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Angola ainda na 
cauda da tabela
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Angola ainda na 
cauda da tabela

Fórum Ecónomico Mundial

A Suíça venceu mais uma vez o ranking de competitividade publicado anualmente pelo Fórum Económico Mundial, instituição conhecida pela organização do famoso Fórum de Davos. Nos lugares de honra seguintes surgem Singupura que ultrapassou a Suécia como vice-líder. Os países nórdicos e do Norte da Europa dominam o top ten. A Finlândia ficou em 4.º lugar, a Holanda em 7.º, a Dinamarca em 8.º e o Reino Unido em 10.º Os Estados Unidos desceram um lugar, pelo terceiro ano consecutivo, estando agora na 5.ª posição mundial, um reflexo do abrandamento económico que persiste no país. O Japão (9.º lugar) mantém-se como o segundo melhor país asiático apesar da queda de três lugares face ao ranking do ano passado, decerto motivada pela crise recente associada ao tsunami.
O país mais competitivo do mundo: A Suíça joga em casa (o Fórum Ecónomico Mundial tem sede em Genebra) e volta a vencer

 

Formação inadequada: É o maior constrangimento dos negócios em Angola, diz o estudo

No “campeonato mundial da competitividade” do Fórum Económico Mundial, os designados BRIC estão longe ser as estrelas. A excepção foi o Brasil que subiu cinco lugares, mas continua num modesto 53.º lugar (atrás de Portugal, por exemplo, que está no 45.º). A China subiu apenas uma posição no ranking, para o 26.º lugar. A Índia teve uma queda aparatosa caindo cinco lugares, para o 56.º E a Rússia também desceu três posições, ficando no 66.º lugar, sendo o pior dos emergentes.

 

Quem também perdeu uma posição foi Angola (139.º lugar entre 142 países) que participa no estudo pela segunda vez e passa a ser a quarta a contar do fim (à frente apenas do Burundi, Haiti e Chade). A tabela do continente africano continua a ser liderada pela Tunísia (40.º lugar), apesar de ter perdido oito lugares na tabela mundial. O fenómeno repetiu-se no Egipto, país onde também ocorreram revoltas populares, que caiu 13 lugares (a maior queda do ranking). Pela positiva estão as escaladas da Etiópia (mais 13 lugares), do Ruanda (mais dez) e do Malawi (mais oito). Nos outros países africanos que também falam português, Cabo Verde (119.º lugar) e Moçambique (133.º) desceram duas posições enquanto Timor-Leste subiu um nível (131.º lugar).

Ainda no que diz respeito aos indicadores genéricos, de referir que os países mais populosos do mundo continuam a ser a China e a Índia. Ambos têm um número de habitantes mais de quatro vezes superior ao dos Estados Unidos (o 3.º da lista).

No que concerne a África, a Nigéria é a nação mais populosa (8.ª do mundo), sendo Angola o 52.º país à escala global e o 15.º do continente. No critério do PIB os Estados Unidos mantém-se os líderes mundiais. O valor da sua economia é quase três vezes superior à da China, que cometeu a proeza de ultrapassar o Japão no 2.º lugar. Angola tem o 63.º melhor PIB do ranking mundial e o 7.º do continente, no qual a África do Sul lidera destacada. No indicador do PIB per capita, os cidadãos do Luxemburgo são os mais ricos do mundo, seguidos dos da Noruega, Qatar, Suíça e Emirados Árabes. O melhor país africano neste critério é o Botsuana (62.º lugar), seguindo-se Maurícias, África do Sul, Namíbia e Angola (que ocupa um meritório 80.º lugar a nível mundial).

 

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Critérios onde Angola decepcionou…

Mais importante do que atender aos dados genéricos (calculados com base nas estatísticas de organismos internacionais como o FMI ou o Banco Mundial) é analisar a posição de Angola nos vários critérios associados à competitividade (cujas pontuações são baseadas nas respostas a um inquérito enviado a 13,5 mil líderes de

Saúde e educação; ensino superior e formação; inovação nos negócios, são as três lacunas do país

opinião dos 142 países). A primeira ilação a retirar é que o ranking do Fórum Económico Mundial, valoriza os designados “12 pilares da competitividade”. Entre eles há ainda a distinguir os critérios básicos (“qualidade das instituições”, “qualidade das infra-estruturas”, “ambiente macroeconomico”, “saúde e educação primária”); os critérios de eficiência (“educação superior e formação”, “eficiência do mercado”, “eficiência e produtividade dos recursos humanos”, “desenvolvimento dos mercados financeiros”, “capacidade tecnológica e dimensão do mercado”) e os critérios de inovação (“sofisticação dos negócios” e “inovação”). Mediante a pontuação obtida nos 12 pilares, os países são agrupados em cinco grandes estágios de desenvolvimento. O primeiro, é o estágio de sobrevivência, o segundo (onde Angola se inclui), é o de transição para o terceiro estágio: o de orientação para a eficiência. O quarto, é o da transição para o quinto estágio: o dos países orientados para a inovação.

 

Entre os referidos 12 pilares da competitividade, Angola tem um desempenho particularmente negativo em três deles — a
 “saúde e educação”; a “educação superior e formação” e a “sofisticação dos negócios” —
nos quais é a pior nação entre as 142 analisadas no ranking. Nas primeiras duas categorias, Angola tem os piores resultados da lista nos seguintes subcritérios: “incidência da malária”, “qualidade do ensino primário”, “percentagem de alunos que frequentam o ensino secundário”; “qualidade da educação nas disciplinas de Matemática e Ciência” e “qualidade das escolas de Gestão”.

TUNíSIA: O país onde se iniciaram as revoltas populares desceu oito lugares, mas continua líder em África. A agricultura representa 11,5% do PIB

Tem o segundo pior, entre os 142 países analisados, no subcritério da “qualidade geral do sistema de ensino”. E o terceiro pior na “mortalidade infantil”, “percentagem de alunos inscritos no ensino primário”, “disponibilidade de internet nas escolas” e “acesso a facilidades ao nível da investigação e formação”. No que concerne ao subcritério da “sofisticação dos negócios” Angola também é o pior dos 142 países analisados na “qualidade das instituições ligadas à investigação científica” e o segundo pior na “capacidade de inovação” e o “número de cientistas e engenheiros”.

Nos restantes pilares constituem destaque pela negativa as prestações de Angola noutros subcritérios (onde também obteve os um dos piores desempenhos entre os 142 países analisados): “comportamento ético das empresas”; “qualidade dos sistemas de auditoria e reporting”; “qualidade geral das infra-estruturas”; “qualidade da redes de fornecimento de energia” “eficácia dos conselhos de administração”; “intensidade da competição interna”; “eficácia das leis antimonopólio”, “acesso ao financiamento através do mercado interno” e “inflação”.

 

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…e se destacou pela positiva

Há, felizmente, outros subcritérios onde Angola teve uma excelente prestação entre os 142 países analisados. O brilharete surge no critério do “saldo orçamental do Governo”, onde ocupa uma honrosa 7.ª posição do ranking mundial. Destaque também, pela positiva, para o “impacto dos impostos nos negócios” (25.º lugar); “ausência de custos associados ao terrorismo” (37.º); “rácio de mulheres no mundo do trabalho” (41.º); “nível de endividamento do Estado” (46.º) “dimensão do mercado” (62.º), “disponibilidade de ligações aéreas” (77.º) e “aquisição por parte do sector público de produtos tecnológicos” (86.º).

Analisadas as 529 páginas deste relatório a conclusão a retirar é óbvia: Angola ainda tem muitos trabalhos de casa a fazer se quiser melhorar a sua prestação no ranking mundial da competitividade.

 

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Por: Jaime Fidalgo

Fonte: Exame

Foto: Exame

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