurd demite-se devido a um escândalo de assédio sexual, sendo substituído interinamente por Cathie Lesjak. A 30 de Setembro, Léo Apotheker foi nomeado CEO e presidente.

2011

Em Agosto, a HP decide abandonar o foco no negócio dos PC (como havia feito a IBM em 2005), embora continue a vender servidores, redes, software e outros equipamentos para clientes empresariais, que passam a ser o seu principal segmento. É anunciada a intenção de compra da produtora britânica de software Automy e a descontinuação da linha de smartphones e tablets da linha WebOs. Em 22 de Setembro, Meg Whitman, a carismática líder da eBay, é eleita a nova CEO e presidente da HP.

 

 

 

Carlos Falcão e Nike Redshaw: Sector público e financeiro, telecomunicações e  petróleo e gás são prioridades para a IBM

    O que eles dizem da IBM

1-  
A 18.ª maior do Estados Unidos, a 7.ª mais lucrativa e a 12.ª mais admirada — Fortune

2-  
A 2.ª maior marca do mundo  — Interbrand

3-  
A 1.ª green company do mundo— Newsweek

4-  
A empresa com mais patentes registadas —  United States Patent and Trademark Office
A IBM está a aplicar soluções feitas à medida para África, no âmbito do programa global Smart Planet

 

Big Blue
Anos 1900 -1930

Fundada em 1911, em Nova Iorque, com o nome de Computing Tabulating Recording Corporation em resultado da fusão de quatro empresas. Acabou por se designar International Business Machines em 1924, sendo conhecida apenas por IBM ou pela alcunha de Big Blue (em alusão à cor do logótipo – ou-
tros dizem ser ao facto dos funcionários usarem camisas brancas e fatos azuis). O slogan favorito do presidente Thomas J. Watson “Think – Pense”, começou a ser usado em 1915 e ainda hoje faz parte das campanhas de marketing.

Anos 30-40

A IBM ajuda o governo americano a processar dados tais como o recenseamento dos seus 26 milhões empregados públicos. Num dos períodos mais conturbados da sua história ajudou também o regime nazi através da filial Dehomag. Em 1931, lança a primeira máquina de calcular alfanumérica e o supercomputador. Em 1933, introduz a semana de 40 horas de trabalho e a
primeira máquina de escrever. Foi uma das empresas pioneiras no mundo a oferecer aos empregados seguros de vida (1934) e férias pagas (1937). Em 1943, elege uma mulher para vice-presidente.

Anos 50

Em 1952, Thomas J. Watson Jr. sucede ao seu pai (esteve 40 anos no cargo) como presidente. Uma das suas primeiras acções foi a política de igualdade de oportunidades, que antecedeu a política de não descriminação de 1961 quanto à origem, nacionalidade, género e religião. Sob a sua gestão a IBM mais que duplica o investimento em investigação e desenvolvimento (6% a 9% da facturação). Em 1951, nasce o o IBM 7P1 o primeiro computador fabricado em grandes quantidades. Em 1956, foi lançado o IBM 704, uma máquina que podia aprender com a sua experiência e que hoje os historiadores consideram pioneira da inteligência artificial. Em 1957, a IBM desenvolve a linguagem de programação Fortran.

Anos 60

Em 1961, a IBM desenvolve o sistema electrónico de reservas da American Airlines e lança a máquina de escrever que se torna um sucesso comercial. Em 1963, lança a primeira família de computadores, a série IBM 360, de pequenos a grandes formatos. No ano seguinte, ajuda a NASA no programa espacial que culmina, em 1969, na chegada do homem à Lua. A IBM torna-se o ícone da América empresarial sendo vítima de um processo de antitrust (abuso de posição dominante) que durou 13 anos.

Anos 70

É lançado o cartão magnético (que permitiu o surgimento dos cartões de crédito), as bases de dados relacionais e a primeira linha de fotocopiadoras. Thomas J. Watson deixa a presidência da IBM em 1971 devido a problemas de saúde. Nesse ano, surge o primeiro sistema de reconhecimento de voz e a popular disquete. Em 1975, surge o primeiro “portátil” (IBM 5100) e no ano seguinte a primeira impressora laser. Em 1979, a IBM patenteia o Universal Product Code (código de barras).

Anos 80

Em 1981, em parceria com o Banco Mundial, lança a aplicação financeira swap (produtos derivados). No mesmo ano, nasce o PC IBM (5150). O seu impacto foi tão grande que a Time elegeu-o “A Pessoa do Ano”. A empresa acabou por perder a vantagem inicial na revolução dos computadores ao focar-se no hardware e comprar o software à Microsoft e os componentes à Intel. No final da década, sob a liderança de John Akers, a IBM perdia terreno para os seus rivais: Compaq e Dell (hardware), Seagate (disquetes), Novell (redes), HP (impressoras), Oracle (bases de dados).

Anos 90

Em 1991, vende a Lexmark (marca de impressoras) e no ano seguinte lança o portátil 
ThikPad. Depois de dois anos no vermelho a IBM bateu no fundo em 1993, ano em que anunciou os maiores prejuízos de sempre da história dos negócios (8,1 mil milhões de dólares). Em 1993, Louis Gerstner foi nomeado CEO (veio da Nabisco e foi o primeiro a ser contratado fora da empresa). O novo presidente fez uma revolução. Tentou incutir um lógica de serviço ao cliente, dividiu o colosso em secções mais pequenas e cortou custos de forma brutal (100 mil trabalhadores foram despedidos). A estratégia resultou e a empresa regressou aos lucros em 1994. No ano seguinte, a IBM comprou a Lotus, especializada em folhas de cálculo. Em 1997, o supercomputador Deep Blue venceu o campeão mundial de xadrez Kasparov. Em 1998, investiu milhões de dólares no sistema operativo gratuito Linux.

Século XXI

A IBM resolve focar-se nos serviços de TI. Em 2002 adquire a divisão de consultoria da PricewaterhouseCoopers, ano em que Samuel Palmisano, se tornou presidente e CEO (cargo que mantem até agora). Em 2005, a IBM, numa decisão histórica, vende a divisão de PC à chinesa Lenovo. Em 2009, compra a empresa de software SPSS. E o supercomputador Blue Gene recebeu a Medalha de Tecnologia e Inovação entregue pelo Presidente Obama. Em 2011, ano em que comemora o centenário, a Big Blue surpreen-deu o mundo com o seu programa de inteligência artificial Watson.

 
Por: Jaime Fidalgo

Fonte: Exame

Fotografia: Exame

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