Ângela Mingas e a arquitectura

Ângela Mingas defende que arquitectos angolanos devem actuar também no restauro e projectar empreendimentos paisagísticos
Ângela Mingas defende que arquitectos angolanos devem actuar também no restauro e projectar empreendimentos paisagísticos

O reitor da Universidade Lusíada de Angola (ULA), Mário Pinto de Andrade, defendeu ontem, em Luanda, a necessidade dos arquitectos conciliarem nos seus projectos padrões de modernidade e a tradição, tendo sempre em conta a utilização de materiais locais que garantam conforto e qualidade de vida às populações.
Mário Pinto de Andrade, que falava durante a cerimónia de abertura do VI Fórum de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola (ULA), que decorre sob o lema “Desenvolvimento rural e urbano”, disse que, num momento em que o Executivo angolano está a dinamizar vários projectos habitacionais em todo o país, os arquitectos desempenham, na sua acção, um papel importante, utilizando padrões ou modelos que se enquadrem na realidade do país.
“Angola, como outros países africanos, deve e pode seguir o seu caminho, sem deixar de olhar para a experiência de outros países em África, na América Latina, Ásia e mesmo na Europa, que possam servir como modelo e ser aproveitados nos aspectos que se enquadram na realidade do nosso país”, considerou. No mercado de arquitectura, urbanismo e paisagismo, há sempre procura de novos profissionais, por ser uma área que se moderniza continuamente, com o aparecimento de novas tendências, salientou o reitor.
Por sua vez, a coordenadora do Departamento de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola, Ângela Mingas, afirmou que a questão rural não tem entrado nos discursos e nos diálogos mundiais, talvez porque aquilo que esteja a assustar grande parte da comunidade nacional e internacional sejam os problemas ligados ao crescimento das cidades e a sua sustentabilidade.
No Dia Mundial do Habitat, que ontem se assinalou, a arquitecta disse que a questão rural deve ser abordada com mais profundidade, recordando que grande parte da população, em particular em África, vive nas periferias degradadas à volta das cidades, que em Angola se chamam musseques.
Na sua perspectiva, os arquitectos angolanos devem actuar também no restauro, projectar empreendimentos paisagísticos e ambientais, trabalhar com designers de mobiliário ou de interiores, desenvolver estudos urbanos e planos directores de desenvolvimento urbano e rural. O fórum, que decorre de 3 a 7 deste mês, no anfiteatro da ULA, vai discutir assuntos ligados a projectos urbanísticos e outras questões sociais, dentro da arquitectura. Participam no encontro especialistas nacionais e estrangeiros. Os especialistas convidados são provenientes da Bélgica, França, Brasil e Colômbia.
O evento realiza-se há seis anos, debatendo em cada ano um tema pertinente relacionado com arquitectura e urbanismo, numa parceria da Universidade Lusíada com a Alliance Française e o Instituo Alemão.

 

Manuela Gomes

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: José Soares

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