Angola na auto-estrada da informação

Pedro Teta diz que com o Livro Branco as empresas de telefonia fixa podem entrar também para o segmento móvel
Pedro Teta diz que com o Livro Branco as empresas de telefonia fixa podem entrar também para o segmento móvel

Os diversos projectos de médio e longo prazo que estão a ser desenvolvidos pelo sector das Telecomunicações e Tecnologias de Informação devem pôr o país na verdadeira rota da “auto-estrada da informação”.
O vice-ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Pedro Sebastião Teta, disse ao Jornal de Angola que estão em curso projectos para desenvolver o sector. “A nossa missão é criar e explorar as auto-estradas da informação”, assegurou.
Neste momento, estão a ser instalados cabos de fibra óptica, já se contabilizando mais de nove mil quilómetros ao longo das vias, devendo os mais de dez mil quilómetros de fibra óptica ficar integralmente instalados em breve. Angola fica com cobertura total para o desenvolvimento das tecnologias da informação mas avançadas.
A par disso, há um projecto de fibra óptica, o AX, além do actual Sat 3. “Tudo isso significa que cada vez mais nos aproximamos da nossa missão, que é situarmo-nos numa verdadeira auto-estrada da informação no país”, sublinhou.
A preocupação do Executivo está em como passar a “última milha”, uma fase em que tem de se levar a fibra óptica ao consumidor final, habitações, escolas e instituições públicas e privadas.
Nesse sentido, vão ser estabelecidas parcerias com o sector privado, de forma a que o Estado e os privados  trabalhem em conjunto. O trabalho de instalação e montagem está quase terminado, prevendo-se que parte considerável de todos os projectos termine no próximo ano ou o mais tardar  em 2013.
A questão prende-se agora com a necessidade de  tornar a rede operacional e rentável.

O problema da formação dos recursos humanos é outra das grandes preocupações do sector das Telecomunicações.
Para ultrapassar a situação, vai ser lançado em breve um Centro de Formação junto do Instituto de Telecomunicações de Luanda (ITEL), além do sector estar a ponderar a criação do Instituto Superior de Telecomunicações.
“O homem é um factor indispensável para o desenvolvimento”, reconheceu o vice-ministro Pedro Sebastião Teta.
Sem avançar datas, o vice-ministro anunciou que em breve vai ser inaugurado o primeiro “Data Center” do Executivo, no Quilómetro 7, encontrando-se neste momento em fase de testes.
O projecto do Parque Científico e Tecnológico da Camama está em execução, ao mesmo tempo que se trabalha no “Projecto E-gov”, que visa facilitar as actividades do Executivo na relação Governo-Governo, na primeira fase, e Governo-Cidadão, na segunda.
O “Projecto E-gov” permite que se realize a instalação de sistemas de vídeo-conferência nos escritórios das instituições.

O satélite angolano

O vice-ministro anunciou que o projecto do Satélite Angolano (Angosat) continua em curso, estando já aprovada, desde Abril, a linha de crédito destinada a suportar os custos. Os técnicos angolanos estão neste momento a trabalhar com técnicos russos para ultimarem alguns pormenores. O satélite deve ficar operacional em 2014.

Avanço das Mediatecas

As primeiras seis mediatecas, das 14 previstas, devem ficar concluídas em Julho do próximo ano. Neste momento, a preocupação prende-se com a produção de conteúdos nacionais. “Precisamos abrir as mediatecas angolanas com conteúdos nacionais. Daí a necessidade de trabalharmos com produtores de conteúdos e o Jornal de Angola é um órgão a ter em conta nesse processo”, salientou Pedro Teta.
As mediatecas, enquanto espaços de inclusão social e digital, vão ter 35 por cento de livro físico e 65 de conteúdos em formato virtual ou digital, desde as fototecas, videotecas, jornais, dvd’s e música.
Relativamente à produção de aplicativos e softwares, reconheceu haver algum “atraso”, embora o país esteja a dar passos nessa direcção. “Temos empresas a produzir softwares. Estamos com um projecto embrionário na criação de aplicações para o Estado, como contabilidade, gestão de stock e pequenos aplicativos”, disse, acrescentando: “Temos jovens a trabalhar nesta área. O que significa que estão a dar-se alguns passos na criação de capacidade humana”.

Rede móvel

Com o Livro Branco e demais Leis conexas, a abertura a novos investimentos no segmento do telemóvel e da rede fixa torna-se mais “elástica”, uma vez que estão definidos novos critérios de licenciamento, com realce para a licença “multiplayer”.
Com o Livro Branco, as empresas que operam no segmento de telefone fixo devem entrar também para o segmento do telemóvel, dependendo da capacidade e interesse de quem queira investir. “As empresas podem ter licença para telefone fixo e licença para telemóvel. Com apenas uma licença, o operador pode exercer vários serviços ao mesmo tempo”, explicou.  As licenças, referiu, não estão viradas só para um sector. “O mercado não é grande e tem de se ir abrindo aos poucos, mas o problema não é apenas de abertura é também de investimento. A legislação já permite ter vários operadores”, salientou.

O Livro Branco das Tecnologias

O novo Livro Branco das Tecnologias de Informação e Comunicação, um documento programático e estratégico sobre as políticas de informação e telecomunicações em Angola, apresentado em meados de Junho deste ano, vai estimular o desenvolvimento socioeconómico do país e contribuir para a redução das assimetrias regionais.
Este livro defende também a construção de infra-estruturas de rede básica de telecomunicações e  a garantia do serviço universal, enquanto direito de cada cidadão de beneficiar de serviços de telecomunicações onde quer que esteja, permitindo que a prestação de serviços seja de qualidade e a preços acessíveis a todos os estratos sociais.
O documento estabelece os pilares de actuação do sector das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em Angola, o que assegura algum conforto na materialização dos grandes desafios para a modernização do país.
O livro tem como objectivo coordenar e articular as acções do sector das Tecnologias de Informação  e  Comunicação, racionalizar os recursos, maximizar o seu impacto, utilizar as melhores tecnologias e melhorar os indicadores de referência do sector das telecomunicações e tecnologias de informação.
O Livro Branco torna o sector das telecomunicações em Angola mais “arrumado” e o mercado mais atractivo ao investimento. A viabilização do mercado de serviços integrados de comunicação electrónica da sociedade de informação tem largas possibilidades para crescer em Angola.
Promove também a necessidade de se traçarem políticas e acções para o desenvolvimento do sector das Telecomunicações do período de 2010 a 2015, para que haja uma actualização permanente e acesso aos novos produtos.
O processo de criação do Livro Branco está reflectido nas directrizes das políticas do Executivo para fazer face aos desafios actuais do sector, nomeadamente, a actualização do quadro legislativo e o relatório vigente, de forma a torná-lo flexível e a tirar partido das tendências do desenvolvimento tecnológico para a prestação de um serviço de qualidade e a preços acessíveis, capazes de contribuírem para o reforço da unidade nacional e a redução da pobreza e da fome.
O ministro das Telecomunicações e Tecnologia de Informação, José Carvalho da Rocha, disse recentemente que, tendo em conta que as Tecnologias de Informação hoje actuam em várias áreas, a apresentação do Livro Branco à sociedade civil e aos consumidores vai permitir que o seu ministério recolha mais impressões para o enriquecimento da obra estratégica do sector das telecomunicações.
José Carvalho da Rocha referiu, na altura, que o Livro Branco das Tecnologias da Informação e Comunicação expressa tudo que o Executivo pretende fazer no sector até ao ano de 2015.
“O livro vai tratar de todas as áreas, desde o desenvolvimento do mercado tecnológico até aos aspectos ligados às tendências que o Ministério das Telecomunicações vai verificando ao longo do tempo”, referiu ainda o ministro José Carvalho da Rocha.
O acesso aoLivro branco das Tecnologias da Informação é grátis, bastando apenas que as pessoas se inscrevam no correio electrónico do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, no endereço www.mtti.gov.ao.
A criação da rede de fibra óptica e o acesso às novas tecnologias permitem alargar em Angola a “auto-estrada da informação” e entrar nas redes mundiais onde circulam as novas técnicas.

João Dias


Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Mota Ambrósio

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